Cidade com 350 mil habitantes, Bauru fica a 300km a oeste da capital de São Paulo e conta com área de 674km2, o que equivale a uma densidade habitacional de 509,5 habitantes por km2. Apresentando clima tropical temperado, tem médias de temperatura entre 26ºC no verão e 19ºC no inverno. Com sua história iniciada por volta de 1850, com a chegada de agricultores à região oeste do Estado, a cidade se desenvolveu, tornando-se um pólo industrial e importante centro de comercialização de bovinos, eqüinos e suínos. Conta com Estação Aduaneira do Interior, três distritos industriais e aeroporto de grande porte.
Com vistas a tornar ainda melhor as condições de vida da população e permitir aumento de qualidade às indústrias, Bauru vem investindo em diversas obras de infra-estrutura. Entre elas está a modernização de seu sistema de tratamento de água e a canalização e tratamento de esgoto.
Dessa maneira, o DAE de Bauru entregou, em 20 de fevereiro, a primeira fase das obras de modernização do sistema de tratamento de água da cidade. Considerada ultrapassada para os tempos atuais, a atualização da antiga forma de purificação acompanha a evolução tecnológica e efetua pré-cloração ainda na estação de captação do rio Batalha, com o emprego de métodos e equipamentos avançados.
O melhoramento, implantado na Estação de Tratamento de Água de Bauru, substitui a adição manual de produtos nos tanques de tratamento de água, processo em atividade desde a inauguração da ETA, há 36 anos. Uma hora era o tempo estimado para a efetivação do antigo processo de aplicar produtos como cal e sulfato de alumínio à água. Responsável pela produção mensal de um bilhão de litros de água, a ETA possui tanques, decantadores, floculadores e demais equipamentos em sua estrutura. A segunda fase das obras, sem data definida para ser iniciada, será a reforma de toda a parte física das instalações. De acordo com a Divisão de Produção da autarquia, a automatização e o monitoramento eletrônico dão agora mais precisão no gerenciamento dos produtos químicos adicionados na água, em sua fase inicial e intermediária de tratamento.
O processo
Há cerca de três anos, foram iniciados estudos com uma empresa de engenharia para a escolha da melhor forma de tratar a água que é captada do rio Batalha e que representa 40% do que é servido à população. Os demais 60% são captados de poços profundos. Posteriormente contatada, a Prominent, conforme explica o seu diretor no Brasil, Gilmar Pires, tinha como desafio tratar a água captada da lagoa do rio Batalha, de maneira a atender as especificações técnicas definidas na Portaria 518, e executar a pré-oxidação de ferro e manganês, além de eliminar algas, sem gerar THMs, mau cheiro e gosto na água tratada. Por isso a solução encontrada foi a implantação de uma casa de química na captação da água. Extraída da lagoa de captação do Batalha, a água é pré-clorada com dióxido de cloro, produto da mistura de purate e ácido sulfúrico, acondicionadas em dois cilindros próprios que produzem a mistura adequada, que é feita automaticamente, no próprio local. Combinadas, as duas substâncias são dosadas com precisão para o interior de um reator munido de alto controle, responsável pela geração do dióxido. Dessa forma, o gás cloro resultante é adicionado diretamente na adutora principal. A partir daí, 550 litros de água por segundo chegam através das duas grandes adutoras – que passam a conduzir água pré-clorada até a ETA.
Chegando na ETA, novas bombas automatizadas acrescem doses exatas de carvão e cal na água. Esses produtos são gerados no próprio local, por intermédio de equipamentos que preparam ambas as soluções de forma precisa, evitando desperdícios e intervenção dos operadores. Em seguida, equipamentos conectados aos tanques preparam doses recomendadas de sulfato de alumínio, a serem aplicadas na água. Ao mesmo tempo, os tanques convencionais de alvenaria recebem a água já preparada, operando no processo de floculação, decantação e filtração. Com adição final de cloro e flúor na medida certa, a água está pronta para o consumo.
“Embora bem elaborado e com padrões excelentes de qualidade, o sistema está sendo atualizado com instalação de aparelhagem automatizada e produtos químicos de última geração, com aplicação e controle totalmente mecanizados”, explica José Brazoloto, diretor da Divisão de Produção.
O novo método utiliza o dióxido de cloro e substitui o cloro gás, reagente químico atualmente empregado na purificação da água. “A primeira fase do tratamento começa no ponto da retirada de água bruta do rio. No local determinado estão colocados quatro tanques com cerca de um metro de diâmetro. A vantagem é economia gerada pela automatização e controle dos produtos necessários, com a alteração da característica dos componentes de purificação da água” completa Brazoloto.
Pires destaca que o projeto, que conta com a parceria da Eka no fornecimento de químicos, conseguiu atingir seus objetivos: “Eliminamos qualquer possibilidade de fornecer água tratada com problemas de odor e gosto, alcançamos melhora significativa na pré-oxidação de ferro e manganês e registramos melhora também no processo de floculação, aumentando o tempo e campanha dos filtros de areia e conseqüentemente reduzindo o volume de água consumido para retrolavagem.”
