Depois de amargar anos de pouco investimento na área, em especial a partir de 2002, o setor de saneamento no Brasil começa a apresentar certa recuperação, com base em concorrências internacionais e no mercado privado, em especial nos setores de petróleo e gás, siderurgia e papel e celulose.
Para Gilson Cassini Afonso, presidente do Sindesam (Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico), a expectativa em relação ao ano de 2008 é muito grande no mercado, porque 2007 já foi um ano de recuperação. “Estamos vindo de uma fase muito difícil, causada pela proibição de novos financiamentos pela Caixa Econômica Federal ao setor, determinada pelo governo de Fernando Henrique Cardoso. Assim, 2003 e 2004 foram os piores anos para o saneamento no Brasil. Agora, com o novo quadro montado pelo atual governo, as empresas que contam com concorrências internacionais estão conseguindo levar a cabo seus projetos.” Afonso ressalta as empresas privadas, com destaque para a Petrobras, que, a partir do alinhamento dos combustíveis ao mercado internacional também apresenta a necessidade de adequar os tratamentos de efluentes a essa nova realidade.
Também os novos empreendimentos em papel e celulose e o desenvolvimento da siderurgia são fatores importantes para o crescimento do setor.
Para Norberto Pereira Martins, superintendente de equipamentos da Centroprojekt Brasil, “a cada dia, as empresas buscam cada vez mais o aperfeiçoamento tecnológico, investindo em novas alternativas para a melhoria dos processos, beneficiando cada vez mais a eficiência dos processos de tratamento. Particularmente para o desenvolvimento de equipamentos, vemos um avanço maior em desenvolvimento tecnológico, com a maioria das empresas do ramo buscando sempre inovações desenvolvidas no exterior, trazendo para nosso mercado o que há de melhor em equipamentos”.
Já Rubens Francisco Júnior, diretor de tecnologias e processos de tratamento da Aquamec, pondera que os processos de decantação são utilizados nos mais diversos tipos de indústrias, com a finalidade principal de separação sólido/líquido, a separação de metais pesados após etapa preliminar de ajuste de pH, coagulação e floculação, e para a remoção de DBO/DQO em efluentes com poluentes orgânicos, com ou sem uma etapa preliminar de coagulação e floculação com a adição de produtos químicos. “É um mercado que sempre existiu e sempre terá a necessidade de aplicações as mais diversas, com exigências crescentes em termos de aumento de eficiência e interligação com outros processos unitários dentro da indústria, com ou sem reaproveitamento de produtos, recirculação de produtos químicos, redução da produção final de lodo, redução das operações unitárias integradas etc.”, dispõe.
Lazló Morvai, consultor da Pieralisi do Brasil, considera que, começando com a área de saneamento, no Brasil ainda há muito para fazer e o progresso será lento. “Não podemos esquecer que os processos convencionais de tratamento de água e de efluentes, tanto biológicos como físico-químicos, não destróem ou fazem sumir os poluentes, mas transformam esses materiais, que geralmente estão dissolvidos ou em forma coloidal em sólidos, tornando-os separáveis com maior facilidade. Obviamente, surgem novos processos de tratamento, que prometem reduzir ou eliminar a produção do lodo. A maioria deles não será aplicada em grande escala, sendo que ainda representam investimento e custo operacional muito alto, como a oxidação via úmida, ou exigem um sistema de monitoramento e controle muito sofisticado e preciso, como os processos biológicos otimizados para reduzir a produção do lodo.” E conclui: “O mercado do saneamento, mesmo que esteja garantido nas próximas décadas, sempre será limitado. Grandes projetos de saneamento não acontecem todo ano, só podemos contar com a demanda das obras menores. A substituição dos decantadores existentes só começará daqui a dez ou 15 anos, já que falamos que a vida útil desse tipo de máquina é de 25 a 30 anos. Por isso não existe empresa que fornece máquinas de centrifugação somente para o saneamento básico.”
Tendências
Francisco Júnior enfatiza que “os processos convencionais são bastante utilizados em inúmeras aplicações, seguidos da decantação lamelar e da decantação com recirculação de lodo, dependendo da situação, da disponibilidade de área e dos objetivos a serem atingidos”. Entretanto, o executivo da Aquamec lembra que “outros processos têm sido utilizados como alternativa aos processos de decantação, com mais tecnologia agregada e eficiências mais elevadas, com redução da área necessária, tais como os processos de flotação por ar dissolvido e os de membranas de micro e de ultrafiltração”.
