Os
iminentes alarmes acerca da possível escassez
de água mundial incitam, cada vez mais, o desenvolvimento
de iniciativas capazes de garantir a conservação
e o uso responsável do precioso líquido.
Diante
dessa realidade, o Grupo Tejofran, que atua na prestação
de serviços especializados, desenvolveu em 2000,
por meio do engenheiro Diniz de Medeiros Barbosa, um
método diferenciado para garantir a recuperação
de redes de água. Trata-se de um sistema que
utiliza garrafas PET recicladas e resina vegetal, extraída
da mamona, para garantir a reabilitação
das redes de maneira ecologicamente correta. Entre
suas vantagens está a
maneira como o trabalho é realizado: a reabilitação é feita
pelo chamado Método Não Destrutivo (MND),
que consiste em pequenas interferências, nas
duas extremidades da tubulação, que pode
superar 100m de extensão. No método tradicional,
feito de maneira destrutiva, o encanamento é inteiramente
trocado por tubos de ferro ou PVC, provocando bloqueios
de carros e pedestres.
O
processo consiste em transformar garrafas PET em
feltros de poliéster,
que são dimensionadas em função
dos diâmetros internos
das tubulações e preenchidas com resina
vegetal liquida extraída
da mamona.
A
manta é inserida em uma calandra
(máquina com cilindros rotativos
para calandrar tecido, papel e borracha) para que a
resina vegetal se espalhe de maneira uniforme. Em seguida,
sua extremidade é inserida em um vaso
de pressão, que inverte a manta ao avesso para
que essa superfície
imprima aderência à tubulação
de maneira contínua.
A resina é então aplicada no interior
do tubo e fica completamente uniforme. “Ao utilizarmos
garrafas PET, jogadas em rios e lixões
pela população, estamos promovendo diversos
benefícios à sociedade,
como, por exemplo, o aumento da vida útil dos
aterros, geração
de empregos, economia de energia, entre outros, já que
estes produtos prejudicam a decomposição
dos materiais degradáveis da matéria
orgânica”, retrata Barbosa.
Reabilitação
de redes
Ele comenta, ainda, que o uso da mamona também
está atrelado ao objetivo da empresa de oferecer
ao mercado soluções econômicas,
eficazes e ecologicamente corretas. “O óleo
extraído das sementes da mamona, que já substitui
o petróleo na fabricação de plásticos
e lubrificantes e, por sua resistência a mudanças
bruscas de temperaturas é usado como lubrificante
em aviões, representa uma oportunidade de desenvolvimento
para zonas menos favorecidas como o nordeste brasileiro.
A mamona é de fácil cultivo e resistente à escassez
de água”, completa.
A
eficiência
do sistema se dá por meio
do preparo da superfície interna dos tubos,
quando é feita a retirada das incrustações
acumuladas ao longo do tempo e a posterior aplicação
da resina vegetal, que cria uma nova tubulação
dentro dos tubos já existentes. “O método
recupera as redes antigas sem grandes interferências
ao meio e reduz as perdas, já que há um
reforço na tubulação para resistir às
agressões mecânicas e químicas
impostas à tubulação”, explica
Barbosa.
O
sistema demandou investimentos de R$ 500 mil e a
realização de estudos ao longo
de 12 meses. Sua primeira aplicação foi
feita em um projeto-piloto da Companhia de Saneamento
do Paraná (Sanepar), em um trecho isolado com
2.750 metros de extensão de redes e 1.138 ligações
(ramais das casas), na região central de Curitiba.
A rede apresentava perdas de água próximas
a 35%. “O sistema garantiu a eliminação
do desperdício e promoveu a recuperação
da receita da companhia de água”, expõe
o engenheiro da Tejofran, que atende com o produto
as normas particulares de cada concessionária.
Feito
em lance único, sem emendas – o que
evita vazamentos em juntas, trincas, rachaduras e furos,
eliminando perdas e contaminações ambientais – o
revestimento da Tejofran serve para reabilitar redes
de tubos de ferro fundido, aço carbono, aço
galvanizado, concreto, cerâmica, cimento amianto,
PVC, entre outras danificadas pelo tempo e uso, sem a
necessidade de retirada da tubulação do
local. |