A
participação de mais de 12 mil profissionais
na 18ª. Fenasan (Feira Nacional de Materiais
e Equipamentos para Saneamento) reflete o crescimento
do setor, da confiança no mercado e do interesse
das empresas em investir, participar e estabelecer
parcerias. O evento, promovido anualmente pela Associação
dos Engenheiros da Sabesp, foi realizado em agosto,
em São Paulo, e foi palco de lançamentos
e demonstrações que consideram o desenvolvimento
tecnológico e sistemas empregados no tratamento
da água, adução, abastecimento
e sistemas de coleta, tratamento de esgotos e disposição
final de resíduos.
A
Mizumo aproveitou para apresentar sua linha Mizumo
Tower, composta por sistemas compactos de tratamento
de esgoto para empreendimentos com até quatro
mil pessoas. Com diâmetros
que podem variar de 2,5m a 3,2m, os tanques dos sistemas
são feitos em formatos verticais, em plástico
reforçado com fibra de vidro (PRFV) com alta
proteção química, para módulos
com vazões diárias de 10 m³ a
400 m³ por dia. O processo de tratamento é contínuo
e composto por um reator anaeróbio de fluxo
ascendente (UASB), um filtro aeróbio de leito
fixo (anel Pall) com difusão de ar por bolhas
finas e um decantador secundário concêntrico
ao reator aeróbio. O retorno do lodo é automático,
por sistema de air-lift.
Os
sistemas permitem o reúso
da água para fins não potáveis
e podem ser implantados em conjuntos habitacionais
e bairros de cidades de médio e grande porte,
vão colaborar para incrementar os negócios
da empresa. contribuir para que a empresa incremente
seus negócios. “Nossa expectativa de
faturamento é 25% superior aos resultados
do ano passado”, diz Giovani de Toledo Andrade,
gestor da Unidade de Negócios Mizumo.
A
Glass também marcou presença na Fenasan.
A principal atração foi a Ecoflux,
bomba de esgoto que suporta o uso de vários
tipos de rotores, capazes de atender diversas necessidades
de aplicação. Robusta, a nova bomba
garante que a água não emulsione e
que fases onde existam a presença de fibras,
capazes de promover o entupimento do sistema, sejam
resolvidas com rotores apropriados como o de anti-entupimento.
De acordo com o engenheiro mecânico Paulo Silas
Gonçalves Junior, a Ecoflux permite montagem
vertical, horizontal e para poço seco e seu
uso deve beneficiar, principalmente, as estatais. “Já temos
equipamentos similares instalados na Copasa (MG)”,
relata o engenheiro mecânico. A bomba garante
vazão de até 600 m³ por hora e pode
ser montada em diversas ligas, como ferro fundido
e alloy.
A
Etatron ressaltou os diferenciais do novo modelo
de bomba dosadora DLX Control. Segundo Amin Kaissar
el-Khoury, da área administrativa
da empresa, o equipamento permite a realização
do controle de pH, redox ou cloro livre apenas com
a utilização de sensor adequado ao
parâmetro. “Empresas que demandam o controle
de duas variáveis não precisam adquirir
mais de um equipamento para realizar o trabalho”,
garante o profissional. A empresa também apresentou
o AG Select, equipamento medidor e controlador multiparâmetro
que realiza leitura simultânea de até três
variáveis selecionáveis entre pH, redox,
cloro livre, ozônio e dióxido de cloro,
possuindo ainda leitura de temperatura com compensação
automática.
Outra
empresa que apresentou novidades foi a GE Fanuc,
que destacou as vantagens do modelo Rx3i da família
de controladores Programable Automation Controller
(PAC), usados em soluções
integradas que exijam arquitetura aberta, grande
quantidade de memória, I/O distribuído
e alto desempenho. O PAC RX3i foi construído
sob uma plataforma multitarefa, que permite a execução
de processos contínuos e discretos, pois reúne
histórico de dados e garante o controle de
diversas redes de comunicação.
Segundo
Paulo Eduardo Pironti, gerente de vendas da GE Fanuc,
a solução de controle PAC RX3i e o
software de configuração e programação
Machine Edition são completos, pois permitem
o compartilhamento de bases de dados, com alta velocidade
de processamento e de memória de programação. “Além
de completa, a solução é econômica.
O usuário não necessita de vários
softwares para realizar todas essas funções.