Hoje em dia, os tratamentos mais utilizados se encaixam nos exemplos citados na resposta anterior, com grande preocupação das empresas do segmento em dar continuidade ao avanço tecnológico desses equipamentos, buscando sempre a melhor eficiência no processo. Existe uma tendência a compactar as unidades de separação água/sólido, seja pelo uso de lamelas ou módulos tubulares maiores, uso de floculação lastreada ou pelo uso de flotação a ar dissolvido. Portanto, há a possibilidade de substituição em determinadas aplicações, dos decantadores citados até então, por membranas.
Morvai, por sua vez, assevera que se pode dizer que na desidratação do lodo o decantador centrífugo já superou definitivamente as aplicações antigas baseadas na filtração. “Hoje é difícil encontrar um novo projeto de ETE ou ETA sem decantador centrífugo. No começo dos anos 90, houve mercado para 10 a 15 decantadores por ano. Hoje só a Pieralisi vende ao redor de 50 equipamentos. A desidratação de lodos inorgânicos de ETA ou de efluentes da indústria cerâmica é um bom exemplo. Nesses casos, apesar de o peso específico relativamente elevado dos sólidos facilitar a separação por decantador centrífugo, por outro lado pode causar problemas mecânicos, que antes descartavam a aplicação desse equipamento. Nós não só conseguimos adaptar o decantador para essa finalidade, mas fidelizamos como clientes alguns grupos industriais do setor.”
Além disso, Morvai salienta que hoje se presencia uma mudança de paradigma na área de tratamento de resíduos: “O lodo, em muitas ocasiões, não é tratado mais como lixo, mas como um subproduto. Conseqüentemente, o tratamento de lodo não é visto mais como um mal necessário, que se falha pode causar a parada da fábrica, mais muitas vezes é considerado como parte da produção. A aplicação do decantador ou outras centrífugas, sendo equipamentos compactos, eficientes com fácil automação, atende muito bem esses novos desafios.
Produtos
A Centroprojekt Brasil fornece sistemas e equipamentos para tratamento de água, efluentes e tratamento de ar. “Inicialmente a empresa se consolidou no mercado com sua vasta experiência no desenvolvimento de sistemas para tratamento de água e efluentes, para estações sanitárias ou industriais. Hoje também atuamos no tratamento de ar, com implementação de equipamentos para empresas de vários segmentos. Para os sistemas de tratamento de água e esgoto, temos tecnologia própria para vários tipos de equipamentos. Normalmente os mesmos são implementados nos sistemas, mas também são solicitados de forma avulsa para sistemas de outras empresas. Contamos ainda com subfornecedores de tecnologias específicas”, assegura Martins.
Entre os equipamentos da Centroprojekt estão gradeamento de remoção de areia, aeradores, misturadores, adensadores, decantadores e peneiras.
Fundada por profissionais altamente qualificados e com ampla experiência no setor, a Aquamec Equipamentos atua desde 1994 na área ambiental, com especialização em projeto, produção, instalação e operação de equipamentos e sistemas em regime turn-key – destinados ao tratamento de água potável e industrial, de efluentes hídricos municipais e industriais e no reúso dos efluentes tratados.
“Basicamente para os processos de decantação, são aplicados os decantadores, que são fornecidos de acordo com as exigências de processo. Temos várias condições de projeto que nos levam a ter uma gama dessa linha de equipamento, que é aplicada de acordo com a necessidade específica de decantação. Os tipos de processo variam em virtude do segmento de tratamento, seja ele industrial ou biológico”, pontua Martins.
Ele especifica que na indústria papeleira são usados os decantadores primário circular de acionamento periférico, primário circular de duplo acionamento periférico, secundário circular de acionamento periférico, secundário circular de acionamento periférico por sucção e secundário retangular do tipo ponte rolante por sucção. No caso da indústria siderúrgica, há os decantadores circular de acionamento central e retangular tipo ponte rolante. Já para estações de tratamento sanitário são empregados os decantadores circular de duplo acionamento periférico, circular de acionamento periférico e decantador retangular do tipo ponte rolante por sucção. Por fim, para tratamento de água, Martins elenca a decantação acelerada com módulos tubulares, com ou sem remoção mecânica, e o decantador convencional circular ou retangular.
A Aquamec fornece sistemas completos para tratamento de água para fins potáveis; tratamento de água para fins industriais; tratamento de esgotos sanitários; tratamento de efluentes líquidos industriais; estações compactas para tratamento de água e efluentes; reúso de efluentes tratados; desinfecção por ultravioleta e cloração. Além disso, conta com os sistemas tradicionais de dosagem de produtos químicos; decantação e filtração; desmineralização; filtros biológicos e lodos ativados. Em sistemas avançados, possui ozonização, filtração em membranas, osmose reversa, flotação, sistema de inertização de lodo e secagem térmica.
