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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Expansão líquida e certa
 

Com o mercado aquecido principalmente pela demanda industrial, as empresas de prestação de serviços e fornecimento de sistemas de desmineralização de água apostam em crescimento.

 
Cynthia Luz
 

A desmineralização da água, processo industrial que pode usar diferentes tecnologias, como resinas de troca iônica, membrana de osmose reversa e eletrodiálise, entre outros, vem apresentando crescimento de mercado, embalada pelo incremento de diversos setores, como o de papel e celulose, petroquímico, químico, sucroalcooleiro, farmacêutico, alimentício, geração de energia, entre outras, que vêm realizando investimentos em novas unidades e expansão das atuais.

Além disso, a possível necessidade de purificação da água do mar pela provável escassez dessa riqueza mineral nos próximos anos é outro elemento que deve movimentar o mercado desses processos de purificação, tornando-os atrativos para a instalação de novas empresas prestadoras de serviço e fornecedoras de produtos químicos para o segmento.

Para José Paulo Silva, diretor da Avista Technologies, o mercado encontra-se em fase de transição com a solidificação das tecnologias de membranas (OR e UF) e um lento decréscimo da tecnologia de resinas de troca iônica. Outras tecnologias, como a eletrodiálise, ainda não têm perspectivas de sucesso em curto e médio prazos. De acordo com ele, somente empresas focadas nas tecnologias se manterão no mercado. “Acabou o tempo em que tamanho e diversificação eram vantagens competitivas.”

Otimista, Raul Ramos, technical marketing manager for Pure Water Systems da GE Water Process Technologies, considera que o mercado brasileiro de desmineralização está crescendo a passos largos. Vários fatores estão contribuindo para isso, como a qualidade final da água exigida, necessidade de reduzir os custos operacionais, custos crescentes da água e efluente e, principalmente, a elevação da consciência ambiental. “As pressões do mercado global – competitividade pela qualidade e preços – são forças motrizes para a busca incessante na redução nos custos operacionais e no diferencial em seus produtos fabricados. Na maioria de suas utilizações, a pureza da água já repercute em poupanças financeiras e de energia significativas, como água para geração de vapor, termelétricas etc., além do fato de que a qualidade de água em certos tipos de indústrias é fator principal na fabricação de seus produtos finais, incluindo fábricas de bebidas, comidas, microchips, substâncias químicas e etc.”, continua Ramos. “Nós esperamos continuar vendo a mistura de companhias menores e maiores no mercado de água. Acreditamos ser uma tendência ainda do recente boom que caracterizou o segmento. Estamos confiantes que haverá um mercado forte para clientes e provedores nos próximos anos”, antecipa, lembrando: “A purificação de água e o mercado de desmineralização estão crescendo. A água está se tornando um recurso escasso e as fontes limpas estão sendo contaminadas. A demanda por mais água potável e segura para consumo humano, associada também ao crescimento das demandas das qualidades para produtos que usam água como um ingrediente, é forças motriz dessa tendência mundial. Com as metas de custos operacionais baixando, isto é um fator incisivo que exige qualidade de água cada vez melhor nos processos. Uma forte consciência, leis e foco para a qualidade final do efluente também estão fazendo um grande papel nesse processo de crescimento.”

Considerando que a tecnologia de desmineralização é aplicada principalmente no ramo industrial, Letícia Jensen, gerente de desenvolvimento de mercado, e Marcus Simionato, gerente de contas Resinas de Troca Iônica da Dow Water Solution, acreditam que este é um mercado que vem crescendo nos últimos anos a taxas elevadas, acompanhando expansões e novos investimentos de indústrias pertencentes a segmentos como papel e celulose, petroquímica, química, sucroalcooleira, farmacêutica, alimentícia, geração de energia, entre outras.

Para eles, as oportunidades de expansão no mercado brasileiro são consideradas promissoras, “graças, sobretudo, à disposição das indústrias locais em investir cada vez mais em equipamentos de reciclo e reuso de água, cujo objetivo é atender às normas ambientais e evitar o desperdício. O reciclo refere-se ao tratamento que visa recuperar a qualidade original da água a ser reutilizada, por exemplo, na mesma aplicação que a originou. A tendência supostamente irrefreável país afora para os próximos anos, no entanto, corresponde ao reuso. Mais comum, por conta do menor custo, o processo pressupõe a redução dos níveis de contaminantes nos efluentes de um sistema para, a partir daí, reutilizá-los em torres de resfriamento, lavagem de pisos, processos industriais, irrigação de áreas verdes, sistemas sanitários, entre outros. O mercado cresce globalmente e no Brasil os números comprovam seu êxito e mostram a sua dimensão. De 2000 a 2005, o crescimento médio anual das vendas de membranas de osmose reversa foi da ordem de 15%, e o de resinas de troca iônica foi de 5%”.

