As atividades humanas, sejam de que segmento forem, são sempre vistas como vilãs quando o assunto é consumo de água. A agricultura, a pecuária, os esportes, todos têm o seu consumo estudado. Mesmo assim, estatísticas sobre o quanto se gasta desse recurso mineral assustam qualquer leigo. A indústria, outra atividade bastante criticada pelos ambientalistas no tocante ao consumo de água, vem fazendo a lição de casa e procura formas de minimizar os desperdícios e mudar seus processos para diminuir a necessidade do insumo.
As empresas que atuam no segmento de alimentos e bebidas, que usam a água como matéria-prima, apresentam cada vez mais alternativas para preservar essa riqueza mineral, garantindo não só a sua oferta para a população como economizando para a sua própria sobrevivência. Assim, novas formas de produção, caça ao desperdício, tratamento de efluentes e reúso de água em sistemas fechados são algumas das práticas hoje imprescindíveis ao setor.
Na edição comemorativa do Dia Internacional da Água e de um ano de revista H2O Água, destacamos algumas experiências que vêm sendo feitas no Brasil pelo segmento, como as da AmBev, Coca-Cola, Cadbury Adams e Unilever, todas multinacionais, e da Piá, uma cooperativa de leite gaúcha 100% nacional. Com o case da Total também mostramos um pouco do que uma produtora de rações para animais de estimação pode fazer.
Cerveja e refrigerantes menos “aguados”
A AmBev comemora os resultados das práticas do seu Sistema de Gestão Ambiental de 2007 com uma boa notícia: em um ano, a companhia reduziu de 4,30 litros para 4,19 litros a água usada na produção de cada litro de cerveja. A economia gerada com a redução representa, em volume, a quantidade de água suficiente para abastecer uma cidade de 200 mil habitantes por um mês. No total, em cinco anos a AmBev reduziu em 22% o índice geral de consumo de água.
Quando se trata de refrigerantes o índice é ainda melhor. A média usada pelas unidades da AmBev que produzem refrigerante em 2007 foi de 1,71 litro de água para cada litro produzido de bebida. A conquista é maior em algumas unidades que se destacaram por alcançarem uma redução ainda mais significante na média do ano passado na AmBev. A filial Jundiaí, por exemplo, reduziu de 1,78 litro para 1,63 litro a água usada na produção de cada litro de refrigerantes, tornando-se referência entre todas as unidades da companhia. Em 2006, a filial Contagem, de Minas Gerais, atingiu um recorde histórico de economia, chegando a 1,25 litro de água para cada litro de bebida fabricado.
"A gestão de recursos hídricos é uma prioridade para a AmBev, por isso implementamos uma série de medidas em todas as unidades, tanto no Brasil como no exterior, e cada uma das unidades tem metas de redução de consumo de água", diz Beatriz Oliveira, gerente corporativa de meio ambiente da AmBev. "O foco na racionalização de um bem tão precioso, além de contribuir com a preservação ambiental, reduz os custos de captação e tratamento de água", explica.
A AmBev reaproveita ainda toda a água proveniente da produção em atividades como lavagem de tanques, garrafas e limpeza em geral. A água que enxágua as garrafas é aproveitada, por exemplo, para lavar os engradados. Na pasteurização, a mesma água usada para elevar a temperatura da cerveja é usada para resfriá-la. Esse circuito fechado reduz a necessidade de captação.
Para a empresa, é de extrema importância devolver toda a água usada dentro das fábricas à natureza com alta pureza. Para isso, possui, ao todo, 37 estações de tratamento instaladas nas fábricas nas Américas. Juntas, possuem capacidade para tratar 200 mil metros cúbicos de efluentes por dia, índice suficiente para abastecer uma população de 4,5 milhões de habitantes. Para garantir a eficácia dos treinamentos oferecidos aos funcionários para a redução do consumo de água nas unidades, todas as fábricas seguem os "Mandamentos da Água", documento que estabelece os padrões, ações e critérios para a diminuição de consumo, eliminação de desperdício e aumento do reaproveitamento do recurso.
