A
desmineralização da água,
processo industrial que pode usar diferentes tecnologias,
como resinas de troca iônica, membrana de osmose
reversa e eletrodiálise, entre outros, vem apresentando
crescimento de mercado, embalada pelo incremento de
diversos setores, como o de papel e celulose, petroquímico,
químico, sucroalcooleiro, farmacêutico,
alimentício, geração de energia,
entre outras, que vêm realizando investimentos
em novas unidades e expansão das atuais.
Além
disso, a possível necessidade de purificação
da água do mar pela provável escassez
dessa riqueza mineral nos próximos anos é outro
elemento que deve movimentar o mercado desses processos
de purificação, tornando-os atrativos
para a instalação
de novas empresas prestadoras de serviço e fornecedoras
de produtos químicos
para o segmento.
Para
José Paulo Silva, diretor da Avista Technologies,
o mercado encontra-se em fase de transição
com a solidificação das tecnologias
de membranas (OR e UF) e um lento decréscimo
da tecnologia de resinas de troca iônica. Outras
tecnologias, como a eletrodiálise, ainda
não têm perspectivas de sucesso em curto
e médio prazos.
De acordo com ele, somente empresas focadas nas tecnologias
se manterão
no mercado. “Acabou o tempo em que tamanho e
diversificação
eram vantagens competitivas.”
Otimista,
Raul Ramos, technical marketing manager for Pure
Water Systems da GE Water Process Technologies, considera
que o mercado brasileiro de desmineralização
está crescendo a passos largos. Vários
fatores estão contribuindo
para isso, como a qualidade final da água exigida,
necessidade de reduzir os custos operacionais, custos
crescentes da água e efluente e, principalmente,
a elevação da consciência ambiental. “As
pressões
do mercado global – competitividade pela qualidade
e preços – são
forças motrizes para a busca incessante na redução
nos custos operacionais e no diferencial em seus produtos
fabricados. Na maioria de suas utilizações,
a pureza da água já repercute em poupanças
financeiras e de energia significativas, como água
para geração
de vapor, termelétricas etc., além do
fato de que a qualidade de água
em certos tipos de indústrias é fator
principal na fabricação
de seus produtos finais, incluindo fábricas
de bebidas, comidas, microchips, substâncias
químicas e etc.”, continua Ramos. “Nós
esperamos continuar vendo a mistura de companhias menores
e maiores no mercado de água. Acreditamos ser
uma tendência ainda do recente boom que
caracterizou o segmento. Estamos confiantes que haverá um
mercado forte para clientes e provedores nos próximos
anos”, antecipa, lembrando: “A
purificação de água e o mercado
de desmineralização
estão crescendo. A água está se
tornando um recurso escasso e as fontes limpas estão
sendo contaminadas. A demanda por mais água
potável e segura para consumo humano, associada
também ao crescimento
das demandas das qualidades para produtos que usam água
como um ingrediente, é forças
motriz dessa tendência mundial. Com as metas
de custos operacionais baixando, isto é um fator
incisivo que exige qualidade de água cada vez
melhor nos processos. Uma forte consciência,
leis e foco para a qualidade final do efluente também
estão fazendo um grande papel nesse processo
de crescimento.”
Considerando
que a tecnologia de desmineralização é aplicada
principalmente no ramo industrial, Letícia Jensen,
gerente de desenvolvimento de mercado, e Marcus Simionato,
gerente de contas Resinas de Troca Iônica
da Dow Water Solution, acreditam que este é um
mercado que vem crescendo nos últimos anos a
taxas elevadas, acompanhando expansões e novos
investimentos de indústrias pertencentes a segmentos
como papel e celulose, petroquímica, química,
sucroalcooleira, farmacêutica, alimentícia,
geração de energia, entre outras.
