Com
a vitalidade do setor brasileiro de celulose e papel,
os envolvidos em sua cadeia de negócios estão
criando novas soluções voltadas ao
aumento da produtividade, da qualidade e da competitividade
da indústria. O interesse se justifica. As
perspectivas de investimentos até o final
do ano somam US$ 3 bilhões. É quase
o mesmo montante investido nos três anos anteriores.
Para o período de 2008 a 2012, o valor anunciado
chega a US$ 7,9 bilhões. O objetivo é melhorar
ainda mais a performance do setor e otimizar sua
produção, que chegou a 11,2 milhões
de toneladas de celulose e 8,7 milhões de
toneladas de papel no ano passado. A celulose, de
acordo com pesquisas de institutos internacionais, é responsável
por puxar o Brasil da sétima para a sexta
posição no ranking mundial de produção, à frente
do Japão. Este ano, a produção
de papel deve crescer mais 2,8% e a de celulose,
5,5%, já considerada a entrada em operação
de projetos de expansão.
A
variedade das ofertas leva em conta o dinamismo do
setor e suas necessidades de sustentabilidade, proteção
ao meio ambiente e economia. Segundo Gilmar Avelino
Pires, diretor da Proeminent, uma das empresas que
oferecem opções voltadas para o controle
de efluentes e descarta de água para minimizar
os impactos ambientais causados pelos resíduos
dos processos produtivos do papel, pesquisas apontam
o crescimento da demanda mundial de celulose, no
período de 1997 a 2015, a uma taxa média
de 2,7% ao ano. O índice, entretanto, chega
a 4,6% se considerado apenas o nicho de fibras curtas à base
de eucalipto, principal especialidade brasileira.
O executivo, entretanto, lembra que o cenário
nem sempre foi favorável. Em 2005, as principais
companhias do segmento amargaram o lado negativo
de seus papéis – sem trocadilhos: seus
desempenhos ficaram longe dos apresentados dos anos
antes, quando o setor havia sido destaque na Bolsa
de Valores paulista e empresas como a Klabin ostentavam
valorização de até 274% em suas
ações.
O
cenário mundial instigou
as empresas a direcionarem esforços para exportações,
mas enfrentaram barreiras como custos de capital
e logística e pesada carga tributária.
A prática acabou restrita a poucas, como a
Aracruz, que chegou a dedicar 98% de sua produção
ao exterior. “Foi quando começaram a
surgir fusões e aquisições voltadas à integração
da cadeia produtiva e à consolidação
patrimonial”, recorda Pires. Hoje, segundo
ele, o desempenho do Brasil está diretamente
ligado ao crescimento da renda e da escolaridade
da população. “No Brasil o consumo
per capta é de 40,1 kg por habitante. Nos
Estados Unidos, ultrapassa 200 kg”, compara
o executivo. “Quanto maior a renda e o nível
de escolaridade, maior o consumo de livros, cadernos
e papéis.”
Em
paz com o meio ambiente
A Proeminent direciona seus
esforços para
este mercado promissor. “Nosso objetivo é oferecer
soluções para otimizar e aprimorar
os processos e gastos de produção de
nossos clientes”, diz o diretor. O rol da empresa
inclui os geradores de dióxido de cloro da
linhas Bellozon e Purate; o Dulcometer, que garante
medição e controle de valores de pH,
redox, condutividade, cloro e oxigênio dissolvido,
entre outros, por meio de tecnologia microprocessada;
os itens da linha Dulcotest, que realiza o controle
efetivo de processos em tempo real; a linha de bombas
dosadoras solenóides e de bombas dosadoras
com acionamento a motor, ambas utilizadas na dosagem
de químicos; bombas dosadoras de processos,
que podem ser acionadas de maneira mecânica,
hidráulica ou por pistão, suportam
altas temperaturas e podem ser utilizadas no tratamento
de água para caldeira; e bombas dosadoras
de transferência, que funcionam a partir de
operação pneumática e podem
ser fabricadas com capacidade progressiva para a
dosagem de polieletrólitos líquidos
concentrados ou diluídos.
A
empresa oferece ainda Skids customizados, que atuam
como sistemas de dosagem de químicos compostos
por bombas dosadoras, colunas de calibração,
tubulações,
válvulas, tanques de armazenamento, estruturas
e vários outros acessórios utilizados
nas estações de tratamento de efluentes
e nos processos; unidades de preparação
de polímeros floculantes sintéticos
em emulsão, batizadas Ultromat, que podem
resultar em até três tanques de armazenamento
usados nas estações de tratamento de
efluentes; e Dulcodes, geradores de UV para sistemas
de desinfecção por radiação,
utilizados nas estações de tratamento
de efluentes; e os sistemas de desinfecção
Bono Zon, Dulco Zon e Ozonfilt, que realizam a eletrólise
da molécula de oxigênio e a transformam
em uma molécula ionizada de ozônio,
empregados em estações de tratamento
de efluentes e de água.
