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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Novas tecnologias estão propiciando soluções diferenciadas para desinfecção da água destinada ao consumo humano, eliminando os THMs. Assim, hoje a gama de produtos disponíveis vai muito além do cloro e inclui até agentes físicos.

 

Em 1849, o médico inglês John Snow percebeu que a cólera era transmitida pela água, fato comprovado cinco anos depois em um episódio ocorrido em Londres, no qual ele mapeou diversas mortes ocorridas por causa da doença e constatou que todas haviam ocorrido num raio de 230 metros da estação de Broad Street. Impedindo que a população continuasse a se servir da água dessa fonte, as mortes cessaram. Depois disso, outras patologias classificadas como transmissíveis pela ingestão de água contaminada foram descobertas, entre elas a febre tifóide, a hepatite, a gastroenterite e outras. E, ainda que se saiba que a falta de tratamento adequado é uma das causas do maior número de mortes desde a 2ª Guerra Mundial, uma boa parte da população ainda sofre com a falta de desinfecção da água.

Por outro lado, a ciência também progrediu e traz muitas alternativas para permitir uma desinfecção adequada aos diversos tipos de água, levando-se em conta o local da captação, a composição química e o uso a que se destina.

O desinfetante químico de uso mais comum para água potável é o cloro, líquido ou gasoso, largamente utilizado em estações de tratamento de água superficial ou subterrânea em pré ou pós-desinfecção. Mas outras soluções começam a aparecer com destaque como o hipoclorito de sódio ou de cálcio, o ozônio, o dióxido de cloro, o permanganato de potássio, o íon ferrato, o ácido peracético, a mistura ozônio e peróxido de hidrogênio e alguns sais, como os de prata e de cobre.

Além disso, a desinfecção com agentes físicos – especialmente a radiação com ultravioleta – vem sendo estudada como alternativa à cloração até como forma de diminuir a formação de tri-halometanos (THMs), que constituem um grupo de compostos orgânicos que se consideram derivados do metano em cuja molécula três de seus quatro átomos de hidrogênio foram substituídos por um igual número de átomos dos elementos halógenos cloro, bromo e iodo e outros subprodutos com potencial cancerígeno.

Tendências
“A tendência de maior utilização do dióxido de cloro vem se refletindo no incremento de projetos e nas vendas dos insumos geradores desse produto. Esse tipo de tratamento é utilizado, particularmente, em sistemas onde há presença de contaminantes orgânicos, amônia, ou ainda onde exista maior exigência da qualidade da água e/ou do efluente (redução de compostos halogenados). Na maioria dos processos o produto causa menos impacto ao ambiente que o cloro gás ou o hipoclorito de sódio ou cálcio, desinfetantes mais utilizados atualmente”, pondera Carlos Eduardo Kurlbaum, gerente da área de tratamento de águas para a América Latina da Clariant.

Já na visão de Marcelo Ferreira, gerente de produto da ProMinent, são diversos os segmentos que se utilizam da desinfecção de água, portanto cada um terá um futuro distinto. “Na indústria farmacêutica, a tendência será ozônio e UV. Já no segmento para água industrial dependerá da sua criticidade em relação à sua origem e o que se espera da água em relação à qualidade. Mas a tendência deverá ser dióxido de cloro e cloro. No caso da indústria de bebidas, a tendência hoje já é o dióxido de cloro e deve seguir para ozônio e UV. Para o segmento de água potável, a maioria da aplicação é cloro e a tendência seria dióxido de cloro, onde o uso de cloro não se faz eficiente. Já no segmento de água industrial, o futuro deverá ser o dióxido de cloro e ozônio, em virtude de as companhias estarem recuperando ao máximo suas fontes de água para reúso. Outro fato a destacar é a substituição do cloro gás por outras tecnologias, onde não há problemas de manipulação e transporte de cilindros de gases.”

Regina Tie Kawai Shikishima, engenheira de tecnologia e aplicação da Evonik Degussa, por sua vez, pondera que ainda se utiliza sulfato de cobre no controle de algas e cloro na etapa de pré-oxidação em estações de tratamento de água. “A tendência para o futuro é substituir esses produtos por outros oxidantes, como peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, ozônio e desinfecção com reatores de ultravioleta. O peróxido de hidrogênio, além de ser um oxidante eficiente e economicamente viável, é um produto ambientalmente favorável.”