Para
eles, as oportunidades de expansão no mercado
brasileiro são
consideradas promissoras, “graças, sobretudo, à disposição
das indústrias locais em investir cada vez mais
em equipamentos de reciclo e reuso de água,
cujo objetivo é atender às normas ambientais
e evitar o desperdício. O reciclo refere-se
ao tratamento que visa recuperar a qualidade original
da água a ser reutilizada, por exemplo, na mesma
aplicação que a originou. A tendência
supostamente irrefreável
país afora para os próximos anos, no
entanto, corresponde ao reuso. Mais comum, por conta
do menor custo, o processo pressupõe a redução
dos níveis de contaminantes nos efluentes de
um sistema para, a partir daí, reutilizá-los
em torres de resfriamento, lavagem de pisos, processos
industriais, irrigação de áreas
verdes, sistemas sanitários, entre outros. O
mercado cresce globalmente e no Brasil os números
comprovam seu êxito e mostram a sua dimensão.
De 2000 a 2005, o crescimento médio anual das
vendas de membranas de osmose reversa foi da ordem
de 15%, e o de resinas de troca iônica foi de
5%”.
Já na
análise de Klaus Axthelm,
chefe de vendas ION da Lanxess, “no
segmento de resinas (produtoras de resinas), existem
empresas sérias e
menos sérias atuando no mercado. Já no
segmento de fabricação
de equipamentos, as distorções são
gritantes. Empresas que não têm experiência
nenhuma aceitam projetos de envergadura, tanto técnico
quanto de orçamento, acima de suas capacidades.
Nesses casos, são entregues equipamentos que
realmente deixam a desejar. Isso, de uma forma, também
contribui negativamente para o segmento de resinas,
que depende em muito da qualidade dos equipamentos
onde a resina é empregada”.
Para
ele, os clientes estão inclinados a fazer
uma análise de custos
somente na aquisição do sistema. “Raramente
se faz um custo de longo prazo, levando em consideração
o custo do regenerante, limpezas especiais, custo da água
de descarte etc. Este é um dos
motivos da proliferação do uso das membranas
em águas pobres
de sais, como as encontradas normalmente no Brasil,
e também da proliferação
de empresas que não têm capacidade técnica
adequada de fornecer equipamentos para atender as necessidades
dos clientes”, pondera Axthelm.
Segundo
Axthelm, o boom nas empresas de tratamento de água,
verificado há alguns anos, e o posterior movimento
de acomodação,
com operações de compra e absorção
das menores pelas maiores não ocorreu no segmento
de troca iônica: “Se estamos
falando de fabricantes de resinas, isto não
condiz com a realidade. Poucas empresas de pequeno
porte foram adquiridas pelos grandes players, como é o
caso da Sybron que foi adquirida em 2000 pela Lanxess.
O que se tem notado é que
vários fabricantes de resinas que não
dispõe de resinas
monodispersas em seu programa de fornecimento estão
perdendo seu espaço
em mercados exigentes, como o europeu. Assim, começam
a ter excedentes em seus estoques e vêm tentando
colocá-los em mercados menos exigentes,
como o nosso, que é mais voltado para preços.
Em termos de fabricantes de equipamentos, temos observado
uma invasão de pequenos fabricantes,
alguns aventureiros que não apresentam condições
técnicas
de atender seus clientes.”
Apesar
de todas essas dificuldades, o chefe de vendas da
Lanxess crê em
incremento do negócio: “É um mercado
crescente. Tanto que estamos em fase de ampliação
de nossa capacidade de produção
na unidade produtiva da Alemanha. Além dos campos
que já atendemos,
temos novas aplicações que estamos atendendo.”
Carlos
Eduardo Carneiro Kurlbaum, gerente de Tratamento de Águas
América
Latina da Clariant, lembra que as tecnologias de pré-tratamento
estão
sendo empregadas também nos efluentes, de maneira
a permitir que a água
seja reaproveitada dentro do sistema industrial. “Isso
está ocorrendo
principalmente nos grandes centros entre as empresas
de maior porte. “Isso é uma
preocupação grande, se levado em consideração
que se paga a água captada e o efluente. Ou
seja, a partir do momento que se reusa a água
dentro da indústria, reduz-se a captação
e o descarte, reduzindo ainda os problemas com os órgãos
ambientais”,
esclarece, salientando como exemplo as experiências
do mercado siderúrgico
nesse sentido. “A siderurgia é uma atividade
que sempre foi grande consumidora de água e
está cada vez mais preocupada em reutilizá-la
dentro de seus processos.”
