H2O Água
Brasil, 7 de Setembro de 2010
 
Home
Agenda de Eventos
Agenda de Cursos
Anuncie Aqui
Assine
Biblioteca Virtual
Cadastro
Conheça a H2OÁgua
Contato
Edição do Mês
Edições Anteriores
Links de Interesse
Notícias
Publicações Agnelo Editora
Showroom
 
A versatilidade dos compósitos alavanca o crescimento do setor
 

Setores como os de saneamento, sucroalcooleiro, petroquímico e de energia elétrica são alguns dos beneficiados por soluções em PRFV.

 

É com otimismo que a indústria nacional de materiais compósitos (resinas termofixas associadas a materiais de reforço) faz as contas para encerrar o ano. O responsável por puxar para cima os resultados do setor, que registra crescimento médio anual de 5%, é o plástico reforçado com fibra de vidro (PRFV), já que no Brasil os outros itens que compõem o nicho – compósitos de alta performance, como fibra de carbono, aramida e resinas epóxi – são usados em menor escala, pois contemplam aplicações mais específicas na indústria espacial, militar e aeronáutico, por exemplo, nas quais a exigência de performance, baseada na relação peso e resistência, é maior.

Versátil, o PRFV contabiliza mais de 40 mil aplicações no mundo. Cadeiras, mesas, piscinas, tubos, caixas d' água, barcos, aviões, placas, obras de arte, torres de igrejas, entre outras apresentações, permitem que o produto garanta boas soluções ao substituir materiais como ferro, aço, alumínio e madeira. Resistente à corrosão, o PRFV oferece flexibilidade na obtenção das mais diferentes formas de desenho, quando comparado aos métodos produtivos tradicionais e possibilita alternativas resistentes, com baixo peso, e é de baixo custo. “Os compósitos podem compor, praticamente, qualquer produto e quase sempre apresentam vantagens na relação custo-benefício estabelecida perante seus concorrentes”, relata Henrique Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Materiais Compósitos (Abmaco), entidade fundada em 1981 que possui cerca de 100 empresas associadas responsáveis pela produção e distribuição de matérias-primas e produtos auxiliares. A Abmaco registrou em 2006 um consumo de 120 mil toneladas de materiais compósitos no Brasil. Desse total, 32% foi destinado à produção de telhas, tubulações, perfis e reservatórios de água, entre outros itens voltados ao abastecimento da construção civil.

Potencial de crescimento
O
volume consumido movimentou R$ 1,6 bilhão e foi responsável pela geração de 100 mil empregos diretos e 260 mil indiretos. Em 2007, Ferraz acredita que o crescimento de 5% se repita, com a participação da construção civil no setor chegando a 36%. Para o futuro as expectativas são ainda mais promissoras. Ferraz estima crescimento de 7%, em média, para o período de 2008 a 2012. “O consumo per capita de compósitos é muito pequeno no Brasil, se comparado a outros países e, por isso, vislumbramos excelentes oportunidades de mercado para o setor”, comenta. Ele calcula que o consumo brasileiro represente 10% do dispêndio americano e 15% do europeu e do asiático, onde o desenvolvimento teve início no final da 2ª Guerra Mundial. No Brasil, o setor começou a se desenvolver a partir da década de 70, perante a influência do capital estrangeiro e da chegada das multinacionais.

Otimista, Ferraz relata que as apostas positivas para os próximos anos levam em conta a continuidade da estabilidade econômica e cambial. Também estão enlaçadas pela nova Lei do Saneamento Básico e pelos aportes condicionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que reserva boas perspectivas para o saneamento brasileiro – afinal, o Ministério das Cidades prevê para o setor investimentos de mais de R$ 40 bilhões entre 2007 e 2010. O montante, segundo expectativas do governo, deve contemplar mais de 24,5 milhões de brasileiros com água encanada, 25,4 milhões com coleta e tratamento de esgotos e 31,1 milhões com coleta e destinação adequada de resíduos sólidos.

Negócios avantajados
Tantos subsídios garantem à indústria de compósitos um sólido alicerce, que estimula a realização de negócios bem estruturados. Em julho, o setor celebrou, pelas mãos da Amitech, braço local do grupo saudita Amiantit, o maior contrato de fornecimento de PRFV da história do Brasil. Ao longo dos próximos 12 meses, a empresa fornecerá 19km de tubos para a quinta etapa de construção do Canal da Integração, maior obra de distribuição de água para consumo e irrigação já realizada no Ceará. O Canal da Integração terá 255km e reforçará o abastecimento da região metropolitana de Fortaleza e Pecém, integrando a bacia hidrográfica do Rio Jaguaribe.

Estabelecido em razão de uma concorrência pública internacional, proposta pela Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) do Estado do Ceará, o acordo possibilitou uma economia de R$ 12 milhões aos cofres da companhia, verba suficiente para subsidiar a compra de mais 9km de tubos de PRFV.

Ainda sob o contexto do desenvolvimento estão as expectativas depositadas em nichos promissores, como o sucrooalcooleiro, que deve receber aportes de US$ 14,6 bilhões, traduzidos em uma usina por mês ao longo dos próximos seis anos. Enquanto os investimentos não vêm para alavancar crescimentos em cadeia, a safra recorde de cana-de-açúcar de 2007, que ultrapassou 500 mil toneladas, demandou um incremento de 15% na produção de tubulações, tanques, alcooldutos, gradis e revestimentos que consideraram o uso dos compósitos como melhor opção em razão de sua elevada resistência química e leveza e conseqüente capacidade de reduzir os custos de instalação. O mesmo impulso ocorre em atividades caracterizadas por altíssimo nível de corrosão, como o transporte da vinhaça, subproduto da destilação do álcool.

Apostas também estão direcionadas à indústria petroquímica, que adota o PRFV em plataformas de petróleo em razão da baixa necessidade de manutenção do produto no decorrer de sua vida útil; ao setor de saneamento básico, que contempla tubulações de transporte de água, estações de tratamento de esgoto e reservatórios; à indústria de celulose, que ganha maior eficiência em função do menor número de paradas de manutenção; e à de energia elétrica, contemplada com pás eólicas que, segundo Ferraz, atualmente iluminam as exportações do mercado.

Apesar de todo o otimismo do setor, o PRFV ainda enfrenta obstáculos no caminho rumo ao desenvolvimento. Entre eles a alta tributação dos produtos acabados. Enquanto o plástico paga 15% de IPI, o concorrente aço possui uma carga tributária que varia de 0% a 5%. Também limita o crescimento do setor a falta de aprimoramento técnico de operários de chão de fábrica, supervisores e líderes. Por isso, a Abmaco implantou em 2002 o Centro Tecnológico de Compósitos (Cetecom), em parceria com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT). O centro oferece cursos de curta ou média duração para a capacitação da mão-de-obra operacional e técnica. A idéia é suprir as necessidades e carências na área da qualidade de produtos.

 
Sumário
 
Agnelo Editora   Copyright @ 2006, H2Oágua. Todos os direitos reservados.