A
Veolia Water também
atua em desenvolvimento de processos, engenharia,
fornecimento de equipamentos, gestão de serviços
e execução de plantas de tratamento
de água e efluentes. De acordo com Reinaldo
Macedo, gerente de Desenvolvimento de Negócios
da empresa, os suportes tecnológicos garantidos à Veolia
são da Aquaflow, empresa com mais de 40 anos
de experiência no setor de tratamento de efluentes
de fábricas de papel e celulose. Juntas, elas
fornecem soluções sob medida a cada
cliente, por meio da utilização de
processos biológicos. “A Veolia tem
implantado tecnologias inovadoras no tratamento de
efluentes do setor de papel e celulose, como a utilizada
na unidade Mucuri da Suzano Papel e Celulose. Lá,
o processo de Moving Bed Biofilm Reactor (MBBR) permitiu
a redução da área utilizada,
assegurando o cumprimento de todos os parâmetros
ambientais”, diz o gerente.
Soluções
sob medida
A Siemens é outra interessada nas
indústrias de celulose e papel. Desenvolve
soluções sob medida, como as alternativas
voltadas para automação, sistemas de
controle, instrumentação, fornecimento
e distribuição de energia, por meio
de turbo-geradores. De acordo com Walter Gomes, gerente
de vendas do segmento de Celulose e Papel da Siemens,
as soluções priorizam a preservação
do meio-ambiente, seja na questão de emissão
de energia via turbo-geradores em conexão
com as caldeiras de recuperação; no
controle do consumo de energia por meio da automação
do processo e do conseqüente controle da demanda
consumida, que revela respeito e observa os períodos
de ponta referente ao consumo consciente; ou na manutenção
de plantas que contribuem para que a matriz energética
possua plena funcionalidade em seus sistemas elétricos,
que devem priorizar o bom desempenho e a eficiência
produtiva.
“A
acirrada competitividade visível
nos baixos custos de produção por tonelada,
na abundante oferta de matéria-prima e no
ciclo de sete anos, em média, do crescimento
das florestas colocam o País em posição
de destaque perante o mundo”, completa Antonio
Carlos Palma, gerente de Vendas da Siemens Water
Technologies.
A
Nalco é mais uma gigante do
mercado que dispensa muita atenção
ao potencial de crescimento da indústria de
celulose e papel. “Utilizamos informações
de mercado para desenvolver soluções
específicas para cada região”,
relata Márcio Adam de Oliveira, gerente de
marketing da América Latina da Nalco Brasil.
Segundo ele, os produtores de celulose são
pressionados a produzirem itens com alta performance
e custos competitivos, o que incitou a Nalco a desenvolver
o Smart Solutions, por meio do qual são analisados
os processos produtivos das indústrias.
Para
garantir que o processo de obtenção
da celulose resulte em baixo impacto ambiental, a
Nalco oferece dois equipamentos para garantir o controle
e o monitoramento de incrustações de
carbonato de cálcio e oxalato de cálcio
em digestores e evaporadores: o Scale Rate Monitor
(SRM), teste rápido de laboratório
capaz de monitorar potencial de deposição;
e Inline Deposit Monitor (IDM), que realiza monitoramento,
em tempo real, de deposições no sistema
produtivo.
A
fornecedora dispõe ainda de diversas
outras linhas de produtos voltadas para o segmento
de celulose como controle de incrustações,
de pitch e do aumento da alvura, antiespumantes,
enzimas, programas de boil-out e de drenagem em máquinas
de secagem de celulose e condicionamento de licor.
Economia
e tratamento de água
As perspectivas
depositadas no setor, para Maurício La Blanca,
gerente de Negócios da área de Papel
e Celulose da Aratrop, também estão
atreladas a fatores como facilidade de obtenção
da matéria-prima, alta lucratividade e baixo
custo de produção. “Sem contabilizar
os segmentos de tissue, papel para escrever e imprimir,
o Brasil representa, aproximadamente, 10% do mercado
mundial de celulose”, mensura o gerente da
Aratrop, que também desenvolve produtos customizados
para os seus clientes. Entre as ofertas estão
agentes de release, anticorrosivos, antiincrustantes,
antiespumantes, coagulantes, desengraxantes, desincrustantes,
detergentes, dispersantes, floculantes, fungicidas,
microbiocidas, polímeros, policloreto de alumínio,
removedores, itens para recuperação
e retenção de fibras, para retenção
e drenagem, sequestrantes e soluções
nitrofosfatada. A empresa também fornece bombas
dosadoras e kits de dosagem para garantir a melhor
performance das máquinas.
“Nossos
produtos tem como premissa a não agressão
ao meio ambiente. Tanto as estações
de tratamento de efluentes como os equipamentos visam
a economia de água em razão de filtros
lavadores de gases e de precipitadores para controle
de particulado, por exemplo”, expõe
La Blanca.
Nova
no mercado, a Coremal fornece produtos químicos para serem utilizados em processos
industriais e utilidades. Para os primeiros, a empresa
oferece comodities e, para os segundos, resinas para
o tratamento de água por meio de troca iônica
e membranas para os sistemas de osmose reversa. |