Já na análise de Klaus Axthelm, chefe de vendas ION da Lanxess, “no segmento de resinas (produtoras de resinas), existem empresas sérias e menos sérias atuando no mercado. Já no segmento de fabricação de equipamentos, as distorções são gritantes. Empresas que não têm experiência nenhuma aceitam projetos de envergadura, tanto técnico quanto de orçamento, acima de suas capacidades. Nesses casos, são entregues equipamentos que realmente deixam a desejar. Isso, de uma forma, também contribui negativamente para o segmento de resinas, que depende em muito da qualidade dos equipamentos onde a resina é empregada”.

Para ele, os clientes estão inclinados a fazer uma análise de custos somente na aquisição do sistema. “Raramente se faz um custo de longo prazo, levando em consideração o custo do regenerante, limpezas especiais, custo da água de descarte etc. Este é um dos motivos da proliferação do uso das membranas em águas pobres de sais, como as encontradas normalmente no Brasil, e também da proliferação de empresas que não têm capacidade técnica adequada de fornecer equipamentos para atender as necessidades dos clientes”, pondera Axthelm.

Segundo Axthelm, o boom nas empresas de tratamento de água, verificado há alguns anos, e o posterior movimento de acomodação, com operações de compra e absorção das menores pelas maiores não ocorreu no segmento de troca iônica: “Se estamos falando de fabricantes de resinas, isto não condiz com a realidade. Poucas empresas de pequeno porte foram adquiridas pelos grandes players, como é o caso da Sybron que foi adquirida em 2000 pela Lanxess. O que se tem notado é que vários fabricantes de resinas que não dispõe de resinas monodispersas em seu programa de fornecimento estão perdendo seu espaço em mercados exigentes, como o europeu. Assim, começam a ter excedentes em seus estoques e vêm tentando colocá-los em mercados menos exigentes, como o nosso, que é mais voltado para preços. Em termos de fabricantes de equipamentos, temos observado uma invasão de pequenos fabricantes, alguns aventureiros que não apresentam condições técnicas de atender seus clientes.”

Apesar de todas essas dificuldades, o chefe de vendas da Lanxess crê em incremento do negócio: “É um mercado crescente. Tanto que estamos em fase de ampliação de nossa capacidade de produção na unidade produtiva da Alemanha. Além dos campos que já atendemos, temos novas aplicações que estamos atendendo.”

Carlos Eduardo Carneiro Kurlbaum, gerente de Tratamento de Águas América Latina da Clariant, lembra que as tecnologias de pré-tratamento estão sendo empregadas também nos efluentes, de maneira a permitir que a água seja reaproveitada dentro do sistema industrial. “Isso está ocorrendo principalmente nos grandes centros entre as empresas de maior porte. “Isso é uma preocupação grande, se levado em consideração que se paga a água captada e o efluente. Ou seja, a partir do momento que se reusa a água dentro da indústria, reduz-se a captação e o descarte, reduzindo ainda os problemas com os órgãos ambientais”, esclarece, salientando como exemplo as experiências do mercado siderúrgico nesse sentido. “A siderurgia é uma atividade que sempre foi grande consumidora de água e está cada vez mais preocupada em reutilizá-la dentro de seus processos.”

Segundo o gerente da Clariant, como a água está em evidência nos últimos anos, todo mundo quer fazer tratamento de água: “Se levarmos em consideração o mercado industrial, em especial as empresa de médio e grande portes aqui no Brasil, estamos estagnados há algum tempo. Talvez a Clariant tenha sido o novo nome pesado a surgir nos últimos anos. Já em relação ao mercado das pequenas, que atendem principalmente as indústrias de pequeno porte e o segmento de conforto, há uma pulverização muito grande, com abertura e fechamento de empresas ocorrendo a todo instante. Mas, hoje, está ficando mais difícil às empresas que não apresentam qualidade de produtos e serviços se manterem no mercado. Acredito que estejam fechando mais que abrindo.”