Segundo
o gerente da Clariant, como a água está em
evidência
nos últimos anos, todo mundo quer fazer tratamento
de água: “Se
levarmos em consideração o mercado industrial,
em especial as empresa de médio e grande portes
aqui no Brasil, estamos estagnados há algum
tempo. Talvez a Clariant tenha sido o novo nome pesado
a surgir nos últimos
anos. Já em relação ao mercado
das pequenas, que atendem principalmente as indústrias
de pequeno porte e o segmento de conforto, há uma
pulverização muito grande, com abertura
e fechamento de empresas ocorrendo a todo instante.
Mas, hoje, está ficando mais difícil às
empresas que não apresentam qualidade de produtos
e serviços se
manterem no mercado. Acredito que estejam fechando
mais que abrindo.”
Por
outro lado, Kurlbaum destaca que falta regulamentação
no Brasil. “É necessário
que haja algum tipo de regulamentação,
na qual a empresa seja qualificada por um órgão
específico. Não temos uma entidade que
nos represente. Se compararmos com ouros mercados,
como o norte-americano, vemos que estamos atrasados
nesse sentido.”
Osmose x resina
As duas principais tecnologias empregadas em desmineralização
continuam disputando espaço, não só com
base nas diferenças da composição
da água a ser tratada, mas também pelo
relação custo-benefício. Axthelm
avalia que “esse é um mercado claramente
indicado para uso de sistemas à base de resinas
de troca iônica, por razões técnico-comerciais,
que, por marketing extremamente agressivo, está migrando
para sistemas por membranas”.
Corroborando
a opinião de Axthelm, Kurlbaum
avalia que no mercado de purificação
de água percebe-se um crescimento mais acelerado
da osmose reversa, por uma questão de redução
de custo das membranas e maior domínio da tecnologia
e dos equipamentos. Até o fato de já existirem
várias empresas locais, no Brasil e na América
Latina, que constroem o equipamento e trazem membranas,
mostra que a difusão dessa tecnologia está bem
maior. “No que diz respeito ao mercado, vemos
um contínuo incremento da reutilização
de água e isso vai levar à necessidade
cada vez maior de processos físico-químicos
de separação, como a osmose e a troca
de íons.
Para
Silva, entre as opções
de desmineralização,
a osmose reversa é, sem dúvida, a mais
utilizada, por ser um processo mais moderno, mais flexível
e em constante desenvolvimento. “A tecnologia
de membranas de ultrafiltração já é uma
realidade e colabora diretamente no sucesso de aplicações
em conjunto com membranas de osmose reversa. A redução
dos custos seria muito mais em função
do reaproveitamento (reuso) das águas de processo.”
Ramos
avalia que o mercado mundial de membranas de osmose
reversa mantém-se com um forte crescimento
a cada ano, devido ao seu mais baixo custo operacional,
simplicidade da operação e amizade ambiental. “A
osmose reversa está se tornando a melhor opção
de desmineralização para ser usada em
todos os mercados industriais. A resina de troca de íons é usada
junto com sistemas de membranas quando essa combinação
apresentar a melhor solução técnica
específica no processo.”
O
gerente técnico
da GE pondera que as tecnologias de membranas são
mais variadas e oferecem vantagens únicas,
quando tratando águas superficiais contaminadas
ou reusando efluentes. “A ultrafiltração
oferece alternativas mais seguras como parte de uma
solução de tratamento de água.
Osmose reversa é a alternativa mais econômica
e segura para tratar água salgada transformando-a
em água potável ou no uso industrial.