Para o presidente do DAE, José Clemente Rezende, os novos equipamentos permitem melhorias no tratamento de água, que passa a ser automatizado. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Walace Sampaio, destaca que o DAE tem conseguido fazer investimentos importantes para a cidade, apesar das dificuldades financeiras que a atual administração herdou.
Esgotos
Mas não apenas a água captada do rio está recebendo investimentos. O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) do tratamento de esgoto, assinado na metade do ano passado pelo governo municipal, prevê o tratamento de um terço do esgoto até o final de 2008 e o tratamento de 100% até 2013. As etapas de execução das obras estão definidas a partir de um cronograma financeiro baseado nos recursos do Fundo de Tratamento de Esgoto, alternativa menos onerosa encontrada para o financiamento das obras, já que em caso de empréstimo seriam cobrados juros, de acordo com o prefeito Tuga Angerami.
José Clemente Rezende, por sua vez, destaca que o prazo do novo TAC poderá ser reduzido caso sejam obtidos recursos do governo do Estado ou da União. Atualmente, 55% dos interceptadores de esgoto já foram implantados na cidade. E o novo TAC prevê, até maio de 2008, a implantação de interceptores de esgoto nos córregos Água do Sobrado (5.400 metros) e Água da Ressaca (6.100 metros), além do ribeirão Vargem Limpa (2.800 metros). Também serão inciadas as operações da ETE do Núcleo Gasparini.
Até dezembro de 2008 deve ser iniciada a operação do primeiro módulo da ETE Vargem Limpa e até abril de 2010 está prevista a construção de interceptores de esgoto no rio Bauru (6.467 metros). Para agosto de 2010, o documento estabelece interceptores de esgoto no córrego Água Comprida (5.530 metros) e a operação do segundo módulo da ETE Vargem Limpa. Até agosto de 2012, a construção de outro trecho de interceptores no rio Bauru (6.242 metros) e no córrego da Grama (6.368 metros). Para dezembro de 2012 está prevista a implantação de interceptores no córrego Vargem Limpa (5.628 metros) e, até dezembro de 2013, o terceiro módulo da ETE Vargem Limpa.
Outros planos
Recuperação da bacia do rio Batalha para garantir a qualidade e quantidade de água fornecida para consumo; reforma da Estação de Tratamento de Água visando a redução de perdas e aumento da capacidade de tratamento; implantação de rede de interceptores, estações elevatórias e de tratamento de esgotos para tratar 100% dos efluentes gerados pelo município. Essas são as prioridades elencadas no Plano Municipal de Meio Ambiente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) para serem concretizadas pelo DAE a partir de 2008.
A boa notícia é que, ao lado de todas essas obras, já em andamento, outras metas de responsabilidade da autarquia inseridas no Plano do Meio Ambiente (Resolução 10/07) estão em andamento ou previstas para serem atingidas de imediato (2008), num período curto (2008-2011), médio (2008-2013) ou longo, com prazo máximo de execução até 2017. “O comprometimento e a união de todos será fundamental para alcançarmos os resultados desejados para as metas mencionadas no Plano Municipal”, observou o presidente do DAE.
O Plano Municipal de Meio Ambiente estabelece ações com grau de prioridade, prazo e órgão responsável. A prioridade muito alta considera o maior impacto sobre a qualidade ambiental e vai diminuindo para “alto” e “médio”, de acordo com o grau de benefício ao meio ambiente. O grau de importância das 15 ações de responsabilidade do DAE, estipuladas no plano, está entre muito alta e alta, o que confere grande responsabilidade por parte da autarquia.
Na área de abastecimento, outra medida estabelecida no Plano Municipal do Meio Ambiente está em andamento: trata-se da revitalização de mananciais para consumo, pertencentes às bacias dos córregos Água Parada e Campo Novo. Metas a serem cumpridas entre os anos de 2008 e 2011 referem-se à legislação de águas subterrâneas para uso racional e preservação de poços e córregos, com a devida fiscalização. Até 2011 deverá também estar legalmente regulamentado o credenciamento e creditação dos laboratórios que executam análises de água nos poços particulares de Bauru e região e implementada política eficiente de combate ao desperdício de água. Nesse aspecto, haverá revisão e regulamentação da lei contra o desperdício existente, conforme previsão no Plano Municipal. Também deverão estar efetivados, no prazo de quatro anos, o controle e fiscalização da contaminação de águas subterrâneas e superficiais por necrochorume em cemitérios, numa ação conjunta com a Emdurb, Semma e sociedade civil.
Na parte de fiscalização, evitar utilização indevida de redes de coleta, que causam vazamentos de esgoto em época de chuvas, é prioridade considerada alta no Plano do Meio Ambiente, que sugere intensificar, em 2008, o combate às ligações clandestinas de esgoto na rede de águas pluviais, com revisão e regulamentação da legislação existente. A médio prazo, num período de seis anos, a meta estabelecida determina criação de programa de redução de perdas no sistema de abastecimento e desenvolvimento de ações e incentivos fiscais direcionados a programas de reúso de água. |