Por outro lado, Kurlbaum destaca que falta regulamentação no Brasil. “É necessário que haja algum tipo de regulamentação, na qual a empresa seja qualificada por um órgão específico. Não temos uma entidade que nos represente. Se compararmos com ouros mercados, como o norte-americano, vemos que estamos atrasados nesse sentido.”

Osmose x resina
As duas principais tecnologias empregadas em desmineralização continuam disputando espaço, não só com base nas diferenças da composição da água a ser tratada, mas também pelo relação custo-benefício. Axthelm avalia que “esse é um mercado claramente indicado para uso de sistemas à base de resinas de troca iônica, por razões técnico-comerciais, que, por marketing extremamente agressivo, está migrando para sistemas por membranas”.

Corroborando a opinião de Axthelm, Kurlbaum avalia que no mercado de purificação de água percebe-se um crescimento mais acelerado da osmose reversa, por uma questão de redução de custo das membranas e maior domínio da tecnologia e dos equipamentos. Até o fato de já existirem várias empresas locais, no Brasil e na América Latina, que constroem o equipamento e trazem membranas, mostra que a difusão dessa tecnologia está bem maior. “No que diz respeito ao mercado, vemos um contínuo incremento da reutilização de água e isso vai levar à necessidade cada vez maior de processos físico-químicos de separação, como a osmose e a troca de íons.

Para Silva, entre as opções de desmineralização, a osmose reversa é, sem dúvida, a mais utilizada, por ser um processo mais moderno, mais flexível e em constante desenvolvimento. “A tecnologia de membranas de ultrafiltração já é uma realidade e colabora diretamente no sucesso de aplicações em conjunto com membranas de osmose reversa. A redução dos custos seria muito mais em função do reaproveitamento (reuso) das águas de processo.”

Ramos avalia que o mercado mundial de membranas de osmose reversa mantém-se com um forte crescimento a cada ano, devido ao seu mais baixo custo operacional, simplicidade da operação e amizade ambiental. “A osmose reversa está se tornando a melhor opção de desmineralização para ser usada em todos os mercados industriais. A resina de troca de íons é usada junto com sistemas de membranas quando essa combinação apresentar a melhor solução técnica específica no processo.”

O gerente técnico da GE pondera que as tecnologias de membranas são mais variadas e oferecem vantagens únicas, quando tratando águas superficiais contaminadas ou reusando efluentes. “A ultrafiltração oferece alternativas mais seguras como parte de uma solução de tratamento de água. Osmose reversa é a alternativa mais econômica e segura para tratar água salgada transformando-a em água potável ou no uso industrial. A nanofiltração provê muito freqüentemente a qualidade requerida por fabricantes de bebidas com a proteção microbiológica adicional (barreira absoluta). Já a troca de íons é uma tecnologia excelente para polir o permeado da osmose reversa, quando isso é requerido por um específico tipo de processo, fornecendo uma água final com baixíssimos teores de sais dissolvidos que a osmose reversa não conseguiu prover. Essa troca de íons pode ser do tipo tradicional de leito misto, que é regenerado por produtos químicos, ou EDI (eletrodeionização), que é uma alternativa mais nova, mais econômica e mais ambientalmente amigável.”

Para os executivos da Dow Water Solutions, “no Brasil, ambas tecnologias são empregadas principalmente para uso industrial para abastecimento de caldeiras de alta pressão e torres de resfriamento. A escolha da tecnologia a ser empregada no tratamento de água de uma indústria dependerá principalmente da fonte de água disponível, da qualidade de água requerida, disponibilidade e custo da energia na região e acesso a produtos químicos”.

Letícia e Simionato avaliam que a tecnologia de osmose reversa é usualmente preferida e indicada quando a fonte de água apresenta elevado teor de sais dissolvidos na água (superior a 200ppm de total de sais dissolvidos – TDS). Para tratamento de água do mar, por exemplo, a tecnologia de osmose reversa é economicamente mais vantajosa que a troca iônica. O mesmo acontece quando o custo de energia disponível é atrativo e de fácil acesso.

A osmose reversa é uma tecnologia moderna, eficiente e revolucionária, desenvolvida há 30 anos, mas que requer apurado pré-tratamento da água de alimentação, redução da taxa de orgânicos, eliminação de cloro livre, entre outros.