A nanofiltração provê muito freqüentemente
a qualidade requerida por fabricantes de bebidas com
a proteção microbiológica adicional
(barreira absoluta). Já a troca de íons é uma
tecnologia excelente para polir o permeado da osmose
reversa, quando isso é requerido por um específico
tipo de processo, fornecendo uma água final
com baixíssimos teores de sais dissolvidos que
a osmose reversa não conseguiu prover. Essa
troca de íons pode ser do tipo tradicional de
leito misto, que é regenerado por produtos químicos,
ou EDI (eletrodeionização), que é uma
alternativa mais nova, mais econômica e mais
ambientalmente amigável.”
Para
os executivos da Dow Water Solutions, “no
Brasil, ambas tecnologias são empregadas principalmente
para uso industrial para abastecimento de caldeiras
de alta pressão e torres de resfriamento. A
escolha da tecnologia a ser empregada no tratamento
de água de uma indústria dependerá principalmente
da fonte de água disponível, da qualidade
de água requerida, disponibilidade e custo da
energia na região e acesso a produtos químicos”.
Letícia
e Simionato avaliam que a tecnologia de osmose reversa é usualmente
preferida e indicada quando a fonte de água
apresenta elevado teor de sais dissolvidos na água
(superior a 200ppm de total de sais dissolvidos – TDS).
Para tratamento de água do mar, por exemplo,
a tecnologia de osmose reversa é economicamente
mais vantajosa que a troca iônica. O mesmo acontece
quando o custo de energia disponível é atrativo
e de fácil acesso.
A
osmose reversa é uma
tecnologia moderna, eficiente e revolucionária,
desenvolvida há 30
anos, mas que requer apurado pré-tratamento
da água de alimentação, redução
da taxa de orgânicos, eliminação
de cloro livre, entre outros.
É bastante
comum o sistema de osmose reversa ser sucedido por
leito misto de resinas de troca iônica para
reduzir, principalmente, o nível
de sílica, que é extremamente crítico
para caldeiras de alta pressão. Este processo
denomina-se polimento de osmose reversa.
A
tecnologia de troca iônica é uma tecnologia
robusta que foi desenvolvida há 70 anos e é indicada
quando a fonte de água apresenta baixo teor
de sais dissolvidos na água (inferior ou próximo
a 100ppm de TDS); quando o custo de produtos químicos
usados para regeneração das resinas,
tais como ácido sulfúrico ou ácido
clorídrico e soda cáustica, é atrativo
e de fácil acesso; quando a energia disponível
apresenta custo elevado; quando a água a ser
tratada apresenta contaminantes específicos
que precisam ser seletivamente removidos, como, por
exemplo, nitrato, boro e arsênico. “A Dow
desenvolveu uma linha ampla de resinas seletivas Dowex
para remoção de contaminantes.”
Axthelm
lembra que os sistemas de troca iônica
já estão há mais tempo no mercado
e por isso acabam tendo mais unidades em operação. É muito
freqüente uma estação de desmineralização
por osmose ser precedida de um abrandador (para remoção
da dureza - Ca/Mg - que se incrustaria na membrana),
e após, por sistemas de polimento também
por resinas, para enquadrar a água na qualidade
exigida pelo fabricante da caldeira e/ou turbina. Dessa
forma, muitas unidades de osmose reversa trabalham
em conjunto com sistemas de desmineralização
por troca iônica.
“Membranas
de osmose reversa têm a vantagem de ser um
sistema modular. Dessa forma, quando se calcula uma
unidade, se especifica a quantidade de módulos
que terá, e pode-se pegar as mesmas da prateleira
e seguir montando a unidade. Já a troca iônica
deve ser dimensionada caso a caso em relação
aos vasos catiônicos e aniônicos. Dessa
forma, é difícil de se ter unidades já 'prontas'
na prateleira.”
Para
o chefe de vendas da Lanxess, pode-se utilizar para
qualquer tipo de água
tanto uma tecnologia quanto outra. Tudo é uma
questão econômica. Águas
com baixa salinidade são mais indicadas para
utilizar sistemas de resinas de troca iônica.
Essas unidades serão compactas (baixo custo
de aquisição), utilizarão relativamente
pouca resina e terão ciclos longos. Ou seja,
se utilizará pouco regenerante e seu custo operacional
será extremamente baixo.
