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Brasil, 9 de Setembro de 2010
 
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Dimensionamento correto e aprimoramento tecnológico garantem o funcionamento dos sistemas de bombeamento.

 

A falha do sistema de bombeamento de uma fábrica da Perdigão, em setembro, provocou a contaminação do córrego Abóbora, em Rio Verde (GO), e comprometeu o abastecimento de água do município. O acidente levou rejeitos de animais ao rio. Dados da Secretaria do Meio Ambiente de Rio Verde apontam o vazamento de ao menos 400 metros cúbicos de matéria orgânica, equivalente a 400 caixas d´água de mil litros. Embora nota da Perdigão comentasse que o vazamento foi uma fatalidade ocorrida por canais subterrâneos e dificilmente perceptível, provocando mudanças somente na cor e no odor da água consumida, sem causar danos à saúde, a distribuição do líquido contaminado aumentou em 93% os casos de infecção intestinal da cidade.

O exemplo aponta a importância dos sistemas de bombeamento e da necessidade de investimentos constantes tanto em seu correto dimensionamento quanto no aprimoramento tecnológico, responsáveis por minimizar as possibilidades de falhas capazes de comprometer seu funcionamento e causar prejuízos dos mais diversos - inclusive ao meio ambiente e à saúde da população.

O desempenho do mercado brasileiro estimula os fornecedores neste caminho. O setor de bombas e motobombas encerrou o ano passado com faturamento de R$ 1,97 bilhão, exportações de US$ 491,21 milhões e importações de US$ 455,30 milhões. E 2007 será ainda melhor. De janeiro a agosto, o mercado registrou expansão real de 12,5% em seu faturamento, de acordo com o presidente da Câmara Setorial de Bombas e Motobombas (CSBM), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Wagner Vilela Cipola, que congrega 59 associados.

Os resultados decorrem do bom desempenho dos mercados sucroalcooleiro, petroquímico e de saneamento básico. A este último cabe, inclusive, parcela cada vez mais significativa do volume de produção de bombas. Sua participação deve engordar ainda mais caso os aportes condicionados ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) se concretizem, já que a previsão para o setor de saneamento é de investimentos superiores a R$ 40 bilhões até 2010.

Segundo Cipola, o comportamento do setor também decorre do fato de o Brasil possuir uma indústria de bombas capaz de suprir as necessidades do mercado em relação a qualidade e tecnologia. "A demanda no setor só não está mais aquecida porque o aumento do preço dos insumos e os baixos preços das versões importadas inibem maiores investimentos", registra. Além disso, ele observa, a tributação brasileira impõe carga de 40% em seus preços.

Da determinação correta ao rendimento energético
O executivo lembra, porém, que o preço não é o principal determinante no momento da definição do equipamento. "As melhores opções são aquelas que garantem o melhor rendimento, ou seja, o menor consumo de energia, que resultará em menor potência e, conseqüentemente, em preço mais atrativo", avalia Cipola.

Na prática, o dimensionamento correto do sistema de bombeamento é o item fundamental para que o perfil hidráulico projetado para prover o tratamento de água de determinada indústria seja feito de maneira eficaz. Mas, além de bem escalonado, esse sistema garante maior ou menor eficiência em razão da escolha do modelo de bomba mais adequado a cada projeto.

Para Denis Saad, coordenador de Engenharia de Sistemas da Aquamec, empresa que elabora projetos, instala e opera equipamentos e sistemas em regime turn-key destinados a tratamento de água, a escolha do equipamento mais adequado a cada projeto leva em conta a determinação correta da faixa de operação do equipamento (pressão e vazão), eficiência do bombeamento, o tipo de rotor, NPSH, materiais em contato com o fluido e sólidos em suspensão. Outras variantes de menos peso também devem ser consideradas, como a velocidade de escoamento. "Se a velocidade de escoamento for mal determinada, as tubulações podem ser danificadas e o resultado, comprometido", aponta. "Em uma estação de tratamento de esgoto, por exemplo, se todo o lodo for recalcado em alta velocidade, as tubulações e alguns acessórios do conjunto hidráulico serão danificados de forma irreparável."

Segundo Cristiano Ferreira de Sá, diretor técnico da Proacqua Processos de Saneamento, que também fornece sistemas para tratamento de águas residuais, as bombas centrífugas são as mais utilizadas em estações de tratamento. "São modelos mais modernos em relação às resistências dos materiais contra corrosão e abrasão, hoje utilizados em sua fabricação", diz.

Mesmo diante da notória evolução dos materiais empregados na construção de partes móveis, vedações e motores, Cristiano lembra a importância das manutenções periódicas no sistema por parte do usuário. "As manutenções preventivas são vitais para a conservação de uma bomba", acrescenta José Antonio de Angelis, diretor técnico da Baquiru, dedicada a projetos, consultoria, concessões e operações de sistemas de água e esgoto. Ele observa que a bomba representa para um sistema de tratamento de água o mesmo que o coração para o corpo humano; portanto, as paradas para manutenção devem acontecer sob o respaldo de equipamentos reservas proporcionais aos utilizados para a realização do bombeamento principal.

 
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