É bastante comum o sistema de osmose reversa ser sucedido por leito misto de resinas de troca iônica para reduzir, principalmente, o nível de sílica, que é extremamente crítico para caldeiras de alta pressão. Este processo denomina-se polimento de osmose reversa.

A tecnologia de troca iônica é uma tecnologia robusta que foi desenvolvida há 70 anos e é indicada quando a fonte de água apresenta baixo teor de sais dissolvidos na água (inferior ou próximo a 100ppm de TDS); quando o custo de produtos químicos usados para regeneração das resinas, tais como ácido sulfúrico ou ácido clorídrico e soda cáustica, é atrativo e de fácil acesso; quando a energia disponível apresenta custo elevado; quando a água a ser tratada apresenta contaminantes específicos que precisam ser seletivamente removidos, como, por exemplo, nitrato, boro e arsênico. “A Dow desenvolveu uma linha ampla de resinas seletivas Dowex para remoção de contaminantes.”

Axthelm lembra que os sistemas de troca iônica já estão há mais tempo no mercado e por isso acabam tendo mais unidades em operação. É muito freqüente uma estação de desmineralização por osmose ser precedida de um abrandador (para remoção da dureza - Ca/Mg - que se incrustaria na membrana), e após, por sistemas de polimento também por resinas, para enquadrar a água na qualidade exigida pelo fabricante da caldeira e/ou turbina. Dessa forma, muitas unidades de osmose reversa trabalham em conjunto com sistemas de desmineralização por troca iônica.

“Membranas de osmose reversa têm a vantagem de ser um sistema modular. Dessa forma, quando se calcula uma unidade, se especifica a quantidade de módulos que terá, e pode-se pegar as mesmas da prateleira e seguir montando a unidade. Já a troca iônica deve ser dimensionada caso a caso em relação aos vasos catiônicos e aniônicos. Dessa forma, é difícil de se ter unidades já 'prontas' na prateleira.”

Para o chefe de vendas da Lanxess, pode-se utilizar para qualquer tipo de água tanto uma tecnologia quanto outra. Tudo é uma questão econômica. Águas com baixa salinidade são mais indicadas para utilizar sistemas de resinas de troca iônica. Essas unidades serão compactas (baixo custo de aquisição), utilizarão relativamente pouca resina e terão ciclos longos. Ou seja, se utilizará pouco regenerante e seu custo operacional será extremamente baixo.

Por outro lado, águas com alta salinidade (muito raramente encontradas no Brasil) terão unidades de dimensões avantajadas (grande quantidade de resina), apresentarão ciclos curtos e, portanto, um grande gasto de regenerante. Nesse sentido, o uso de membranas é mais indicado.

Axthelm explica que não existe nenhuma recomendação econômica de se tratar água do mar através de resinas de troca iônica, por exemplo. A quantidade de regenerantes utilizada seria proibitiva. Quanto à água, existe um limite técnico em que se deve utilizar uma tecnologia ou outra.

“Como já citei antes, quando se requer uma qualidade de água superior, obrigatoriamente, se terá de lançar mão de um sistema de troca iônica, mesmo que a desmineralização primária seja feita por membranas. Águas com baixa salinidade como as encontradas na maioria das vezes no Brasil são extremamente recomendadas para uso em sistemas com resinas de troca iônica.”

Inovações
Ramos aponta que existe uma ciência contínua de membranas e desenvolvimento de novas tecnologias de modo a alcançar a menor quantidade possível de efluente, melhor pureza do permeado, membranas de eletrodeionização mais eficientes e recuperações mais altas. A GE é um forte competidor nesses campos.

“A GE está procurando continuamente essas oportunidades específicas ou desafios técnicos, diferenciações tecnológicas. Desenvolvemos, por exemplo, uma solução de membrana recentemente para recuperar proteína de peixe em processo de unidades industriais que tratam peixes, enquanto melhoramos as economias do processo”, revela, concluindo: “A GE sempre foi e continuará sendo um investidor sólido em tecnologias, aplicações, apoios, desenvolvimentos de produtos e, em primeiro lugar, na qualificação das pessoas.”

Já de acordo com Axthelm, as resinas monodispersas com certeza são um marco na história das resinas. Atualmente, com avanço das exigências ambientais, estão se desenvolvendo resinas seletivas para remoção de certos elementos nocivos, como o caso do boro, arsênio, manganês e outros. A Lanxess tem uma linha completa de resinas, atuando em todos os mercados onde a sua utilização se faz presente. Atualmente desenvolve junto a alguns clientes, em mercados bastante promissores, novas utilizações de resinas. "Para muitas empresas estamos desenvolvendo resinas taylor made, ou seja, resinas ajustadas às necessidades dos clientes. A Lanxess, para desenvolvimento, é um parceiro ideal”, conclui Axthelm."