No mesmo ambiente pode programar e configurar o PAC
RX3i, além de configurar a animação
das telas de uma interface homem-máquina do
tipo quickpanel”.
No
estande da empresa, também
recebeu atenção especial a solução
Proficy de gerenciamento inteligente de informação
(Plant Information Management - PIMs) de Manufacturing
Execution System (MES), aplicado às estações
de tratamento de água e esgoto. O Proficy é um
software que lança dados de produção,
insumos, de laboratório; gera relatórios;
permite a visualização de processos
de forma estatística; e faz a análise
de todos os pontos da planta do cliente. “É um
sistema multifacetário. Gerencia arquivos
eletronicamente, controla versões de aplicação
e garante a geração automática
de back ups”, diz Pironti. O software também
monitora alterações nas linhas de programa
e gera relatórios indicativos acerca das mesmas.
No
estande da Pieralisi, o engenheiro Tales C. Gryga,
do departamento técnico comercial, retratou
as principais vantagens da linha de decanters centrífugos
para uso industrial no tratamento de água
e esgoto. “São equipamentos automáticos
que garantem a separação de água
e sólido, ininterruptamente, utilizados na
separação de duas ou mais fases de
pesos diferentes, particularmente para a clarificação
de líquidos nos quais estão presentes
sólidos em suspensão”, diz Gryga.
A empresa também apresentou um polipreparador
e dosador automático que apronta soluções
de polieletrólito a partir do produto em pó e/ou
emulsão, em regime contínuo com concentrações
de 0,1% a 0,5%. “O polipreparador Pieralisi
substitui a preparação manual de soluções
de polímeros e torna a operação
mais segura e eficiente”, diz Gryga. Ele destacou
ainda as vantagens do secador térmico de lodo,
que reduz a umidade do insumo para até 10%. “A
secagem do lodo tem como objetivo reduzir e esterilizar
o volume do insumo e permitir assim, sua utilização
como adubo.”
Especialista
mundial em plantas de tratamento de águas
e efluentes, a francesa Degrémont destacou
seu sistema de secagem de lodo solar, Heliantis.
Fabricado no Brasil, o sistema mecânico, segundo
o engenheiro Fábio
Eduardo de Oliveira, é o único do mercado
a utilizar energia solar para desidratação
em tratamento de esgotos municipais, com capacidade
de cinco mil a 50 mil habitantes ou para plantas
de tratamento de efluentes industriais, quando estas
possuem disponibilidade de área. “O
clima tropical do Brasil favorece a desidratação,
pois dispensa equipamento rotativo de alta velocidade”,
explica Oliveira. O sistema foi implantado em uma
estação de Sargans, na Suíça,
onde são processadas por ano 1,2 mil toneladas
de lodo provenientes da purificação
das águas residuárias de três
comunidades e de uma indústria agroalimentar.
Os lodos produzidos são submetidos à digestão
anaeróbica antes de serem mecanicamente desidratados
e secos em estufas, dotadas de cobertura de filme
duplo. Um escarificador impulsiona o lodo em direção à saída
da estufa, promovendo simultaneamente escarificação,
aeração e revolvimento. O leito de
lodo formado é aquecido pela radiação
solar e a água é evaporada. Para garantir
a homogeneidade da higrometria interna da estufa,
principalmente no inverno, ventiladores criam turbulências.
Automatizado e programável, o sistema consome,
em Sargans, 70 KWh por tonelada de água evaporada.
No
estande da Prominas, as atenções
se voltaram todas para o sistema de adensador de
lodo e prensa desaguadora da empresa. O lançamento,
segundo o engenheiro José Lazaro Gomes, diretor
de marketing da Prominas, apresenta baixo custo de
manutenção e demanda menor investimento. “É um
equipamento de fácil operação
que realiza floculação para que o lodo
siga para uma peneira rotativa e depois para uma
prensa desaguadora antes de seu descarte final com
baixo teor de água”, simplifica.
A
AG Solve apresentou seu sistema de bioremediação
Waterloo Emitter, que permite ao usuário injetar
oxigênio, hidrogênio ou outros gases
no lençol freático para oferecer melhores
condições de sobrevivência da
biologia do entorno do contaminante, acelerando sua
remediação. Segundo Mauro Banderali,
diretor da empresa, os resultados são obtidos
por meio de um sistema de bioremediação
passiva, com mais rapidez e custos menores se comparado
a outros métodos de biorremediação.