Já Ilana Goldstein, assessora de comunicação e marketing da Epex, lembra que, por causa do aquecimento global, o mercado de tratamento de água tem seguido uma tendência ambiental. “Por isso, o tipo de tratamento mais utilizado hoje em dia tem sido aquele que envolve todo cuidado da conservação da água, do seu uso racional e que utiliza tecnologias que protejam e defendam o meio ambiente.”

“Hoje se utiliza o tratamento convencional ou seja, da coagulação à fluoretação e correção do pH. (processos fisicos/químicos)”, opina, por sua vez, Marco Teixeira, da ARCsul, empresa que conta com o hipoclorito de sódio na linha de produtos.

Mercado
Para Kurlbaum, a preocupação com o melhor uso da água faz com que o mercado venha crescendo significativamente nos últimos anos, seja nos planos público ou privado. “A expectativa com o PAC é grande para um incremento ainda maior nos resultados desse segmento de mercado”, adianta.

Para Ferreira, tanto o segmento industrial quanto aquele ligado às ações de saneamento básico vêm se destacando em relação às tecnologias para desinfecção. “Evidentemente que no segmento industrial, além de haver mais diversidade em especificar água para cada processo, os recursos de investimentos são maiores. Mas temos empresas voltadas para o saneamento que vêm fazendo investimentos consideráveis em relação à desinfecção/oxidação.”

O gerente da ProMinent acentua que “ainda não tivemos impactos do PAC no saneamento, mesmo porque os investimentos do PAC, em nosso ponto de vista está sendo muito utilizado para o tratamento de esgoto, onde aplicação para essas tecnologias são menores. Temos observado que algumas estações de tratamento de efluentes contemplam em seu projeto a desinfecção como tratamento terciário, outras não”.

Estão surgindo outras aplicações ou até mesmo a utilização de duas ou mais tecnologias combinadas para o tratamento da água. Exemplos são dióxido de cloro mais cloro; ozônio mais dióxido de cloro; ozônio mais peróxido de hidrogênio; ozônio mais UV; dióxido de cloro mais UV.

Também apostando na inovação, José Eduardo Gobbi, gerente da Divisão Purate, da Eka Chemicals, acentua que com as exigências de saúde cada vez mais restritivas em relação à qualidade da água produzida para consumo humano e também aos efluentes lançados no ambiente, as novas tecnologias, menos agressivas, estão ocupando cada vez mais o espaço tradicionalmente ocupado por tecnologias de baixo custo, mas sem qualidade: “Destaco a importância disso, porque quando se aplica uma tecnologia simplesmente por custo podemos estar gerando problemas de saúde em médio e longo prazos. A geração de subprodutos precursores de doenças deve ser controlada e não podemos mais aceitar a famosa justificativa de que a legislação não exige.”

Ele acredita que os técnicos devam mesmo ser cobrados via legislação para aplicarem as tecnologias disponíveis de maneira a atender melhor essas exigências técnicas. “A saúde da população no futuro depende totalmente das nossas ações hoje. Assim, entendemos que além de outros produtos químicos as novas tecnologias e também produtos consagrados serão cada vez mais aplicados, juntos ou isoladamente, para melhor atender as novas exigências”, defende.

Por outro lado, o gerente da Eka avalia que tanto o mercado brasileiro como o mercado mundial estão atentos às exigências cada vez mais restritivas para a qualidade da água tratada, como também dos efluentes tratados e lançados no ambiente. “E a nossa empresa está cada vez mais investindo nessa conscientização e mudança de hábitos entre os técnicos. Não estamos apenas descrevendo a história e sim fazendo parte dessas mudanças, que para a sociedade são muito importantes. Precisamos vencer alguns paradigmas técnicos baseados no custo final. Recentemente, observamos um grande trabalho técnico desenvolvido por diversos professores no Brasil onde a conclusão técnica era simplesmente de valor econômico. Acreditamos que esse tipo de trabalho está com os dias contados e que realmente a valorização técnica para a solução ecologicamente correta seja a definida em breve por todos os profissionais do setor de saneamento básico e meio ambiente. No passado recente ninguém acreditava na reciclagem do lixo e hoje observamos que isso até se tornou economicamente viável. A maior barreira ainda são as decisões sem fundamento técnico e às vezes apenas através da vontade político-financeira.”

