H2O Água
Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
Home
Agenda de Eventos
Agenda de Cursos
Anuncie Aqui
Biblioteca Virtual
Cadastro
Conheça a H2OÁgua
Contato
Edição do Mês
Edições Anteriores
Links de Interesse
Notícias
Showroom
 
Água com açúcar: receita de sucesso
 

Investimentos do setor em práticas modernas de desinfecção de água estão fundamentados na tendência de co-geração, que permite o uso da água gerada nas unidades e o acúmulo de ganhos energéticos.

 

A indústria sucroalcooleira é uma das principais esferas a colaborar com o dinamismo da economia brasileira nos últimos anos. Movimentou perto de R$ 50 bilhões na safra de 2006/2007, 1,5% do PIB nacional, e produziu cerca de 30 milhões de toneladas de açúcar e 17,5 milhões de litros de álcool, que garantiram exportações de 19 milhões de toneladas e 3,5 bilhões de litros, respectivamente.

As oportunidades criadas por esse cenário de desenvolvimento setorial são garantidas a todos os atores ligados aos processos utilizados pelas 325 usinas e destilarias existentes no País, que recolhem, aproximadamente, R$ 12 bilhões em impostos e taxas e empregam 3,6 milhões de pessoas. Personagens como os utilizados nos tratamentos de água e efluentes, que até pouco tempo atrás tinham pouca participação nesse enredo do mercado, já conquistam mais espaço na história da indústria sucroalcooleira. Afinal, garantir um papel de maior importância para quem fica nos bastidores é reforçar os alicerces capazes de garantir a perfeita sintonia de um espetáculo que prevê aportes de US$ 14,6 bilhões, traduzidos em uma usina por mês ao longo dos próximos seis anos.

“A indústria sucroalcooleira, que nunca teve tradição na realização de tratamentos de água e efluentes, está começando a se comprometer com modernas práticas de desinfecção da água, pois já percebeu a ineficiência de limitar sua preocupação à adição de produtos químicos para floculação e correção de pH”, retrata Jose Norberto de Souza, gerente de negócios da Arch Química, que desde 2005 incrementa seu leque de soluções oferecidas às usinas.

Souza explica que a atenção dispensada ao tratamento de água envolve inovações tecnológicas e de processos. “Da matéria-prima ao produto final, passando por práticas administrativas e mercadológicas, o setor sucroalcooleiro tem se mostrado uma ponta-de-lança em novas tecnologias aplicadas ao seu negócio”, diz. Ele acredita, porém, que as decisões são tomadas pelas usinas com base em suas necessidades de promover rendimentos nas operações industriais, conduzindo a economias de energia e água.

Plantio, colheita, lavagem, moagem e produção, todas as etapas de produção, segundo Souza, estão sendo integradas. “O segmento tem se empenhado em eliminar as ilhas de operação existentes graças à compreensão do axioma custo versus benefício”, conta o gerente de negócios da Arch Química, que oferece ao mercado o HDS Hypocal, sistema automático de desinfecção que, ao ser empregado para a eliminação de resíduos em efluentes, melhora a qualidade da água descartada e torna possível seu reúso em sistemas não críticos, resultando em economia de consumo de água. Ele revela que as decisões também consideram as limitações para a captação direta nos rios e a cobrança de taxas. Assim, as usinas otimizam seus processos a fim de reduzir o consumo e a perda de água por meio da adoção de mais ciclos em sistemas de resfriamento, que resultam em aumento do ciclo de concentração e redução no volume de água descartado.

Em prol da energia
As novas ofertas providas ao setor sucroalcooleiro, segundo o engenheiro químico Heitor José Zuntini, gerente de produtos para o Cone Sul da Nalco Brasil, refletem sua clara evolução e demanda por soluções cada vez mais eficientes. “O efluente gerado nas usinas tem aplicações na lavoura, mas a água utilizada em sistemas de resfriamento e caldeiras, por exemplo, requer técnicas mais modernas de tratamento. O setor tem se mostrado disposto a investir, pois está ciente que a economia de água e energia deixou o status de opção para ocupar a posição de condição, já que garante eficiência na operação de uma usina.” Ele diz ainda que o direcionamento de recursos está fundamentado, sobretudo, na tendência de co-geração, que permite às usinas utilizarem a água gerada em suas unidades e acumular ganhos energéticos. “O ganho energético é traduzido em economia de bagaço que, nas plantas de co-geração, significa extensão do período de geração de vapor, ou seja, de maior geração de MW, e cada MW produzido representa uma fonte de receita para a usina. Afinal, uma unidade dispõe agora de três produtos finais: açúcar, álcool e energia elétrica”, destaca o executivo.

Zuntini explica que os benefícios proporcionados pela tecnologia têm incitado as indústrias a construir suas novas unidades sob conceitos tecnológicos apesar do maior investimento inicial. “Ao abandonarem os tradicionais sistemas abertos de água, nos quais a água era captada, utilizada uma única vez e descartada, as usinas auferiram ganhos ambientais para seus negócios. Ao demandarem menor volume de água elas preservam os mananciais e computam vantagens do ponto de vista do tratamento de água”, avalia. Segundo ele, tais mudanças minimizaram os antigos problemas de corrosão, incrustação e descontrole microbiológico e já garantem maior tempo de vida útil aos equipamentos, além de reduzirem os problemas de perda de eficiência decorrentes da realização de trabalhos em descompasso com as condições ideais.

