Embora
mais complexo, o desenvolvimento sustentável
pode ser conceituado como aquele que atende às
necessidades momentâneas, mas não compromete
a possibilidade de as gerações futuras
terem suas demandas acolhidas.
Em
outras palavras, depõe
contra o sucesso que vislumbra benefícios imediatos
por meio da exaustão
de recursos naturais e prima por aquele que emprega
ações
responsáveis que não demandam a recuperação
do ambiente, certamente mais onerosa à população,
seja o custo apresentado na forma de impostos, produtos
mais caros ou pela perda de qualidade de vida.
Por
isso, eliminar ou minimizar as despesas do amanhã é uma
demanda do hoje. Um projeto que não considere
eventuais riscos de contaminação do ar,
da água ou do solo, mesmo que elaborado com
o intuito de garantir empregos à população
de hoje, pode ser o responsável pela eliminação
das atividades econômicas do futuro. Afinal,
uma indústria contratante que prejudica ou elimina
a pesca em um rio, em função da falta
de tratamento de resíduos pode deixar, em longo
prazo, vários pescadores sem trabalho. Portanto,
a contabilização
dos custos ambientais é fundamental para que
os índices
de rentabilidade de um projeto não sejam invalidados.
Em
indústrias consideradas mais perigosas, como
as petroquímicas, o nível de atenção
e cuidados deve ser maior. Contudo, João Ruy
Dornelles Freire, assessor de comunicação
e marketing da Copesul ameniza este tipo de consideração
por meio de uma analogia entre perigo e risco. “Uma
garrafa de ácido, sem dúvida, representa
perigo, mas se colocada em uma sala fechada, o risco é baixo.
Já em outra, repleta de crianças, o risco é alto.
Por isso, tudo depende da gestão que se der à situação”.
Freire vai mais além para explicar que a fabricação
de produtos químicos só representa riscos
quando os cuidados da indústria não são
condizentes com a necessidade. Para ele, a relação
indústria petroquímica e desenvolvimento
sustentável é convergente. “O potencial
de danos ao ambiente é grande assim como a tecnologia
capaz de preservá-lo”, retrata o assessor,
que vê na atuação das indústrias
uma preocupação em ascensão até pelo
fato de que um acidente ambiental pode provocar a extinção
de uma marca. “Tentamos sempre nos antecipar às
leis”, comenta, ao relatar que a Copesul, há aproximadamente
oito anos, realizou mudanças que envolveram o
transporte de cargas líquidas. Isso porque durante
o carregamento, feito pela parte superior, acontecia
a emissão de hidrocarbonetos, que são orgânicos
voláteis. A empresa adotou, então, nova
frota com carregamento dos caminhões com botton
load, que recebem a carga líquida pela parte de
baixo, enquanto a de cima recolhe o ar deslocado e os
vapores nele dispersos. Ou seja, o carregamento promove
um circuito fechado e, por isso, não existe emissão
de vapores.
Círculo
virtuoso
À parte o emprego de fundamentais, porém
já bastante
difundidas tecnologias para o tratamento de efluentes sólidos e líquidos,
a Copesul busca soluções para outros tipos de resíduos,
mesmo os não gerados em seus processos industriais. Atualmente, um dos
desafios é encontrar um destino plausível e não oneroso
para lâmpadas fluorescentes queimadas e, se este for relevante para a
ponta da cadeia, melhor ainda. Assim foi com a soda cáustica, que ganhou
utilidade na indústria de celulose. “O desenvolvimento sustentável é composto
por inúmeras considerações e compõe um círculo
virtuoso e não vicioso”.
O
desenvolvimento sustentável deve
considerar todas as fases da vida de um empreendimento.
Significa dizer que os processos de gestão ambiental
precisam estar presentes e ativos da fase de concepção
do empreendimento até o seu encerramento. E,
por isso, o transporte de insumos também deve
ser considerado.
Segundo
Roberto Simões, vice-presidente
de competitividade empresarial da Braskem, a adoção
de medidas cautelares no transporte de químicos é condizente
com os valores do grupo, que hoje também considera
de sua responsabilidade não só suas áreas
de atuação, mas os trajetos percorridos
com os insumos produzidos. Logo após ser constituída,
em 2002, substituiu sua frota com o intuito de garantir
mais segurança no transporte. “Partimos
de uma atitude reativa para outra pró-ativa”,
enfatiza o dirigente da Braskem que recebeu, em 2006,
da General Electric, o Prêmio Return on Environment,
em função do novo sistema de reuso de água
na unidade alagoana de PVC da Braskem.
Antes
da implantação
do modelo, a água,
depois de utilizada, era devolvida tratada à natureza.
Com o novo sistema ela retorna ao processo e permite
que a Braskem reduza sua captação de água
de rios e poços artesianos da região.
A estratégia evita impactos ambientais indesejáveis,
especialmente o de salinização de poços,
utilizados para o abastecimento de água da capital
Maceió e municípios vizinhos.
Com
a iniciativa, a Braskem está economizando
900 milhões de litros de água por ano,
volume corresponde ao consumo anual de uma cidade de
aproximadamente 16 mil habitantes. Em reais, o valor
a ser poupado deve chegar a, aproximadamente, R$ 314
mil por ano.
Portanto,
ao implantar sistemas de gestão ambiental
ou adotar programas de produção mais limpa,
as empresas passaram a fabricar o mesmo produto usando
menos energia, menos água e matérias-primas,
e a gerar menos resíduos para serem tratados.
Ou seja, ganham dinheiro com os cuidados ambientais. |