Em conjunto com poços multinível de
três ou sete canais, o sistema permite a averiguação
da eficiência do projeto e do monitoramento
da profundidade da pluma de contaminação.
Ambos equipamentos são patenteados mundialmente
pela Universidade de Waterloo e vendidos com exclusividade
pela AG Solve, empresa representante da Solinst no
Brasil.
Outra
empresa que marcou presença
na feira foi a Indústrias Químicas
Cubatão (IQC) que mais uma vez ressaltou as
vantagens do sulfato de alumínio, hoje usado
no Brasil inteiro para purificação
de água e floculação. O produto
retira o material orgânico da água,
deixando-a transparente, mas sem potabilidade, e é usado,
principalmente em indústrias de base como
as de celulose. A empresa apresentou também
os diferenciais do novo formulado para ser aplicado
em sistemas de abastecimento de água potável,
o Quelan. Desenvolvido à base de ortopolisfosfatos
inorgânicos, o produto, segundo José Roberto
Hernandes, gerente de vendas do IQC, é atóxico,
mas possui propriedades complexantes anticorrosivas
e desincrustantes. “Remove incrustações
de ferro e manganês e depois impermeabiliza
a tubulação com uma película
protetora”, explana o gerente da empresa.
Entre
as várias novidades da Bugatti, a gerente
de vendas Fernanda Levi destacou os diferenciais
da Válvula Multiple, projetada para eliminar
efeitos de golpe de aríete. Concebida com
múltiplos elementos, a novidade possui funções
de válvula de retenção, com
uma placa de orifício com furos de formato
venturi onde cada elemento forma uma válvula
independente, animada por uma pequena mola helicoidal
de baixa intensidade. Essa mola, com pequeno curso
de abertura e mínima inércia dos elementos
móveis, promove o fechamento da válvula
no exato instante em que a velocidade do fluxo alcança
zero.
A
Aquamec, especializada em projeto, produção,
instalação e operação
de equipamentos e sistemas em regime turn-key, aproveitou
para lançar seu novo Sistema de Tratamento
Biológico de Esgotos, o Aquatank. Um processo
de tratamento aeróbio que utiliza lodos ativados
para garantir que o tratamento biológico seqüencial
realizado nos reatores dispense o uso de decantadores
secundários. O equipamento opera automaticamente
e inclui instrumentação para a redução
do consumo de energia elétrica. Pode ser utilizado
para a remoção de matéria orgânica
(DBO e DQO), para a nitrificação/desnitrificação
e para a desfosforização biológica.
A
Aquamec também apresentou seu equipamento
de peneiramento fino de placas paralelas móveis,
Peneira Fina Rotoscreen, composto por um conjunto
de placas paralelas montadas em estrutura metálica – ambas
em aço inoxidável – e um conjunto
de acionamento. Seu princípio de funcionamento
consiste na retenção de sólidos
nos primeiros minutos de operação.
Logo que se dá a formação de
um filme de sólidos retidos na superfície
da peneira, as placas paralelas, que possuem movimento
relativo entre si, ao se movimentarem passam o filme
de detritos para um degrau acima, e assim sucessivamente,
até atingir o ponto de descarga.
A
Clean apresentou na feira seu Sistema de Monitoramento
Hidrológico
(SMH). De acordo com Kleber Amedi, gerente da Divisão
de Saneamento Ambiental da Clean, a solução
garante agilidade e alta performance no monitoramento
da qualidade da água de mananciais. “Trata-se
de um sistema de monitoramento integrado e em tempo
real da qualidade da água em reservatórios
de abastecimento público para regiões
metropolitanas”, expõe. Amedi explica
ainda que o sistema tem capacidade para monitorar
até oito parâmetros de qualidade da água
ao mesmo tempo, independente da profundidade do rio,
lago ou represa; temperatura; turbidez; oxigênio
dissolvido; pH; e outros indicadores. "Para
as companhias de abastecimento esta é uma
importante ferramenta para a melhoria da qualidade
do sistema de segurança da água. Em
caso de lançamentos nos reservatórios
fora do limite especificado para a captação,
o sistema poderá ser interrompido evitando
transtornos com o tratamento da água, que
mais tarde poderá ser descartada por ser imprópria
para o consumo humano", explica Kleber Amedi,
gerente da divisão de Saneamento Ambiental
da Clean. |