Por
outro lado, águas
com alta salinidade (muito raramente encontradas no
Brasil) terão unidades
de dimensões avantajadas (grande quantidade
de resina), apresentarão ciclos curtos e, portanto,
um grande gasto de regenerante. Nesse sentido, o uso
de membranas é mais indicado.
Axthelm
explica que não existe nenhuma recomendação
econômica de se tratar água do mar através
de resinas de troca iônica, por exemplo. A quantidade
de regenerantes utilizada seria proibitiva. Quanto à água,
existe um limite técnico em que se deve utilizar
uma tecnologia ou outra.
“Como já citei
antes, quando se requer uma qualidade de água
superior, obrigatoriamente, se terá de lançar
mão de um
sistema de troca iônica, mesmo que a desmineralização
primária
seja feita por membranas. Águas com baixa salinidade
como as encontradas na maioria das vezes no Brasil
são extremamente recomendadas para uso
em sistemas com resinas de troca iônica.”
Inovações
Ramos aponta que existe uma ciência contínua
de membranas e desenvolvimento de novas tecnologias
de modo a alcançar a menor quantidade possível
de efluente, melhor pureza do permeado, membranas de
eletrodeionização mais eficientes e recuperações
mais altas. A GE é um forte competidor nesses
campos.
“A
GE está procurando continuamente essas oportunidades
específicas
ou desafios técnicos, diferenciações
tecnológicas.
Desenvolvemos, por exemplo, uma solução
de membrana recentemente para recuperar proteína
de peixe em processo de unidades industriais que tratam
peixes, enquanto melhoramos as economias do processo”,
revela, concluindo: “A GE sempre foi e continuará sendo
um investidor sólido em tecnologias, aplicações,
apoios, desenvolvimentos de produtos e, em primeiro
lugar, na qualificação das pessoas.”
Já de
acordo com Axthelm, as resinas monodispersas com certeza
são um marco na história
das resinas. Atualmente, com avanço das exigências
ambientais, estão se desenvolvendo resinas seletivas
para remoção de certos elementos nocivos,
como o caso do boro, arsênio, manganês
e outros. A Lanxess tem uma linha completa de resinas,
atuando em todos os mercados onde a sua utilização
se faz presente. Atualmente desenvolve junto a alguns
clientes, em mercados bastante promissores, novas utilizações
de resinas. "Para muitas empresas estamos desenvolvendo
resinas taylor made, ou seja, resinas ajustadas às
necessidades dos clientes. A Lanxess, para desenvolvimento, é um
parceiro ideal”, conclui Axthelm."
De
seu lado, os técnicos da Dow defendem que “quando
se busca as últimas soluções em
inovação e custo operacional reduzido,
o portfólio da empresa de membranas Filmtec
e resinas Dowex oferece o balanço ideal em termos
de qualidade, desempenho operacional, confiabilidade,
e custo. Com novos produtos, tecnologias e estratégias
para reduzir o custo de produção de água,
os produtos Dow podem maximizar a performance da sua
unidade como nunca visto anteriormente” afiançam
os executivos da empresa.
Em
termos globais, a Dow vê a
dessalinização
da água do mar como a aplicação
de crescimento mais acelerada para osmose reversa.
Parte dessa demanda é impulsionada pela indústria,
por exemplo, como a de mineração no Chile,
mas o maior norteador é, sem dúvida,
a demanda por água potável. Com a explosão
do crescimento populacional e um grande número
de pessoas vivendo relativamente próximo aos
oceanos, e com maior necessidade de acesso à água
tratada, a Dow avalia a dessalinização
da água do mar como uma alternativa única
e economicamente viável. Preocupada com essa
necessidade e comprometida em oferecer soluções
tecnológicas para atender a essa demanda, sempre
buscando que os sistemas de purificação
de água do mar sejam mais confiáveis
e apresentem o menor custo total, a Dow está desenvolvendo,
por meio de seu Departamento de Pesquisa & Desenvolvimento,
membranas de água do mar mais produtivas, com
maior fluxo e ainda maior rejeição de
sais; e sistemas com configuração mais
produtiva para reduzir custo de capital de investimento,
como teste com sistemas híbridos que combinam
várias membranas em série visando reduzir
os custos com pré-tratamento e diminuir o tamanho
dos equipamentos; e membranas com 16 polegadas de diâmetro,
que permitirão reduzir o capital para investimento
inicial no equipamento.
