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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Pressão ascendente
 

Dispositivos utilizados para estabelecer, controlar e interromper o escoamento de fluidos e fluxos, as válvulas experimentaram em 2007 crescimento bem superior ao da média de outros setores, com taxas que superaram os 200%. A expectativa dos fabricantes é que, mantido o ritmo da economia, a expansão seja intensificada.

 
Renata Bernardis
 

Outrora abalado pela entrada dos produtos chineses no País, o mercado nacional de válvulas industriais parece alçar novo vôo rumo ao crescimento em razão do aquecimento de setores como os de açúcar e álcool, mineração e saneamento. “O número de consultas aumentou bastante nos últimos seis meses”, constata Jair Roberto Alves Rodrigues Junior, gerente de saneamento da Durcon Vice, que fornece ao mercado, desde 1974, válvulas com bitolas de ¼ a 120 polegadas, classes de pressão de até 4500lbs, em diversos tipos de materiais. Segundo ele, a retomada teve início há dois anos. “O volume de produção e vendas aumentou mais de 25% ao ano, nos últimos dois anos, e acreditamos que esse resultado se repetirá em 2008”, comenta o profissional com base, sobretudo, nas expectativas que o segmento deposita no setor de tratamento de água, que, na visão dos otimistas, deve ampliar sua participação no mercado de válvulas dos atuais 5% para 15%. “Nossos planos são de vender 200% a mais em 2008 no setor de saneamento”, expõe.

João Batista Burin, diretor comercial, planejamento e novos negócios da KSB Válvulas, braço da fabricante alemã de bombas centrífugas KSB Brasil, também acredita na individual responsabilidade do setor de saneamento sob o desenvolvimento do mercado de válvulas. “O Programa de Aceleração do Crescimento e a nova Lei de Saneamento prometem ajudar a superar as dificuldades impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal – código de conduta para os administradores públicos – e, por isso, assinalam importante responsabilidade sobre uma nova onda de investimentos”, diz ao mencionar, diante do crescimento de vendas registrado pela empresa nos últimos anos, que as expectativas de resultados em 2008 são 5% superiores às alcançadas no período anterior.

O desenvolvimento do setor, na opinião de Carlos Pádua, gerente comercial da Conval Válvulas – que desde 1962 disponibiliza para o mercado amplo portfólio de válvulas industriais de baixa e alta pressão –, também está respaldado por benefícios e facilidades imputados às importações. “Muitos distribuidores, atraídos pelos atrativos preços de produtos importados, tornaram-se concorrentes dos fabricantes nacionais, mas, ao mesmo tempo, temos observado que as exigências estão ganhando importância, já que segurança, assistência técnica e reposição são consideradas nas encomendas.”

Rogério Vieira, gerente da fábrica de válvulas da americana Emerson Process Management, que por meio de sua divisão de válvulas representada pela marca Fisher Controls produz válvulas de controle há mais de 127 anos, enfatiza o crescimento nos negócios também em razão da maleabilidade dos fabricantes nacionais em buscar alternativas tecnológicas e de custos para fazer frente à concorrência de itens importados. Mas ressalta a importância do envolvimento do governo. “Cabe aos nossos governantes repensar essa enorme carga tributária que tira a competitividade dos itens nacionais”, diz ao relatar que a empresa registrou crescimento de 250% do volume de vendas de válvulas no último ano.

Tributadas pelo ICMS, PIS, Cofins e IPI, as válvulas industriais carregam uma carga superior a 20%, aos quais são somados, ainda, os encargos sociais sobre a mão-de-obra e o Imposto sobre Serviços (ISS) nos serviços de assistência técnica.

Concorrência asiática x tecnologia
Promissor, o Brasil abriga operações locais dos maiores competidores mundiais do setor de válvulas e, apesar do desenvolvimento que resvala nos últimos dois anos, os menos otimistas continuam dizendo que o país asiático é a grande aposta do setor e quem não estiver lá instalado em cinco anos estará fora do mercado global. Alicerçam suas considerações no fato de o custo do fundido no Brasil ser maior que o de uma válvula pronta chinesa importada.

“Os preços dos produtos chineses são muito favorecidos não somente pelo fortalecimento do real frente ao dólar, mas também pela subvalorização da moeda chinesa, custos inferiores com mão-de-obra, quase inexistência de benefícios sociais imputados aos empregados, não observância de ações de proteção ao meio ambiente e na menor burocracia das empresas”, diz Burin, da KSB.

Para fazer frente à ameaça chinesa nada mais importante que realizar investimentos em tecnologia. A KSB, por exemplo, investe 4% do valor de suas vendas em atualização tecnológica, valor capaz de garantir componentes que assegurem as vedações e sejam mais robustos, mas não deixem de apresentar preços competitivos e enxutos prazos de entrega.

Também orientada para o caminho do crescimento, em razão de seus investimentos em tecnologia, a Durcon Vice investe, desde 2002, 3% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. “Temos as melhores ferramentas de engenharia disponíveis mundialmente, laboratório físico para teste de performance de válvulas e centros de usinagem de última geração, onde fabricamos nossos produtos”, revela Rodrigues Junior.

Uma das mais tradicionais empresas do setor de válvulas industriais, a Conval também dispensa 12% de seu orçamento anual ao desenvolvimento de novos itens. “Poderíamos estar investindo em novos modelos para as válvulas Gaveta, Globo e Retenção nas classes de pressão 150 e 300, porém os preços praticados por importadores inviabilizam esse investimento interno”, relata.

A Emerson também trabalha com constante evolução do produto. “Os clientes querem ter seus parques fabris sempre atualizados e otimizados, com constantes reduções de custo de manutenção e paradas não programadas; afinal, investem milhões em seus negócios”, diz ao relatar o caso de uma empresa da região metropolitana de São Paulo que está investindo US$ 10 milhões em suas instalações para ampliar sua capacidade de produção. E, seguindo pela mesma direção, diante de demanda maior que prevista, a Emerson acaba de reestruturar sua linha de montagem para aumentar a produção de válvulas Fisher modelo GX. A solução compacta, projetada para controlar uma gama extensiva de fluidos de processo, tem a mesma precisão que válvulas maiores. O menor tamanho é resultado do volume de peças contido neste modelo: cerca de 30. Uma válvula de tamanho normal utiliza mais de 70 itens. Além disso, existem outras vantagens para os usuários, como facilidade na instalação e manutenção, desempenho e durabilidade.

Para aumentar a capacidade produtiva e ao mesmo tempo reduzir o prazo de entrega do produto, a empresa decidiu reestruturar o setor de montagem para atender a essa nova demanda. Mudanças estruturais e contratação de funcionários garantiram que é possível atingir ganho de 30% na produtividade.

 
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