A Nalco é provedora de aplicações para tratamento de águas, do ar e para melhoria de processos, e oferece serviços, produtos e equipamentos para mais de 70 mil clientes nos mais diversos segmentos industriais e institucionais. Entre as soluções ofertadas Zuntini destaca o 3DTRASAR para açúcar, equipamento que visa o máximo aproveitamento do condensado vegetal como água de alimentação de caldeiras. A tecnologia utiliza a fluorescência para detectar a presença de caldo no condensado vegetal, que passa continuamente pelo equipamento enquanto recebe luz de comprimento de onda específico. Ao detectar contaminação com caldo, o equipamento emite fluorescência, captada e medida pelo 3DTRASAR.

O equipamento trabalha on-line e, por isso, o condensado é monitorado ininterruptamente, sem interferência de componentes inorgânicos, o que é comum mediante a utilização de condutivímetros, empregados para a mesma função. “Os benefícios da tecnologia estão relacionados ao aproveitamento energético, pois o condensado é utilizado completamente, sem risco ao sistema de geração de vapor. Também, ao impedir a contaminação da caldeira, evita-se purgas excessivas, e se tudo isso se traduz em otimização energética, os benefícios se expandem para economia de bagaço”, esclarece o engenheiro.

Soluções para todas as necessidades
Joubert Trovati, engenheiro de aplicações da GE Water & Process Technologies também partilha da opinião de que o setor sucroalcooleiro, grande usuário de água, tanto na forma líquida como na de vapor, já compreendeu que tanto a qualidade final de sua produção quanto a eficiência de seu processo estão atreladas ao tratamento de água adotado. “Em razão da abundante demanda de água, as usinas precisam buscar o rendimento das operações industriais de produção de açúcar e álcool no projeto inicial da unidade, operações, controles de processos, manutenções e, ainda, por meio da colaboração dos funcionários”, analisa.

Segundo ele, a água que abastece uma usina deve primeiramente ter suas impurezas removidas por meio de uma estação de tratamento de água. Para gerar vapor, a água que alimenta as caldeiras deve ser previamente desmineralizada e adequadamente tratada por meio de insumos para garantir a ausência de incrustações, corrosão e arrastes. Nos sistemas de resfriamento, a água deve ser submetida a tratamentos com produtos químicos, também capazes de evitar a formação de incrustações, processos corrosivos e crescimento microbiológico indesejável.

Para atender a todas essas necessidades, o engenheiro de aplicações da GE Water & Process Technologies relaciona a ampla gama de produtos e equipamentos ofertada pela empresa. Entre elas, antiincrustantes, biocidas, antiespumantes, polímeros, estações de tratamento de água por membranas de ultrafiltração, sistemas de desmineralização de água por osmose reversa e troca iônica, eletrodiálise e eletrodeionização, inclusive para produção de água ultrapura para caldeiras de alta pressão. Opções voltadas para automação e instrumentação industrial são oferecidas pela GE Supply, pela GE Fanuc e, mais recentemente, pela GE Sensing. Juntas, fornecem controladores lógico-programáveis (CLPs), cartões e interfaces de comunicação, sensores e transmissores de vazão, temperatura, pressão, nível, entre outros. Na área de geração e distribuição de energia elétrica está a GE Energy, com suas soluções em turbinas a vapor, geradores, painéis e comandos elétricos, motores, entre vários outros produtos. O portfólio completo revela a incorporação das capacidades herdadas da BetzDearborn, Osmonics, Glegg, Ionics, Ecolochem e agora Zenon.

Profissionalização eleva qualidade de produção
Também provedora de soluções para o tratamento de água e efluentes na indústria sucroalcooleira, a Veolia Water Solutions & Technologies, braço do grupo Veolia Environment, dispõe de um portfólio de serviços que foca soluções para gestão de água, resíduos, energia e transporte.

De acordo com o engenheiro César Quintino, gestor de negócios sênior da Veolia Water Solutions & Technologies, a empresa atua em toda a cadeia de valor da gestão das águas, já que realiza projetos, implanta e opera sistemas de tratamento de água desmineralizada bem como de osmose reversa, efluentes e reúso. Dispõe também de sistemas térmicos de utilidades e fluidos industriais e sistemas como o Built Operate Transfer (BOT) e o Built Operate Own (BOO). O primeiro é uma modalidade de contrato na qual as empresas investem em um equipamento ou sistema de tratamento, fazem a operação, manutenção e transferem ativos após um período contratual; o segundo mantém o ativo como posse da Veolia.

“A profissionalização está elevando os padrões de produção industrial, incentivando as unidades produtoras de açúcar e álcool a reformularem suas estruturas por meio da aquisição de soluções oferecidas por empresas certificadas”, opina Quintino. Ele explica ainda que diversas usinas brasileiras buscam hoje soluções garantidas por sistemas de co-geração de energia pelo bagaço da cana, que demandam caldeiras de alta pressão para alimentar suas turbinas. E essas clamam por unidades de osmose reversa para garantir a produção da água desmineralizada a ser usada para gerar o vapor que vai alimentar as caldeiras.

 
Sumário
 
Agnelo Editora   Copyright @ 2006, H2Oágua. Todos os direitos reservados.