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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Em busca do círculo virtuoso
 

Eliminar ou minimizar as despesas do amanhã é uma demanda do hoje. Um projeto que não considere eventuais riscos de contaminação do ar, da água ou do solo, mesmo que elaborado com o intuito de garantir empregos à população de hoje, pode ser o responsável pela eliminação das atividades econômicas do futuro. Por isso, a contabilização dos custos ambientais é fundamental para que os índices de rentabilidade de um projeto não sejam invalidados.

 

Embora mais complexo, o desenvolvimento sustentável pode ser conceituado como aquele que atende às necessidades momentâneas, mas não compromete a possibilidade de as gerações futuras terem suas demandas acolhidas.

Em outras palavras, depõe contra o sucesso que vislumbra benefícios imediatos por meio da exaustão de recursos naturais e prima por aquele que emprega ações responsáveis que não demandam a recuperação do ambiente, certamente mais onerosa à população, seja o custo apresentado na forma de impostos, produtos mais caros ou pela perda de qualidade de vida.

Por isso, eliminar ou minimizar as despesas do amanhã é uma demanda do hoje. Um projeto que não considere eventuais riscos de contaminação do ar, da água ou do solo, mesmo que elaborado com o intuito de garantir empregos à população de hoje, pode ser o responsável pela eliminação das atividades econômicas do futuro. Afinal, uma indústria contratante que prejudica ou elimina a pesca em um rio, em função da falta de tratamento de resíduos pode deixar, em longo prazo, vários pescadores sem trabalho. Portanto, a contabilização dos custos ambientais é fundamental para que os índices de rentabilidade de um projeto não sejam invalidados.

Em indústrias consideradas mais perigosas, como as petroquímicas, o nível de atenção e cuidados deve ser maior. Contudo, João Ruy Dornelles Freire, assessor de comunicação e marketing da Copesul ameniza este tipo de consideração por meio de uma analogia entre perigo e risco. “Uma garrafa de ácido, sem dúvida, representa perigo, mas se colocada em uma sala fechada, o risco é baixo. Já em outra, repleta de crianças, o risco é alto. Por isso, tudo depende da gestão que se der à situação”.
Freire vai mais além para explicar que a fabricação de produtos químicos só representa riscos quando os cuidados da indústria não são condizentes com a necessidade. Para ele, a relação indústria petroquímica e desenvolvimento sustentável é convergente. “O potencial de danos ao ambiente é grande assim como a tecnologia capaz de preservá-lo”, retrata o assessor, que vê na atuação das indústrias uma preocupação em ascensão até pelo fato de que um acidente ambiental pode provocar a extinção de uma marca. “Tentamos sempre nos antecipar às leis”, comenta, ao relatar que a Copesul, há aproximadamente oito anos, realizou mudanças que envolveram o transporte de cargas líquidas. Isso porque durante o carregamento, feito pela parte superior, acontecia a emissão de hidrocarbonetos, que são orgânicos voláteis. A empresa adotou, então, nova frota com carregamento dos caminhões com botton load, que recebem a carga líquida pela parte de baixo, enquanto a de cima recolhe o ar deslocado e os vapores nele dispersos. Ou seja, o carregamento promove um circuito fechado e, por isso, não existe emissão de vapores.

Círculo virtuoso
À parte o emprego de fundamentais, porém já bastante difundidas tecnologias para o tratamento de efluentes sólidos e líquidos, a Copesul busca soluções para outros tipos de resíduos, mesmo os não gerados em seus processos industriais. Atualmente, um dos desafios é encontrar um destino plausível e não oneroso para lâmpadas fluorescentes queimadas e, se este for relevante para a ponta da cadeia, melhor ainda. Assim foi com a soda cáustica, que ganhou utilidade na indústria de celulose. “O desenvolvimento sustentável é composto por inúmeras considerações e compõe um círculo virtuoso e não vicioso”.

O desenvolvimento sustentável deve considerar todas as fases da vida de um empreendimento. Significa dizer que os processos de gestão ambiental precisam estar presentes e ativos da fase de concepção do empreendimento até o seu encerramento. E, por isso, o transporte de insumos também deve ser considerado.

Segundo Roberto Simões, vice-presidente de competitividade empresarial da Braskem, a adoção de medidas cautelares no transporte de químicos é condizente com os valores do grupo, que hoje também considera de sua responsabilidade não só suas áreas de atuação, mas os trajetos percorridos com os insumos produzidos. Logo após ser constituída, em 2002, substituiu sua frota com o intuito de garantir mais segurança no transporte. “Partimos de uma atitude reativa para outra pró-ativa”, enfatiza o dirigente da Braskem que recebeu, em 2006, da General Electric, o Prêmio Return on Environment, em função do novo sistema de reuso de água na unidade alagoana de PVC da Braskem.

Antes da implantação do modelo, a água, depois de utilizada, era devolvida tratada à natureza. Com o novo sistema ela retorna ao processo e permite que a Braskem reduza sua captação de água de rios e poços artesianos da região. A estratégia evita impactos ambientais indesejáveis, especialmente o de salinização de poços, utilizados para o abastecimento de água da capital Maceió e municípios vizinhos.

Com a iniciativa, a Braskem está economizando 900 milhões de litros de água por ano, volume corresponde ao consumo anual de uma cidade de aproximadamente 16 mil habitantes. Em reais, o valor a ser poupado deve chegar a, aproximadamente, R$ 314 mil por ano.

Portanto, ao implantar sistemas de gestão ambiental ou adotar programas de produção mais limpa, as empresas passaram a fabricar o mesmo produto usando menos energia, menos água e matérias-primas, e a gerar menos resíduos para serem tratados. Ou seja, ganham dinheiro com os cuidados ambientais.
 
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