Para checar o andamento das ações praticadas pelos funcionários, a AmBev acompanha constantemente os índices de cada uma das fábricas. Para isso, foram instalados medidores especiais em cada etapa do processo produtivo. Todas as áreas de trabalho recebem uma meta de consumo e toda a água excedente é reaproveitada em atividades que não envolvem a elaboração de produto. “Envolvemos todas as unidades em treinamentos sobre o consumo responsável. A conquista de índices tão satisfatórios é o resultado de uma ação conjunta de toda a AmBev por um mesmo fim: a economia de água", finaliza Beatriz.
Objetivo: 20% a menos no consumo
A Cadbury Adams, subsidiária da Cadbury Schweppes, uma das maiores empresas de confeitos do mundo, estabeleceu para o ano de 2008 uma ambiciosa meta: diminuir em 20% neste ano o consumo de água na unidade industrial de Bauru (SP). Além disso, a empresa conta com uma estação de tratamento de resíduos industriais em sua unidade fabril. Com isso, todo o esgoto sanitário e industrial passa por uma série de processos de purificação, até que a água utilizada na fábrica fique 99% livre de impurezas. A água segue, então, para o rio Bauru, e volta limpa para o ambiente.
A estação de tratamento de resíduos industriais tem capacidade para tratar até 450 mil litros de água residual por dia. Todo o dejeto restante do processo de purificação da água é enviado para uma empresa terceirizada e transformado em adubo.
“A fábrica de Bauru está cumprindo um dos compromissos globais de responsabilidade social da Cadbury Schweppes, que é o de preservar o ambiente e manter um desenvolvimento sustentável de suas operações”, afirma Victor Salcedo, diretor da fábrica de Bauru.
Presente no Brasil há 63 anos, a empresa pertence ao grupo internacional Cadbury Schweppes e é líder no segmento de confeitos no País. Desde 2003, quando a Cadbury Schweppes adquiriu globalmente a Adams, o grupo ganhou a posição de líder no mercado global de confeitos e, no Brasil, a companhia passou a ser conhecida por Cadbury Adams. A companhia emprega 2 mil pessoas no País e possui uma das mais modernas fábricas de confeitos do mundo. Seu portfólio conta hoje com marcas muito conhecidas, como Trident, Clorets, Chiclets, Ping Pong, Ploc, Bubbaloo e Halls.
Consumo abaixo da média internacional
O Sistema Coca-Cola Brasil, formado pela Coca-Cola e 17 grupos fabricantes brasileiros, além da Leão Junior, Del Valle e Minute Maid Mais, emprega diretamente 34 mil funcionários, gerando indiretamente cerca de 310 mil empregos. O Sistema Coca-Cola Brasil investiu quase R$ 4 bilhões no Brasil nos últimos cinco anos e está presente em sete segmentos do setor de bebidas não-alcoólicas – águas, chás, refrigerantes, sucos, energéticos, isotônicos e lácteos –, com uma linha de mais de 150 produtos entre sabores regulares e versões de baixa caloria. O Instituto Coca-Cola Brasil é o responsável pelos projetos sociais e ambientais de âmbito nacional do Sistema Coca-Cola Brasil. Alinhado à tendência mundial na busca pela economia de recursos naturais por indivíduos e instituições, o Sistema Coca-Cola Brasil adotou a nova política mundial da empresa, baseada nos 3 "Rs": reduzir a água usada na produção de bebidas; reciclar essa água; e reabastecer as comunidades e a natureza. Além disso, deu prosseguimento ao "Programa Água Limpa", que também envolve seus 17 fabricantes. O resultado foi a média de consumo de 2,1 litros de água (incluído o litro dentro da embalagem) para cada litro de bebida produzido em 2007, reduzindo 5% em relação à média de 2006. Há 11 anos, o consumo de água na Coca-Cola Brasil era de 5,4 litros por litro de bebida produzida.