Ilana, de sua parte, considera que “o consumo da água do planeta multiplicou-se por seis no século 20, duas vezes a taxa de crescimento da população mundial. Dados da ONU mostram que 1,1 bilhão de pessoas em todo o mundo não tem acesso à água potável. O mercado vem se desenvolvendo significativamente em ações sociais, como por exemplo na adoção de uma comunidade com pouco ou nenhum acesso à água potável. Angola tem sido um dos principais países do continente africano que têm feito esse tipo de ação para o desenvolvimento dessas comunidades. Esse setor tem ampliado muito, garantindo o desenvolvimento mundial e crescido economicamente.”

Para ela, tanto o setor industrial quanto o de saneamento básico têm crescido. “As indústrias modernas têm usado, tratando e reutilizando, os seus recursos hídricos de forma cada vez mais eficiente. Além da economia direta, essa prática é bem vista por órgãos certificadores e pela sociedade, uma vez que não há desperdício dos recursos naturais.”

Considerando que “em relação à utilização de produtos químicos no tratamento de água potável o setor de saneamento básico se destaca”, Regina afirma que “não foram observadas ainda melhorias nos resultados decorrentes do PAC, pois os projetos enviados ao governo estavam em fase de aprovação. O BNDES aprovou o primeiro crédito para saneamento com recursos do PAC no início deste mês. Para podermos mensurar a influência do PAC na venda de produtos químicos para saneamento será necessário verificar a origem do recurso com o qual estará sendo comprado o produto químico.”

Ela que conta que “a Evonik Degussa iniciou a aplicação de Hyprox (peróxido de hidrogênio da marca Evonik) no tratamento de água potável para controle de algas e como pré-oxidante, em 2001, na ETA da Águas do Paraíba e na ETA Cerquilho; em 2002, iniciou o fornecimento de assistência técnica à Sabesp, unidade Baixo Cotia; em 2003, para a unidade Alto Tietê e em 2004 para a unidade Rio Grande. A Sabesp começou a utilizar o produto Hyprox em 2004. Atualmente há pelo menos oito unidades da Sabesp utilizando o produto e e esses números tendem a aumentar”, projeta.

De acordo com Gobbi, para o PAC influenciar o setor de produtos químicos no saneamento básico precisamos aguardar a inauguração dos projetos em andamento. Ou seja, as indústrias químicas aumentarão os seus volumes se os contratos efetivamente se concretizarem e se as tecnologias adotadas de tratamento desenvolvidas forem para tratamento em nível secundário ou até terciário, o que não parece ser ainda a realidade do Brasil. “Portanto, como a maior parte desses investimentos ainda é dedicada a estações de tratamento de esgotos domésticos por processo de tratamento por lagoas com a redução de matéria orgânica por motivos de custos de investimentos e operacionais, eu não acredito que o PAC nesse momento representará um acréscimo significativo de investimento para ampliação de volumes de vendas nos próximos anos para as indústrias químicas dedicadas ao setor de saneamento básico.”

Produtos
A Clariant fabrica todos os insumos para geração de dióxido de cloro, através da rota clorito, ou seja, clorito de sódio, ácido clorídrico e hipoclorito de sódio. Dispõe dos produtos em diferentes concentrações, assim como diversos equipamentos de geração, que são desenhados de acordo com a necessidade dos clientes. Podem ser usados em qualquer processo de desinfecção de água, seja municipal ou industrial. O dióxido de cloro está entre os mais nobres e eficientes agentes desinfectantes disponíveis no mercado. Sua utilização apresenta melhor relação custo-benefício em diversas situações, especialmente em águas com contaminantes orgânicos. O produto é utilizado hoje em estações de tratamento de água potável, indústrias de bebidas, indústrias de alimentos, refinarias, petroquímicas etc.

A ProMinent conta com tecnologia para geração do dióxido de cloro, ozônio, UV, cloro através da eletrólise do cloreto de sódio, bombas dosadoras para dosagem de hipoclorito de sódio/peróxido de hidrogênio, sistema de diluição de cloro em pastilha, medidor e controlador de dióxido de cloro, ozônio e hidrogênio. Essa linha pode ser usada em tratamento de água industrial, potável, mineral, residual e injetável.

A Epex fabrica filtros da alta-altura, para tratamento de água potável. Dependendo do resultado da análise físico-química da água, que varia por diversos fatores, é necessário utilizar elementos filtrantes específicos para cada finalidade de tratamento. A Epex utiliza areia filtrante, carvão ativado, antracito, MF 574 e zeolite.