Uma
outra novidade do mercado são as resinas
de troca iônica que a Dow lançou para
remoção de arsênico à base
de titânio, o Adsorbsia GTO, baseado em um processo
de granulação exclusivo da Dow. Ele oferece
melhor desempenho e vantagens em termos de custo na
remoção de arsênico em relação
aos materiais tradicionais à base de óxido
de ferro. O Adsorbsia pode ajudar os municípios
a cumprirem com a recente regulamentação
do EPA, que entrou em vigor em 23 de janeiro de 2006,
exigindo que os sistemas municipais de água
potável nos Estados Unidos tenham níveis
de arsênico inferior a 10 partes por bilhão
(ppb).
“A
Dow desenvolve, a cada dia, novas resinas seletivas
para remoção
de contaminantes. Atualmente contamos com resinas seletivas
para remoção
de boro, nitrato, níquel, rádio, bário,
metais pesados, iodo, fluoreto, entre outros contaminantes”,
garante Letícia.
A
Clariant fornece principalmente produtos químicos
para o tratamento da água, com tecnologias que
permitem a desinfecção e clarificação,
pré-requisitos para reuso da água. “O
reuso pode ter fins mais ou menos nobres. Hoje já há situações
em que a água está sendo usada até para
abastecer uma osmose reversa, processo que exige uma
qualidade de água boa”, define Kurlbaum,
acrescentando que as tecnologias de químicos
oferecidas pela empresa permitem maior produtividade
das membranas de osmose, com ganho de vida útil
e capacidade produtiva. “Nosso principal foco
hoje é utilizar a tecnologia que temos para
viabilizar cada vez mais, pelo lado químico,
a reutilização da água.”
Ele
conta que há casos em que está sendo
difundida uma tecnologia baseada no dióxido
de cloro que melhora tanto a desinfecção
quanto a clarificação e pode ser usada
em várias aplicações. “Podemos
reutilizar o efluente, como é o caso da Refinaria
de Capuava, localizada em Mauá, na Grande São
Paulo, que trouxe ganhos muito significativos para
a Petrobras. Com essa tecnologia podemos aumentar ciclo
de concentração no sistema de resfriamento,
em caldeiras.”
E,
saindo um pouco do foco de pré-tratamento
de água, o gerente da Clariant aponta que não
houve uma evolução muito grande, o que
faz com que as empresas estejam no mesmo patamar. “As
novidades estão ocorrendo mais na área
de pré-tratamento.”
Avista Technologies
A Avista Technologies atua no segmento de separação
por membranas, fornecendo produtos químicos
para manter o processo estável e auxiliar nas
manutenções do sistema e operando esses
sistemas. Além disso, fornece produtos químicos
e serviços para sistemas de membranas, como
antiincrustantes, formulações para limpeza
química, biocidas, coagulantes e produtos auxiliares.
Silva
avalia que, “felizmente as tecnologias
de membranas não param de evoluir e de sempre
estaremos desenvolvendo produtos para elas. Além
disso, há um grande potencial em reuso de água”,
adianta. A Avista Technologies atua no Brasil
desde 1999 e experimenta crescimento constante desde
então.
“Nosso plano de investimentos está sendo
implementado desde 2002, nas áreas de novos
laboratórios, bancadas de testes e disponibilização
local de todo portfólio de produtos (atualmente
mais de 50 produtos)”,
conclui.
Clariant
O conhecimento de processos adquirido ao longo dos
anos nos setores têxtil, de papel, mineração
e petróleo, entre outros, fez com que a Clariant
se enveredasse no segmento de tratamento de águas
industriais há quatro anos. Hoje pode oferecer
um sistema completo. “Fazemos um pacote completo,
dimensionamos quanto de produto será necessário
para uma desinfecção, por exemplo,
que equipamento será necessário. Projetamos,
dimensionamos, instalamos, colocamos para operar
e depois monitoramos o equipamento.”