De acordo com o diretor de meio ambiente da Coca-Cola Brasil, José Mauro de Moraes, os 5% de economia de água da Coca-Cola Brasil são suficientes para abastecer 37,5 mil famílias de quatro pessoas durante um mês, considerando um consumo de 200 litros de água por pessoa por dia.
Os índices apresentados pelo Sistema Coca-Cola Brasil resultaram de iniciativas e investimentos realizados pela Coca-Cola Brasil e pelos 17 grupos fabricantes com o objetivo de otimizar a utilização da água. Os fabricantes da Coca-Cola Brasil concentraram seus esforços na reutilização da água em diversas etapas da linha de produção, tendo como ferramenta principal as estações de tratamento de água. A associação de diversas medidas para economia de água garante integridade absoluta do produto, continuidade de fornecimento e redução de custos de fabricação.
Algumas fábricas do Sistema Coca-Cola Brasil apresentam consumo na faixa de 1,4 litro para cada litro de bebida. Para essas, reduzir ainda mais o consumo de água representa um grande desafio a ser vencido. A forma de economia que resta está na captação, deixando de usar água do fornecimento público e partindo para a captação própria, incluindo água da chuva. O sistema já funciona com sucesso no edifício-sede da Coca-Cola Brasil, no Rio de Janeiro, desde meados de 2005, no qual a água da chuva é utilizada para alimentação das torres de refrigeração (ar-condicionado). Outra iniciativa é o uso de torneiras de fechamento automático nos banheiros. A Spaipa, fabricante que atua no Paraná, conta com sistema de captação de água da chuva nas suas duas fábricas.
Para a Coca-Cola, tão importante quanto garantir o sucesso de suas operações é garantir o desenvolvimento sustentável e a conservação dos recursos naturais necessários para o negócio, que são finitos e partilhados com todos. A Coca-Cola considera muito importante que a sua atuação em uma comunidade tenha impactos positivos em sua economia, gerando empregos e oportunidades para a população e o mínimo impacto ambiental.
A preocupação ambiental faz parte da filosofia de trabalho da Coca-Cola, que possui políticas, programas, requisitos e diretrizes voltados para a área de meio ambiente, que compõem o Sistema de Gestão Ambiental da Coca-Cola, o eKOsystem. Entre esses programas destaca-se o "Água Limpa", que trata, entre outras coisas, da qualidade da água que é devolvida à rede de esgoto pelos fabricantes e da economia na utilização desse bem cada vez mais escasso no planeta.
Outra iniciativa é o programa “Água das Florestas Tropicais Brasileiras”, que promoverá a recuperação de bacias hidrográficas por meio do reflorestamento de matas ciliares. O programa prevê o reflorestamento de 3 mil hectares, com investimento de R$ 27 milhões até 2011 e plantio de 3,3 milhões de mudas de espécies nativas. O programa conta com o patrocínio também da Coca-Cola Femsa, fabricante autorizado na região de São Paulo e Mato Grosso do Sul.
Na fase inicial, a Fundação SOS Mata Atlântica é a responsável pela mobilização dos proprietários de terra, engajamento social e monitoramento da qualidade da água. Escolas participarão no projeto para a conscientização da população local sobre a necessidade da conservação dos rios e das matas.
100% nacional
A Cooperativa Piá, com sede em Nova Petrópolis (RS), atua no segmento de laticínios e doces. Em sua indústria de laticínios fabrica iogurtes, bebidas lácteas, petit suisse, requeijão, creme de leite pasteurizado, leite pasteurizado padronizado e leite longa vida (integral, semidesnatado e desnatado). Na indústria de doces, produz doces de frutas, doces de leite, brigadeiro, beijinho e cajuzinho.