O filtro de alta-altura é importante para o tratamento de água potável, pois a água demora mais tempo a passar em seu leito filtrante. Quanto mais tempo a água permanece no leito filtrante, maior é a qualidade de filtração. Esses elementos filtrantes podem ser utilizados para a retirada de coliformes fecais, excesso de ferro, impurezas, remoção de gosto e odor estranhos à água, remoção de turbidez, cor, uréia e amônia.

A Evonik Degussa fabrica e comercializa peróxido de hidrogênio, produto ambientalmente favorável, pois seus produtos de degradação são somente água e oxigênio. Pode ser utilizado no controle de cianobactérias (ou algas azuis ou cianofíceas), responsáveis pela liberação de cianotoxinas, prejudiciais ao ambiente e à saúde humana. Estudos realizados sobre a ação de produtos químicos na cianobactéria Aphanizomenon flos-aquae, o peróxido de hidrogênio nas concentrações de 1 – 2 mg/L causou toxicidade fisiológica nas algas, sem causar danos excessivos à membrana celular e, conseqüentemente, liberando baixas quantidades de carbono orgânico dissolvido (DOC) e geosmin. O cloro, sulfato de cobre e permanganato de potássio, no entanto, em dosagens abaixo das usualmente utilizadas no tratamento de água, causaram toxicidade fisiológica às algas com liberação de altas quantidades de DOC e geosmim.

O peróxido de hidrogênio é também utilizado na oxidação de matéria orgânica na etapa de pré-oxidação em estações de tratamento de água potável, evitando assim a formação de subprodutos da cloração na etapa posterior de desinfecção com cloro.

A Eka Chemicals desenvolveu e comercializa a tecnologia SVP-Pure Purate para geração de dióxido de cloro. Esse conhecimento desenvolvido ao longo dos anos possibilita que a empresa seja a maior produtora de clorato de sódio do mundo para a geração de dióxido de cloro e a única a possuir tecnologia para fabricar os seus próprios geradores, tanto em pequenas escalas como para grandes produções na indústria de branqueamento de celulose. Essa tecnologia pode ser usada nos sistemas de tratamento de água para consumo humano, para uso industrial e para sistemas de tratamento de efluentes industriais e domésticos. Existem outras aplicações possíveis, como controle de mexilhões, controle de odor, oxidação de fenol e sulfeto e controle de tri-halometanos e principalmente de ácidos haloacéticos.

“O dióxido de cloro gerado pela tecnologia SVP-Pure Purate, que é diferente de outras tecnologias disponíveis no mercado, proporciona uma solução de dióxido de cloro ECF (Elementary Chlorine Free, ou seja sem cloro) e principalmente sem a utilização de clorito de sódio no processo de geração. O princípio básico da nossa tecnologia é o clorato de sódio, com comprovada eficiência em comparação com as demais tecnologias disponíveis no mercado mundial. A nossa tecnologia é diferente essencialmente em relação à solução de dióxido de cloro gerada como também em relação à tecnologia do gerador SVP-Pure, desenvolvido especificamente para essa finalidade. A solução de dióxido de cloro gerada pela nossa tecnologia não pode ser comparada com outros processos de geração e deve ser avaliada independentemente. Os nossos clientes reconhecem a grande diferença entre as tecnologias de geração de dióxido de cloro em operação no Brasil e no mundo”, explica Gobbi.

“O Sistema Purate + SVP-Pure é a tecnologia para geração de ClO2 por intemédio de processo seguro, com alto rendimento e gerado no local de utilização, sem o uso de gás cloro ou de clorito. O sistema da Eka proporciona custos operacionais significativamente menores que outros processos existentes e que operam com outros químicos. O Purate é uma solução que inclui clorato de sódio e peróxido de hidrogênio patenteada e produzida na Eka Chemicals do Brasil em Jundiaí, São Paulo”, diz Gobbi, acrescentando que o gerador SVP-Pure é um sistema patenteado e projetado para produção de ClO2 até 50kg/h (100lb/h) por unidade, sendo possível o desenvolvimento de equipamentos com capacidades maiores. “O ClO2 gerado a partir da tecnologia Purate é utilizado para desinfecção, oxidação de matéria orgânica – redução de carbono orgânico total –, oxidação de metais pesados, evitar formação de THM, evitar formação de organoclorados, eliminação de fenol, de sulfeto, de ferro e de manganês, redução de cor, sabor e odor, controle de odores gerados nas unidades de tratamento, inibição de corrosão nos sistemas de condução da água, desinfecção após tratamento biológico em unidades de tratamento e outros”, completa.

 
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