Apesar
de recente, o negócio já apresenta
bons resultados. E, de acordo com Kurlbaum, a empresa
conquistou clientes de renome em diversos segmentos,
oferecendo mais que matéria-prima e alta tecnologia. “A
Clariant é a empresa que mais cresce no mercado
em termos de market share. Isso é óbvio
porque somos uma empresa nova. Mas já estamos
entre os grandes do mercado, brigando pela terceira
posição no Brasil. E temos investido
continuamente no negócio. Para dar uma idéia,
a empresa é a que mais engenheiros tem contratado
no País.”
O
gerente da Clariant acentua que a empresa aproveitou
tanto o conhecimento dos processos industriais dos
setores em que já atuava como
o portfólio
de produtos, que conta com tecnologias avançadas
para tratamento de águas. “Portanto, nossa
força de vendas se foca principalmente nesses
mercados que já conhecíamos. Mas em relação
ao mercado de conforto, como sistemas de ar-condicionado
em shoppings, foi firmado um acordo com uma empresa
parceira, a Watermeyer, visando principalmente a economia
de energia. Com isso, já estamos presentes nos
principais shoppings de São Paulo”, comemora.
Entre
as soluções oferecidas pela empresa
estão o Water Management System, um programa
que controla todas as variáveis do processo,
como o nível de pH da água e a quantidade
dos substratos aplicados a ela. Além disso,
o software oferece gráficos de evolução
e outros recursos de acompanhamento, que facilitam
o controle e garantem um melhor gerenciamento dos processos.
Conta também com o Clariant Service Center,
com suporte de profissionais de engenharia, manutenção,
segurança, saúde ocupacional e meio ambiente,
acompanhando o processo, se necessário, 24 horas.
Além disso, a empresa oferece equipe de profissionais
qualificados para a realização de palestras,
cursos e visitas, que tiram as dúvidas de como
manusear os produtos químicos, entender os tratamentos
de água, bem como explica os relatórios
e declarações de isenções. “Temos
técnicos especializados acompanhando cada fase
do processo e oferecemos soluções sob
medida”, salienta Kurlbaum.
Dow Water Solutions
A qualidade dos produtos e soluções tecnológica
oferecidas pela Dow, aliada ao imenso potencial desse
segmento – resultante do aumento populacional
e necessidade de maior acesso à água
tratada – fez com que a Dow decidisse formar
uma nova unidade de negócios, a Dow Water Solutions,
voltada exclusivamente ao mercado de água, ampliando
sua posição no cenário global.
Para tanto, a companhia adquiriu em julho a chinesa
Zhejiang Omex Environmental Engineering, incorporando,
assim, três novas tecnologias de componentes
a seu portfólio, empregadas em sistemas de Ultrafiltração
(UF), Eletrodeionização (EDI) e Biorreator
de Membrana (MBR).
Essa
nova unidade de negócios
está formada
por marcas de classe mundial e tecnologias de componentes
voltados para o avanço da ciência da dessalinização
e purificação de água, remoção
de contaminantes e reciclagem de água.
“Ao
longo dos anos, desenvolvemos e adquirimos um portfólio
seletivo de componentes complementares, cruciais
para a funcionalidade dos sistemas de purificação
de água. O compromisso da Dow Water Solutions é oferecer
e desenvolver tecnologias para a produção
de água de alta
qualidade ao menor custo total. O levantamento detalhado
das necessidades eminentes de cada projeto e a escolha
da tecnologia a ser empregada são etapas
críticas e fundamentais para o sucesso da operação
e desempenho do sistema de desmineralização
e devem ser realizadas por empresas com consolidado
know how e experiência em processos de desmineralização
de água”, afiançam os executivos
da Dow.