A Piá tem como diferencial a gestão ambiental, que garante a destinação ecológica para todo o lixo produzido, incluindo lagoas de contenção para o tratamento e reciclagem da água. Todo esse esforço foi reconhecido há cinco anos, quando a cooperativa conquistou o certificado ISO 14000 de adequação às normas ambientais. Hoje, a Piá conta com 10.800 associados, entre eles, cerca de 4 mil produtores, em 84 municípios gaúchos. Produz em média 420 mil litros de leite por dia.
O grupo tem como unidades as fábricas de lacticínios, de doces e de insumos e rações animais, além de seis supermercados e oito lojas agropecuárias. O faturamento bruto da cooperativa em 2007 alcançou R$ 200 milhões. Os cooperativados recebem assistência e orientação técnica de veterinários e técnicos de campo, com programas de melhoramento genético. Entre as vantagens disponibilizadas pela cooperativa, os produtores aproveitam parcerias com escolas técnicas e universidades, além de intercâmbio com outros países.
A Piá, fundada em 1967, foi a primeira produtora de leite UHT brasileira a obter o rigoroso certificado do sistema APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle). “A água é utilizada em todos os nossos processos industriais. Numa indústria de alimentos, as Boas Práticas de Fabricação (BPF) são essenciais para fabricação de alimentos seguros, ou seja, livres de perigos que possam causar danos à saúde do consumidor. As BPF são regras de higiene e limpeza que evitam a ação de microorganismos nos alimentos. Assim, utilizamos água para higienização das instalações, equipamentos e higiene pessoal. A água também é necessária para o funcionamento de equipamentos de resfriamento e aquecimento”, detalha Fernando Stoffle, técnico de qualidade da Piá.
Os efluentes líquidos gerados são tratados na estação de tratamento de efluentes, composta por três lagoas de tratamento (anaeróbia, aeróbia e de polimento). O efluente é monitorado diariamente a fim de verificar se o tratamento está funcionando adequadamente.
Mais produção, menos consumo
Segunda colocada no 3º Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água, a Unilever tem a sustentabilidade como eixo de seu modelo empresarial nas três unidades situadas no estado de São Paulo. Todas possuem sistema de gestão ambiental baseado no conceito dos três “Rs”, sendo algumas certificadas na ISO 14001. Mesmo com o aumento da produção, a companhia tem reduzido o consumo de água, com um esforço integrado que está dando resultados significativos. Somado a esses esforços, a companhia trata 100% dos efluentes gerados nas fábricas, garantindo assim a qualidade de lançamento nos rios.
De 2003 a 2006, apenas no estado de São Paulo, onde a Unilever possui seis operações, as fábricas reduziram o consumo total de água em aproximadamente 30%. Na prática, o volume de redução de consumo nesse período foi de mais de um milhão de metros cúbicos, ou seja, a performance do consumo de água das operações tornou-se mais eficiente a cada ano por meio de investimentos e tecnologias, mesmo diante do crescimento de 88% da produção nas fábricas paulistas.
A Unilever participa do Consórcio Intermunicipal das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), formado por prefeituras e empresas que promovem ações para a preservação dos mananciais desses rios. Além de uma parceria com a fábrica em Valinhos, a empresa participa de uma publicação chamada “Livro de Orientação ao Educador”, que contribui para a educação ambiental na gestão dos recursos hídricos, com informações que abrangem desde a influência da água na história da humanidade até o impacto dos resíduos sólidos na manutenção dos recursos hídricos e mananciais. Nas unidades de São Paulo o desempenho no reúso da água cresceu de 16% para 23%. Já a carga de DQO (Demanda Química de Oxigênio) foi reduzida em 40%. A geração de efluentes também tornou-se mais eficiente e o volume total de efluentes caiu em 30%.
A fábrica de Foods e IC (alimentos e sorvetes) produz margarinas, sorvetes e food solutions (produtos para restaurantes, lanchonetes, padarias, fast foods e redes de hotéis, como bolos, pães de queijo, caldos, temperos e sobremesas). A fábrica responde pelas marcas de margarinas Becel, Claybon, Delicata e Doriana, alguns caldos Knorr, sobremesas Carte D’Or e sorvetes Kibon – como Magnum Special, Cornetto Barra, Skibon, linha de potes de 2 litros, linha Carte D’Or e Soft Ice (para redes de fast foods).