De seu lado, os técnicos da Dow defendem que “quando se busca as últimas soluções em inovação e custo operacional reduzido, o portfólio da empresa de membranas Filmtec e resinas Dowex oferece o balanço ideal em termos de qualidade, desempenho operacional, confiabilidade, e custo. Com novos produtos, tecnologias e estratégias para reduzir o custo de produção de água, os produtos Dow podem maximizar a performance da sua unidade como nunca visto anteriormente” afiançam os executivos da empresa.

Em termos globais, a Dow vê a dessalinização da água do mar como a aplicação de crescimento mais acelerada para osmose reversa. Parte dessa demanda é impulsionada pela indústria, por exemplo, como a de mineração no Chile, mas o maior norteador é, sem dúvida, a demanda por água potável. Com a explosão do crescimento populacional e um grande número de pessoas vivendo relativamente próximo aos oceanos, e com maior necessidade de acesso à água tratada, a Dow avalia a dessalinização da água do mar como uma alternativa única e economicamente viável. Preocupada com essa necessidade e comprometida em oferecer soluções tecnológicas para atender a essa demanda, sempre buscando que os sistemas de purificação de água do mar sejam mais confiáveis e apresentem o menor custo total, a Dow está desenvolvendo, por meio de seu Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento, membranas de água do mar mais produtivas, com maior fluxo e ainda maior rejeição de sais; e sistemas com configuração mais produtiva para reduzir custo de capital de investimento, como teste com sistemas híbridos que combinam várias membranas em série visando reduzir os custos com pré-tratamento e diminuir o tamanho dos equipamentos; e membranas com 16 polegadas de diâmetro, que permitirão reduzir o capital para investimento inicial no equipamento.

Uma outra novidade do mercado são as resinas de troca iônica que a Dow lançou para remoção de arsênico à base de titânio, o Adsorbsia GTO, baseado em um processo de granulação exclusivo da Dow. Ele oferece melhor desempenho e vantagens em termos de custo na remoção de arsênico em relação aos materiais tradicionais à base de óxido de ferro. O Adsorbsia pode ajudar os municípios a cumprirem com a recente regulamentação do EPA, que entrou em vigor em 23 de janeiro de 2006, exigindo que os sistemas municipais de água potável nos Estados Unidos tenham níveis de arsênico inferior a 10 partes por bilhão (ppb).

“A Dow desenvolve, a cada dia, novas resinas seletivas para remoção de contaminantes. Atualmente contamos com resinas seletivas para remoção de boro, nitrato, níquel, rádio, bário, metais pesados, iodo, fluoreto, entre outros contaminantes”, garante Letícia.

A Clariant fornece principalmente produtos químicos para o tratamento da água, com tecnologias que permitem a desinfecção e clarificação, pré-requisitos para reuso da água. “O reuso pode ter fins mais ou menos nobres. Hoje já há situações em que a água está sendo usada até para abastecer uma osmose reversa, processo que exige uma qualidade de água boa”, define Kurlbaum, acrescentando que as tecnologias de químicos oferecidas pela empresa permitem maior produtividade das membranas de osmose, com ganho de vida útil e capacidade produtiva. “Nosso principal foco hoje é utilizar a tecnologia que temos para viabilizar cada vez mais, pelo lado químico, a reutilização da água.”

Ele conta que há casos em que está sendo difundida uma tecnologia baseada no dióxido de cloro que melhora tanto a desinfecção quanto a clarificação e pode ser usada em várias aplicações. “Podemos reutilizar o efluente, como é o caso da Refinaria de Capuava, localizada em Mauá, na Grande São Paulo, que trouxe ganhos muito significativos para a Petrobras. Com essa tecnologia podemos aumentar ciclo de concentração no sistema de resfriamento, em caldeiras.”

E, saindo um pouco do foco de pré-tratamento de água, o gerente da Clariant aponta que não houve uma evolução muito grande, o que faz com que as empresas estejam no mesmo patamar. “As novidades estão ocorrendo mais na área de pré-tratamento.”

