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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Dióxido de cloro cativa a área de saneamento?
 

Sim, se levado em consideração sua principal vantagem, seu alto poder de desinfecção e oxidação, que garante o controle de algas, bactérias, ferro, manganês e fenol, entre outros contaminantes.

 
Renata Bernardis
 

Fornecer água que não represente riscos à saúde é um grande desafio para o saneamento que, ao objetivar a eficácia, deve se comprometer com a nocividade.

Entre as opções de desinfetantes, utilizadas para combater o crescimento de agentes microbiológicos na água, estão o gás cloro, o hipoclorito de sódio e o dióxido de cloro, cuja aceitação tem crescido ao longo dos últimos anos.

A principal vantagem do dióxido de cloro está no seu alto poder de desinfecção / oxidação, que garante o controle de algas, bactérias, ferro, manganês e fenol, entre outros contaminantes. Também se diferencia positivamente dos demais desinfetantes por agir de forma estável, independente do valor de pH, o que não demanda, portanto, a necessidade de correção deste por meio do uso de produtos diversos. Por não reagir com a água, o dióxido de cloro permanece como um gás dissolvido, enquanto o cloro gás e o hipoclorito de sódio formam o ácido hipocloroso, que apesar de ser um agente de desinfecção pode ser dissociado em íon hipoclorito, em virtude do pH (não desinfetante) e, ainda, reagir com compostos orgânicos, amônia e fenol, formando subprodutos indesejáveis, como organoclorados em geral, clorofenóis, trialometanos ou as cloroaminas, além de também gerar odor e variação de cor.

A ProMinent na Alemanha iniciou sua produção de plantas de dióxido de cloro há mais de 30 anos e, por todas essas características, Gilmar Avelino Pires, diretor da ProMinent Brasil, vê no químico um grande potencial de crescimento, principalmente em um País como o Brasil, onde o consumo de água potável é muito grande.

As apostas no mercado nacional de água potável são tão promissoras que a ProMinent decidiu, segundo seu diretor para a América Latina, Peter Ziegler, focar seus negócios no segmento. “Iniciamos nossos negócios no Brasil há 12 anos e as expectativas de crescimento são cada vez melhores”, diz ao comentar que a empresa, que possui hoje perto de cem equipamentos em funcionamento no País deve, ainda este ano, promover a instalação de outras 12 unidades apenas no saneamento.

Algumas empresas de saneamento já adquiriram a tecnologia da companhia alemã, em razão da maior segurança e confiabilidade que o dióxido de cloro é capaz de garantir. A ProMinent disponibiliza para o mercado duas tecnologias distintas – a partir da reação do clorito de sódio com ácido clorídrico ou por meio de uma solução de clorato de sódio e peróxido de hidrogênio com ácido sulfúrico.

A qualidade da água potável fornecida por algumas empresas de saneamento é garantida pelos sistemas de dióxido de cloro por meio da tecnologia SVP-Pure Purate, da Eka Chemicals e da licenciada ProMinent, que produz geradores SVP-Pure, que utilizam o reagente Purate, da Eka Chemicals.

Emprego crescente é conseqüência
Segundo o gerente de vendas e marketing da Eka Chemicals Inc. USA , Gunther Zaremba, esta tecnologia patenteada garante um custo de geração de dióxido de cloro de até 30% mais baixo que os apresentados pelas concorrentes. “Em meio a tantas vantagens, o emprego crescente do dióxido de cloro é conseqüência. Vários países da Europa, América do Sul, América do Norte e Ásia já utilizam o produto em setores como o de branqueamento de celulose, tratamento de água potável e industrial e para o controle de depósitos em sistemas de máquinas de papel. E, aqueles que ainda não avaliaram todas as vantagens é uma questão de tempo”, relata o gerente da Eka. A empresa licenciou, em 2001, a ProMinent para desenvolver seus geradores no Brasil e, em 2006, estendeu a licença para a Europa, Ásia e América Latina.

O gerador SVP-Pure, que dispõe de um sistema de bombas dosadoras de alta precisão e reator tubular, opera sob vácuo e é controlado via PLC, podendo ser automatizado conforme solicitação do usuário. A tecnologia SVP Pure Purate patenteada pela Eka Chemicals gera dióxido de cloro com eficiência superior a 95%, sendo o Purate (solução de clorato de sódio e peróxido de hidrogênio) convertido a dióxido de cloro por meio da reação não estequiométrica com ácido sulfúrico.

Comparação imprópria
Contudo, apesar do cenário favorável, os defensores do tradicional gás cloro insistem em garantir que o investimento no oxidante demora muito tempo para se pagar, ou seja, acusam o preço como o principal obstáculo para o desenvolvimento da tecnologia. Diante disso, Gilmar Pires se adianta e ressalta que a comparação entre os dois químicos é imprópria (cloro x dióxido de cloro). “Comparar preços demanda uma avaliação mais abrangente e detalhada, pois pelo fato de o dióxido de cloro ser um oxidante/desinfetante mais eficiente, o mesmo demanda reduzidas dosagens de químicos e, gera assim, benefícios indiretos que incluem até melhor controle de corrosão nos equipamentos”, diz.

Para termos uma idéia de como uma avaliação baseada apenas nos preços dos produtos químicos pode ser superficial e errônea, podemos, por exemplo, citar o fato de que, apesar de diversas cidades do interior do Estado de São Paulo termos registros do preço de venda do gás cloro por volta de R$ 5,00 a R$ 6,00 o quilo  e o dióxido de cloro, dependendo da demanda e da localidade do cliente, ser comercializado entre R$ 18,00 e R$ 35,00 o quilo, ainda assim é comprovado que, na prática, na maioria das aplicações, temos uma redução muito maior de custo do tratamento que a diferença aparentemente grande entre os preços de gás cloro e de dióxido de cloro. Podemos afirmar, portanto, que o que devemos comparar em relação a custo, para não cometermos erros e terminarmos aplicando a tecnologia errada (gás cloro) é o custo do metro cúbico de água tratada”, conclui Pires.
 
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