Localizada no centro de Valinhos, é a principal indústria local e foco de atenção de toda a comunidade. Com a decisão de transferência da fábrica de Santo Arcádio para Valinhos, no segundo semestre de 2006, e a chegada do verão, estação com alto consumo de sorvetes e soft ice, a fábrica foi submetida a um mapeamento de todos os pontos de consumo de água e geração de efluentes.
O projeto de transferência desafiou as áreas de segurança, saúde e meio ambiente a descobrir oportunidades de racionalizar o uso de água e diminuir o volume de efluentes. O balanço hídrico da fábrica buscou o controle de toda a captação e todos os pontos de geração de efluentes. Foram monitoradas as linhas de produção e a forma de limpeza dos equipamentos.
Na avaliação realizada, foi constatado em 2006 que, antes da transferência da fábrica, o consumo de água da unidade de sorvetes em Valinhos era estável. Porém, logo após a mudança e com as novas expectativas de venda, houve aumento significativo da produção de sorvetes. Isso trouxe uma preocupação maior com o impacto ambiental dessa atividade, já que o processo de fabricação de sorvetes e alimentos consome muita água.
A companhia formou então equipes multifuncionais, com engenheiros, profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de processos e operadores da produção, para analisar oportunidades de melhoria. As equipes concentraram a avaliação das principais áreas consumidoras de água da unidade industrial: margarinas, sorvetes, refinaria de óleos vegetais e utilidades.
Na época, a Unilever passou a usar o programa de redução de perdas relacionadas à eficiência de produção, conhecido como Total Perfeição de Manufatura - TPM. O programa determina que quanto maior a produção, melhores devem ser os indicadores ambientais. Profissionais de engenharia e manutenção implantaram melhorias, como o circuito fechado na produção, eliminando o descarte de água. A área de meio ambiente fez o planejamento das ações e o pessoal de manufatura fez o treinamento de funcionários para conscientização e sensibilização sobre como contribuir para o projeto geral. A empresa poderia realizar novos procedimentos e mudar tudo na fábrica, porém, sem a conscientização dos trabalhadores, isso não traria resultados.
Hoje, qualquer operador pode falar sobre a importância da água para a unidade. O Diálogo Diário de Segurança e Meio Ambiente faz parte da rotina dos trabalhadores e todos os novos funcionários recebem treinamento antes de ingressar na unidade. Do processo de fabricação até a linha de envase de produtos foi implantado sistema automático de limpeza que utiliza pequena quantidade otimizada de água sob alta pressão. Para implantá-lo houve grande detalhamento do projeto, a fim de encontrar o equilíbrio entre o uso da água e o risco nulo de contaminação de produtos.
Foi implantado o reúso de água de resfriamento em alguns pontos dos processos de preparação de sorvetes e soft ice. Há ainda o reúso da água utilizada para a última etapa de limpeza das linhas e do condensado do sistema de vácuo da Refinaria de Óleos Vegetais. Com todas as melhorias implementadas e a transferência de fábrica, a unidade de Valinhos, Foods e IC, reduziu seu consumo de água, entre 2004 e 2007, em aproximadamente 21%.
Para manter o padrão de eficiência da sua estação de tratamento de efluentes mesmo após a transferência da Kibon para Valinhos, foi instalada a tecnologia ultracompacta, conhecida por MBBR (Moving Bed Biofilm Reactor), onde os microorganismos que tratam o efluente crescem fixados em um meio suporte móvel, formando um biofilme. Esse biofilme produz intensa atividade biológica e alto tempo de retenção celular (SRT - Sludge Retention Time) em volumes menores, aumentando a remoção de carga orgânica e carga nitrogenada.