A
Dow Water Solutions se diferencia por produzir e
oferecer ao mercado de desmineralização
de água ambas tecnologias, membranas Filmtec
e resinas de troca iônica Dowex, sempre assumindo
uma posição imparcial sobre qual tecnologia é mais
apropriada para cada projeto.
“A
empresa oferece também aos clientes suporte
em termos de projeto por meio de nossos softwares
Cadix (Computer Assisted Design for Ion Exchange
Systems), desenvolvido para a linha de resinas de
troca iônica, e Rosa
(Reverse Osmosis System Analysis), desenvolvido para
a linha de membranas de osmose reversa; análise
das resinas de troca iônica e membranas
de osmose reversa. Além de uma linha completa
de membranas Filmtec e resinas de troca iônica
Dowex, recentemente incorporamos ao nosso portfólio
as membranas de ultrafiltração, módulo
de eletrodeionização
e membranas para biorreator”, continuam.
O
gerenciamento do sistema fica a cargo do usuário
final ou do fabricante do equipamento, caso o usuário
final decida por estabelecer contrato de operação
com o Original Equipment Manufacter (OEM).
GE Water Process
A GE integrou as melhores companhias no mercado mundial
de purificação de água para
oferecer tecnologias mais avançadas que são
associadas a um time de profissionais de classe mundial.
Essa integração guiou-se através
dos princípios e metodologias dos Six-Sigma
em um ambiente altamente motivado e focado na total
satisfação dos clientes.
A
maioria dos sistemas que vende é operada pelos
clientes, que são treinados e freqüentemente
supervisionados por meio de pessoal qualificado da
GE com o objetivo de proporcionar operação
segura e econômica. Porém, a GE também
pode operar e administrar sistemas quando houver um
benefício mútuo maior.
“Há uma
gama extensiva de tecnologias de purificação
de água, orientada às necessidades dos
vários mercados.
Ultrafiltração está sendo extensamente
aplicada em setores municipais e industriais para a
produção de água potável
e necessidades do efluente final. A GE recentemente
vendeu o maior sistema de EDR (Eletro Diálise
Reversa) do mundo para potabilização
de água em Barcelona, Espanha, e também
vendeu a maior dessalinização
de osmose reversa na Argélia. A GE também é líder
mundial em EDI (Eletrodeionização) para
aplicações
industriais. Nossos sistemas Móveis de Água
suprem as emergências
e ou necessidades de purificação de água
temporárias”,
conta Ramos.
Lanxess
A Lanxess é uma indústria química,
não fabricando equipamentos, o que não
permite atender o cliente em sua plenitude. “Temos
todas as condições técnicas de
auxiliá-los em termos de pré-projetos,
já que disponibilizamos programas de cálculo
de unidades, na orientação da escolha
das resinas etc. Caso o cliente assim o deseje, também
podemos indicar alguns fabricantes de equipamentos
confiáveis que poderão, dentro de nossas
recomendações, executar o projeto completo,
inclusive no sistema 'chave na mão' ou até BOT
(built / operate / transfer). A relação
do cliente é mais com o fabricante de equipamentos
que com a indústria química que produz
a resina. Porém, não raro, estamos junto
ao cliente dando apoio técnico e palestras sobre
o sistema”, revela Axthelm.
Por
outro lado, a Lanxess, há alguns anos, verificou
que existia fragilidade em um item importante nos sistemas
de desmineralização: as crepinas. “Muitas
delas, extremamente frágeis e com ranhuras não
padronizadas, acabavam acarretando na perda da resina,
o que prejudicava a imagem da tecnologia. Por isso
a Lanxess firmou uma parceria com a KSH da Alemanha
e desde então representa essa fabricante de
crepinas no Brasil. Essas crepinas apresentam estabilidade
mecânica e dimensional excelente. Por serem fabricadas
em vários materiais podem ser utilizadas em
unidades de tratamento de condensado ou outros fluidos
quentes. Existem crepinas plásticas apropriadas
para operação a temperaturas contínuas
de 135ºC. Utilizadas também em unidades
de carvão ativo para reativação
do elemento filtrante. Existem também alguns
modelos em inox 316Ti do mesmo fabricante.”
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