Avista Technologies
A Avista Technologies atua no segmento de separação por membranas, fornecendo produtos químicos para manter o processo estável e auxiliar nas manutenções do sistema e operando esses sistemas. Além disso, fornece produtos químicos e serviços para sistemas de membranas, como antiincrustantes, formulações para limpeza química, biocidas, coagulantes e produtos auxiliares.

Silva avalia que, “felizmente as tecnologias de membranas não param de evoluir e de sempre estaremos desenvolvendo produtos para elas. Além disso, há um grande potencial em reuso de água”, adianta.  A Avista Technologies atua no Brasil desde 1999 e experimenta crescimento constante desde então.

“Nosso plano de investimentos está sendo implementado desde 2002, nas áreas de novos laboratórios, bancadas de testes e disponibilização local de todo portfólio de produtos (atualmente mais de 50 produtos)”, conclui.

Clariant
O conhecimento de processos adquirido ao longo dos anos nos setores têxtil, de papel, mineração e petróleo, entre outros, fez com que a Clariant se enveredasse no segmento de tratamento de águas industriais há quatro anos. Hoje pode oferecer um sistema completo. “Fazemos um pacote completo, dimensionamos quanto de produto será necessário para uma desinfecção, por exemplo, que equipamento será necessário. Projetamos, dimensionamos, instalamos, colocamos para operar e depois monitoramos o equipamento.”

Apesar de recente, o negócio já apresenta bons resultados. E, de acordo com Kurlbaum, a empresa conquistou clientes de renome em diversos segmentos, oferecendo mais que matéria-prima e alta tecnologia. “A Clariant é a empresa que mais cresce no mercado em termos de market share. Isso é óbvio porque somos uma empresa nova. Mas já estamos entre os grandes do mercado, brigando pela terceira posição no Brasil. E temos investido continuamente no negócio. Para dar uma idéia, a empresa é a que mais engenheiros tem contratado no País.”

O gerente da Clariant acentua que a empresa aproveitou tanto o conhecimento dos processos industriais dos setores em que já atuava como o portfólio de produtos, que conta com tecnologias avançadas para tratamento de águas. “Portanto, nossa força de vendas se foca principalmente nesses mercados que já conhecíamos. Mas em relação ao mercado de conforto, como sistemas de ar-condicionado em shoppings, foi firmado um acordo com uma empresa parceira, a Watermeyer, visando principalmente a economia de energia. Com isso, já estamos presentes nos principais shoppings de São Paulo”, comemora.

Entre as soluções oferecidas pela empresa estão o Water Management System, um programa que controla todas as variáveis do processo, como o nível de pH da água e a quantidade dos substratos aplicados a ela. Além disso, o software oferece gráficos de evolução e outros recursos de acompanhamento, que facilitam o controle e garantem um melhor gerenciamento dos processos. Conta também com o Clariant Service Center, com suporte de profissionais de engenharia, manutenção, segurança, saúde ocupacional e meio ambiente, acompanhando o processo, se necessário, 24 horas. Além disso, a empresa oferece equipe de profissionais qualificados para a realização de palestras, cursos e visitas, que tiram as dúvidas de como manusear os produtos químicos, entender os tratamentos de água, bem como explica os relatórios e declarações de isenções. “Temos técnicos especializados acompanhando cada fase do processo e oferecemos soluções sob medida”, salienta Kurlbaum.

Dow Water Solutions
A qualidade dos produtos e soluções tecnológica oferecidas pela Dow, aliada ao imenso potencial desse segmento – resultante do aumento populacional e necessidade de maior acesso à água tratada – fez com que a Dow decidisse formar uma nova unidade de negócios, a Dow Water Solutions, voltada exclusivamente ao mercado de água, ampliando sua posição no cenário global. Para tanto, a companhia adquiriu em julho a chinesa Zhejiang Omex Environmental Engineering, incorporando, assim, três novas tecnologias de componentes a seu portfólio, empregadas em sistemas de Ultrafiltração (UF), Eletrodeionização (EDI) e Biorreator de Membrana (MBR).

Essa nova unidade de negócios está formada por marcas de classe mundial e tecnologias de componentes voltados para o avanço da ciência da dessalinização e purificação de água, remoção de contaminantes e reciclagem de água.