A Aquamec ainda possui uma ampla linha de equipamentos destinados ao tratamento de água e efluentes, tais como grades de barras, peneiras finas, bombas parafuso, removedores de areia, aeradores mecânicos superficiais, difusores de ar, removedores/clarificadores de lodo, adensadores de lodo, desidratadores de lodo, dragas compactas para lagoas, dosadores, medidores e controladores, misturadores e floculadores, flotadores, separadores de água e óleo, filtros de areia contínuos, módulos tubulares para decantadores, equipamentos auxiliares e componentes.
A empresa italiana Pieralisi iniciou as atividades no Brasil em 1995. Foi a época do início dos grandes projetos de meio ambiente, como a despoluição do Rio Tietê em São Paulo e a despoluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Esses projetos ampliaram as oportunidades do mercado dos equipamentos do saneamento, entre eles dos equipamentos de desidratação mecânica de lodo. Por isso o decânter centrífugo otimizado para desidratação de lodo foi o primeiro equipamento que comercializou e que fez o nome da Pieralisi conhecido e respeitado no mercado nacional. Alguns anos mais tarde, ficou claro, que para as grandes empresas de saneamento o transporte e a deposição final do lodo desidratado representam parte muito significativa dos custos operacionais. A necessidade de reduzir esses custos exigiu tecnologia que permitiu redução maior de volume do lodo excedente, ou seja, secar o lodo mais que qualquer equipamento de desidratação mecânica. Atendendo a essas exigências, a empresa começou a oferecer os secadores térmicos.
Além da desidratação de lodos gerados em ETEs e ETAs, outras aplicações são importantes, como a separação de borra oleosa com objetivo de recirculação de lubrificantes, a aplicação na indústria de alimentos, como recuperação de gordura e proteína de caldo de cozimento de carne e de peixe; produção de proteína de soja; produção de açúcar líquido, de óleo vegetal ou de suco de frutas. Outra aplicação já tradicional é a dos decantadores centrífugos nas graxarias e nas linhas de subprodutos dos abatedouros, para remoção de sólidos finos da gordura animal. O setor energético, a produção de biodiesel, as usinas hidroelétricas e a purificação de óleo lubrificantes das turbinas também podem usar as centrífugas. A indústria química, em qualquer processo que resulta das fases de sólidos e líquidos ou duas fases líquidas (extração, por exemplo) pode aplicar algum tipo de equipamento de centrifugação. O trabalho da empresa é encontrar o equipamento mais adequado para os clientes.
“O nosso grande lance nos últimos anos foi a introdução da linha enológica, composta de decantador centrífugo e centrífuga vertical para produção de suco de uva e de vinho. Esses equipamentos oferecem maior eficiência e melhor qualidade que as aplicações tradicionais. A produção de biodiesel também ofereceu novos oportunidades e novos desafios também, já que essas máquinas, além de altamente confiáveis, devem ser à prova de explosão”, assinala Morvai. No mesmo tempo, para atender melhor os usuários do decantador centrífugo foram desenvolvidos equipamentos complementares, como o adensador dinâmico, que em muitos casos torna o processo de desidratação do lodo mais eficiente, e o sistema de preparo e dosagem de polieletrólito, já que 90% das aplicações do decantador necessitam da aplicação desse produto químico.
“Hoje oferecemos sistemas completos de desidratação, montado em skid. Esse produto foi muito bem-aceito, porque o cliente não precisa se preocupar com obras civis e com a montagem e interligação dos equipamentos. Além disso, essa solução oferece uma mobilidade para o sistema. Imagine uma empresa de saneamento que opera várias ETEs pequenas; não precisa instalar um sistema em cada estação, mas pode montar o skid num caminhão e fazer um rodízio de desidratação entre elas e assim reduzir os investimentos. Esses skids são ideais também para prestadores de serviços de limpeza de lagoas, que trabalham com instalações temporárias. Ultimamente estamos trabalhando muito para promover outros tipos de centrífugas, como a centrífuga vertical, que permite a separação de dois líquidos ou de líquidos e sólidos. Essas centrífugas clarificadoras de disco trabalham com rotações maiores que os decânteres centrífugos, de 5000 a 7000 rpm, e podem remover sólidos finos com eficiência superior a 99%”, finaliza.
Paulo Alves Ferreira, engenheiro da Durana Técnica em Plástico, conta que desde 1975 a empresa tem uma linha de produtos de fibra de vidro para tratamento de águas e efluentes, ou seja, módulos tubulares de decantação, calhas coletoras, vertedores, medidores de vazão calha Parshall e peças especiais sob desenho para praticamente todos os processos de decantação. “Desconhecemos qual o tipo de tratamento mais utilizado hoje em dia. Porém, o crescimento do mercado no Brasil e no mundo é constante e permanente em razão da conscientização e exigência de maior controle da poluição ambiental”, afirma Ferreira. |