Fornecer água
que não represente riscos à saúde é um
grande desafio para o saneamento que, ao objetivar
a eficácia, deve se comprometer com a nocividade.
Entre
as opções de desinfetantes, utilizadas
para combater o crescimento de agentes microbiológicos
na água, estão o gás cloro,
o hipoclorito de sódio e o dióxido de
cloro, cuja aceitação
tem crescido ao longo dos últimos anos.
A
principal vantagem do dióxido de cloro está no
seu alto poder de desinfecção / oxidação,
que garante o controle de algas, bactérias,
ferro, manganês e fenol, entre outros contaminantes.
Também se diferencia positivamente dos demais
desinfetantes por agir de forma estável, independente
do valor de pH, o que não demanda,
portanto, a necessidade de correção deste
por meio do uso de produtos diversos. Por não
reagir com a água, o dióxido de cloro
permanece como um gás dissolvido, enquanto o
cloro gás e o hipoclorito
de sódio formam o ácido hipocloroso,
que apesar de ser um agente de desinfecção
pode ser dissociado em íon hipoclorito, em
virtude do pH (não desinfetante) e, ainda, reagir
com compostos orgânicos,
amônia e fenol, formando subprodutos indesejáveis,
como organoclorados em geral, clorofenóis, trialometanos
ou as cloroaminas, além de
também gerar odor e variação de
cor.
A
ProMinent na Alemanha iniciou sua produção
de plantas de dióxido
de cloro há mais de 30 anos e, por todas essas
características,
Gilmar Avelino Pires, diretor da ProMinent Brasil,
vê no químico
um grande potencial de crescimento, principalmente
em um País como o Brasil,
onde o consumo de água potável é muito
grande.
As
apostas no mercado nacional de água
potável são tão
promissoras que a ProMinent decidiu, segundo seu diretor
para a América
Latina, Peter Ziegler, focar seus negócios no
segmento. “Iniciamos
nossos negócios no Brasil há 12 anos
e as expectativas de crescimento são cada vez
melhores”, diz ao comentar que a empresa, que
possui hoje perto de cem equipamentos em funcionamento
no País deve, ainda este
ano, promover a instalação de outras
12 unidades apenas no saneamento.
Algumas
empresas de saneamento já adquiriram a tecnologia
da companhia alemã, em razão da maior
segurança
e confiabilidade que o dióxido de cloro é capaz
de garantir. A ProMinent disponibiliza para o mercado
duas tecnologias distintas – a partir da reação
do clorito de sódio com ácido clorídrico
ou por meio de uma solução de clorato
de sódio e peróxido de hidrogênio
com ácido sulfúrico.
A
qualidade da água
potável fornecida
por algumas empresas de saneamento é garantida
pelos sistemas de dióxido de cloro por meio
da tecnologia SVP-Pure Purate, da Eka Chemicals e da
licenciada ProMinent, que produz geradores SVP-Pure,
que utilizam o reagente Purate, da Eka Chemicals.
Emprego
crescente é conseqüência
Segundo o gerente de vendas e marketing da Eka Chemicals
Inc. USA , Gunther Zaremba, esta tecnologia patenteada
garante um custo de geração de dióxido
de cloro de até 30% mais baixo que os apresentados
pelas concorrentes. “Em meio a tantas vantagens,
o emprego crescente do dióxido de cloro é conseqüência.
Vários países da Europa, América
do Sul, América do Norte e Ásia já utilizam
o produto em setores como o de branqueamento de celulose,
tratamento de água potável e industrial
e para o controle de depósitos em sistemas
de máquinas de papel. E, aqueles que ainda
não avaliaram todas as vantagens é uma
questão de tempo”, relata o gerente
da Eka. A empresa licenciou, em 2001, a ProMinent
para desenvolver seus geradores no Brasil e, em 2006,
estendeu a licença para a Europa, Ásia
e América Latina.
O
gerador SVP-Pure, que dispõe
de um sistema de bombas dosadoras de alta precisão
e reator tubular, opera sob vácuo e é controlado
via PLC, podendo ser automatizado conforme solicitação
do usuário. A tecnologia SVP Pure Purate patenteada
pela Eka Chemicals gera dióxido de cloro com
eficiência superior a 95%, sendo o Purate (solução
de clorato de sódio e peróxido de hidrogênio)
convertido a dióxido de cloro por meio da reação
não estequiométrica com ácido
sulfúrico.
Comparação imprópria
Contudo, apesar do cenário favorável,
os defensores do tradicional gás cloro insistem
em garantir que o investimento no oxidante demora muito
tempo para se pagar, ou seja, acusam o preço
como o principal obstáculo para o desenvolvimento
da tecnologia. Diante disso, Gilmar Pires se adianta
e ressalta que a comparação entre os
dois químicos é imprópria (cloro
x dióxido de cloro). “Comparar preços
demanda uma avaliação mais abrangente
e detalhada, pois pelo fato de o dióxido de
cloro ser um oxidante/desinfetante mais eficiente,
o mesmo demanda reduzidas dosagens de químicos
e, gera assim, benefícios indiretos que incluem
até melhor controle de corrosão nos equipamentos”,
diz.
Para
termos uma idéia de como uma avaliação
baseada apenas nos preços dos produtos químicos
pode ser superficial e errônea, podemos, por exemplo,
citar o fato de que, apesar de diversas cidades do interior
do Estado de São Paulo termos registros do preço
de venda do gás cloro por volta de R$ 5,00 a R$
6,00 o quilo e o dióxido de cloro, dependendo
da demanda e da localidade do cliente, ser comercializado
entre R$ 18,00 e R$ 35,00 o quilo, ainda assim é comprovado
que, na prática, na maioria das aplicações,
temos uma redução muito maior de custo
do tratamento que a diferença aparentemente grande
entre os preços de gás cloro e de dióxido
de cloro. Podemos afirmar, portanto, que o que devemos
comparar em relação a custo, para não
cometermos erros e terminarmos aplicando a tecnologia
errada (gás cloro) é o custo do metro cúbico
de água tratada”, conclui Pires. |