“Ao longo dos anos, desenvolvemos e adquirimos um portfólio seletivo de componentes complementares, cruciais para a funcionalidade dos sistemas de purificação de água. O compromisso da Dow Water Solutions é oferecer e desenvolver tecnologias para a produção de água de alta qualidade ao menor custo total. O levantamento detalhado das necessidades eminentes de cada projeto e a escolha da tecnologia a ser empregada são etapas críticas e fundamentais para o sucesso da operação e desempenho do sistema de desmineralização e devem ser realizadas por empresas com consolidado know how e experiência em processos de desmineralização de água”, afiançam os executivos da Dow.

A Dow Water Solutions se diferencia por produzir e oferecer ao mercado de desmineralização de água ambas tecnologias, membranas Filmtec e resinas de troca iônica Dowex, sempre assumindo uma posição imparcial sobre qual tecnologia é mais apropriada para cada projeto.

“A empresa oferece também aos clientes suporte em termos de projeto por meio de nossos softwares Cadix (Computer Assisted Design for Ion Exchange Systems), desenvolvido para a linha de resinas de troca iônica, e Rosa (Reverse Osmosis System Analysis), desenvolvido para a linha de membranas de osmose reversa; análise das resinas de troca iônica e membranas de osmose reversa. Além de uma linha completa de membranas Filmtec e resinas de troca iônica Dowex, recentemente incorporamos ao nosso portfólio as membranas de ultrafiltração, módulo de eletrodeionização e membranas para biorreator”, continuam.

O gerenciamento do sistema fica a cargo do usuário final ou do fabricante do equipamento, caso o usuário final decida por estabelecer contrato de operação com o Original Equipment Manufacter (OEM).

GE Water Process
A GE integrou as melhores companhias no mercado mundial de purificação de água para oferecer tecnologias mais avançadas que são associadas a um time de profissionais de classe mundial. Essa integração guiou-se através dos princípios e metodologias dos Six-Sigma em um ambiente altamente motivado e focado na total satisfação dos clientes.

A maioria dos sistemas que vende é operada pelos clientes, que são treinados e freqüentemente supervisionados por meio de pessoal qualificado da GE com o objetivo de proporcionar operação segura e econômica. Porém, a GE também pode operar e administrar sistemas quando houver um benefício mútuo maior.

“Há uma gama extensiva de tecnologias de purificação de água, orientada às necessidades dos vários mercados. Ultrafiltração está sendo extensamente aplicada em setores municipais e industriais para a produção de água potável e necessidades do efluente final. A GE recentemente vendeu o maior sistema de EDR (Eletro Diálise Reversa) do mundo para potabilização de água em Barcelona, Espanha, e também vendeu a maior dessalinização de osmose reversa na Argélia. A GE também é líder mundial em EDI (Eletrodeionização) para aplicações industriais. Nossos sistemas Móveis de Água suprem as emergências e ou necessidades de purificação de água temporárias”, conta Ramos.

Lanxess
A Lanxess é uma indústria química, não fabricando equipamentos, o que não permite atender o cliente em sua plenitude. “Temos todas as condições técnicas de auxiliá-los em termos de pré-projetos, já que disponibilizamos programas de cálculo de unidades, na orientação da escolha das resinas etc. Caso o cliente assim o deseje, também podemos indicar alguns fabricantes de equipamentos confiáveis que poderão, dentro de nossas recomendações, executar o projeto completo, inclusive no sistema 'chave na mão' ou até BOT (built / operate / transfer). A relação do cliente é mais com o fabricante de equipamentos que com a indústria química que produz a resina. Porém, não raro, estamos junto ao cliente dando apoio técnico e palestras sobre o sistema”, revela Axthelm.

Por outro lado, a Lanxess, há alguns anos, verificou que existia fragilidade em um item importante nos sistemas de desmineralização: as crepinas. “Muitas delas, extremamente frágeis e com ranhuras não padronizadas, acabavam acarretando na perda da resina, o que prejudicava a imagem da tecnologia. Por isso a Lanxess firmou uma parceria com a KSH da Alemanha e desde então representa essa fabricante de crepinas no Brasil. Essas crepinas apresentam estabilidade mecânica e dimensional excelente. Por serem fabricadas em vários materiais podem ser utilizadas em unidades de tratamento de condensado ou outros fluidos quentes. Existem crepinas plásticas apropriadas para operação a temperaturas contínuas de 135ºC. Utilizadas também em unidades de carvão ativo para reativação do elemento filtrante. Existem também alguns modelos em inox 316Ti do mesmo fabricante.”

 
 
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