Outro investimento será realizado na ampliação da capacidade da estação de tratamento devido às expectativas de aumento de produção de sorvetes e soft ice. Hoje, ela trata um total de 25 mil m³/mês de efluentes industriais de Foods, IC e HPC. Os recursos deverão aumentar a capacidade em quase duas vezes. A empresa aguarda a emissão das Licenças Ambientais para iniciar as obras de ampliação que consumirão cerca de R$ 3 milhões.
Para a captação de água das unidades de Foods e IC há um poço artesiano já outorgado, com capacidade para 21 mil m³/mês plenamente utilizada, e um poço em processo de licenciamento, com 12 mil m³/mês. Há ainda um lago artificial para captação da água a ser utilizada em caso de combate a incêndio.
Dentro do programa Conviver, realizado pela Unilever para mostrar como é possível produzir próximo da comunidade com qualidade e preservando o ambiente, as unidades HPC e Foods, de Valinhos, promovem, no segundo semestre de cada ano, a Semana da Água, com a participação de 50 escolas da região de Valinhos, 11 mil alunos, pais e comunidades. Em parceria com o Consórcio Intermunicipal das Bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, as escolas criam programas que envolvem a conscientização dos estudantes sobre problemas e soluções relacionados ao saneamento ambiental e ao uso, à proteção e ao gerenciamento de recursos hídricos. Estudantes visitam as fábricas para conhecer o processo produtivo.
Preservação animal
A Total Alimentos, especializada em ração para animais domésticos (pet food), possui uma das fábricas mais modernas da América Latina, num parque industrial de 500 mil metros quadrados, localizada em Três Corações (MG). A Total Alimentos agora se diferencia por agregar conceito de sustentabilidade e traz novo selo que mostra a preocupação da empresa com a sociedade, com a ética e com o meio ambiente. "Por isso, desenvolvemos um slogan que resume esse compromisso e um logotipo que representa esse envolvimento total em ações que refletem os valores que temos como empresa, em respeito aos nossos parceiros, aos consumidores e ao planeta", explica o presidente da empresa, Antônio Miranda de Teixeira Neto.
Quando a questão é meio ambiente, a Total Alimentos se destaca por possuir estação própria de tratamento de água. "Toda a água utilizada pela indústria é potável e os afluentes também são tratados e voltam à natureza limpos e descontaminados", explica Teixeira Neto. Todos os resíduos são encaminhados para reciclagem e a empresa está implantando processo que elimina os particulados dos gases oriundos das caldeiras produtoras de vapor. Além de toda essa parte industrial, a Total mantém 10 alqueires de reserva florestal, com a ampliação da área por meio do plantio gradativo de árvores nativas da Mata Atlântica.
A ética também é um valor que está presente na Total Alimentos, que sempre cumpriu com responsabilidade seus deveres de empresa perante a sociedade, atuando rigorosamente dentro das regras comerciais vigentes. Sempre inovadora e à frente nas tendências do mundo empresarial, a Total Alimentos foi a primeira empresa de pet food a conseguir os certificados de qualidade HACCP - Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle, ISO 9001 e com o BPF/GMP (Boa Prática de Fabricação Codex Alimentarius) Destaca-se pela preocupação em implantar o conceito de segurança alimentar para os consumidores.
Além disso, a empresa tem diversas ações que mostram seu comprometimento social. Um exemplo é a banda composta por crianças carentes que aprendem a tocar instrumentos e se apresentam em vários eventos em Três Corações. Também nessa cidade, a Total patrocina o time de vôlei infantil, em parceria com a Secretaria de Educação. Além disso, a empresa contribui com o Lar Anjo da Guarda, Associação do Voluntariado da Oncologia, Apae, Ancianato Antônio Frederico Ozanan, Creche Estefânia Falcão Margotti, Lar Fabiano de Cristo, e favorece, através de empregos diretos e indiretos, mais de 3 mil famílias na região. |