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Brasil, 9 de Setembro de 2010
 
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Rumo à recuperação
Gilson Cassini Afonso
 

Presidente do Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental, Gilson Cassini Afonso afirma que o segmento de saneamento começa a apresentar recuperação depois de amargar alguns dos piores anos da história, com a queda de investimentos e a conseqüente parada nos projetos. Mas, mesmo em compasso de espera pela regulamentação da lei 11.445, os investimentos começam a ocorrer no âmbito público. Por outro lado, na área privada, indústrias do segmento petroquímico, de papel e celulose e siderúrgico estão tirando projetos do papel e movimentando o mercado de máquinas e equipamentos, apesar de ainda sofrerem com os efeitos da valorização do real perante o dólar.

Com 43 anos, Afonso é engenheiro mecânico graduado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) e iniciou sua carreira na área de projetos de equipamentos para tratamento de água e efluentes em 1987, na Filsan Equipamentos Ltda., empresa nacional de grande porte que atuou por mais de 30 anos nos mercados de movimentação e processamento de granéis sólidos, tratamento de água, esgotos sanitários e efluentes industriais, controle de poluição atmosférica e torres de resfriamento de água. Na empresa, ingressou como estagiário, passando pelas áreas de engenharia mecânica de produto, desenvolvimento de produto e gerência de vendas internacionais.

Desligou-se da Filsan em 1994, quando exercia a posição de gerente de vendas regionais, responsável pelo desenvolvimento de negócios da linha de tratamento de águas e efluentes. E, no mesmo ano de 94, embarcou em um novo projeto, sendo um dos fundadores da Aquamec Equipamentos Ltda., empresa que atua na área ambiental, com especialização em projeto, produção, instalação e operação de equipamentos e sistemas em regime turn-key destinados ao tratamento de água potável e industrial, de efluentes hídricos municipais e industriais e no reúso dos efluentes tratados. Hoje, como sócio e proprietário da Aquamec, que fatura cerca de R$ 50 milhões ao ano, atua como vice-presidente e diretor responsável pelas áreas comercial-administrativa, de marketing e de implementação de sistemas de tratamento.

Paralelamente, iniciou sua trajetória na Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) como superintendente para equipamentos de tratamento de águas do Sindesam (Sindicato Nacional das Indústrias de Equipamentos para Saneamento Básico e Ambiental), de 1998 a 2001. Foi eleito vice-presidente entre 2001 e 2003 e é, atualmente, o presidente do Sindesam, pelo segundo mandato consecutivo, participando da Câmara Ambiental da Indústria Paulista na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), e de diversas atividades entre entidades de classe ligadas ao tema saneamento básico e ambiental.

 
Cynthia Luz
 

H2O Água: Como está o cenário do saneamento básico no Brasil atualmente, inclusive sob a influência da campanha mundial da ONU, que definiu 2008 como o Ano do Saneamento no mundo?
Gilson Cassini Afonso:
A Organização das Nações Unidas nomeou 2008 como o Ano Internacional do Saneamento com o objetivo de trazer o problema à tona. Nós, os brasileiros, vivemos um momento de grande expectativa. O ano passado já foi um ano bom, de recuperação, porque, como se sabe, o período de 2003 a 2006 foi considerado o pior para o saneamento básico no País. Dos últimos 40 anos, 2003 e 2004 foram os piores para o setor no Brasil, só para se ter uma idéia da péssima situação.

H2O Água: E por que isso ocorreu?
Afonso:
Por falta de investimentos. Os investimentos já vinham se fechando desde o segundo mandato do governo Fernando Henrique Cardoso, por causa do contingenciamento da Caixa Econômica Federal. Não houve investimento em saneamento e liberação de verbas para fazer esse tipo de obra no Brasil. No seu segundo mandato, entre 1998 e 2002, o ex-presidente baixou um decreto proibindo qualquer liberação de investimento da Caixa em saneamento, usando apenas as verbas já existentes e contratadas nos processos anteriores, caindo para algo em torno de 400 a 600 milhões de reais a verba que foi disponibilizada.

H2O Água: E isso continuou no governo de Luís Inácio Lula da Silva?
Cassini:
Em 2003, o Lula assumiu e prometeu um investimento de mais de 6 bilhões de reais por ano em saneamento. Isso não aconteceu. Obviamente ele pensava em fazer isso, mas encontrou o contingenciamento da CEF e a problemática do investimento do governo na esfera federal e passou 2003, 2004 e 2005 montando o esquema para que fosse possível a liberação de verbas e recursos. Em 2006, foi lançada uma medida provisória, um decreto-lei, no qual se permitia a realização de concorrências nas quais a Caixa poderia emprestar recursos para empresas que tivessem algum tipo de participação de investimento externo, porque esse dinheiro viria de fora. A partir daí, foi possível montar um cenário para futuros projetos importantes para os que poderiam tomar dinheiro emprestado, como prefeituras e companhias estaduais e municipais, como Sabesp, Sanasa, Caesb, Copasa, Embasa, entre outras. Elas tinham boas condições de operação financeira e possuíam estrutura organizacional e administrativa que pudessem demonstrar uma rentabilidade financeira e condições de pagamento de empréstimos futuros. Com isso, essas empresas começaram a elaborar os seus projetos de concorrência e o mercado começou a se movimentar novamente, em especial o mercado ligado ao nível público.

H2O Água: Esse cenário aborda o setor público. E o segmento industrial, como está?
Afonso:
Também a partir de 2005 podemos ver alguns projetos importantes aparecerem, em especial na área de petróleo e gás, siderurgia e papel e celulose, mais acentuadamente no que diz respeito a petróleo e gás, com os desembolsos, a partir daquele ano, em projetos da Petrobras para realinhar suas unidades de tratamento de efluentes e águas industriais em cima de projetos futuros de exportação, que são adequações dos componentes dos combustíveis às normas internacionais. Isso faz com que a tratabilidade das águas dentro do sistema de produção de gasolina, diesel e outros produtos tenha de ser readequada, já que há um rejeito diferente, exigindo uma reengenharia dos seus processos de tratamento. Isso faz parte do projeto que a Petrobras havia desenvolvido para os dez anos seguintes e que prossegue até 2015. Vale lembrar que isso não inclui os novos campos descobertos de óleo e gás, que demandam outros investimentos. Para as empresas que atuam no segmento de óleo e gás e estão preparadas para oferecer equipamentos para essa demanda há uma corrida muito grande.

H2O Água: E quais são os reflexos no mercado?
Afonso:
Por causa daquela demanda reprimida ocorrida nos oito anos do governo FHC e início do governo Lula, algumas empresas registraram perda de massa crítica, de efetivos, de recursos humanos e tecnológicos, de capacidade produtiva, por obsolescência de máquinas. Essa obsolescência não é tão crítica no processo de fabricação dos equipamentos e máquinas para tratamento de efluentes, porque sua durabilidade é grande, chegando a uma década de uso sem necessidade de substituição. Mas no País essa obsolescência já estava instalada, porque existia um parque industrial formado por algumas empresas muito antigas. Dessa forma, tivemos um cenário melhorado em petróleo e gás e siderurgia. Outros problemas enfrentados envolvem a questão cambial, de impostos internacionais, a redução de impostos de importação e a abertura que se proporcionou para empresas internacionais estabelecerem linhas inteiras no Brasil. Ou seja, o mercado de fabricantes brasileiros de equipamentos para tratamento de águas e efluentes perdeu espaço com a redução de impostos de importação e a abertura para investimentos externos, que permitiram a instalação de indústrias internacionais sem uma fiscalização forte do conteúdo nacional. Ainda que o governo tenha se prontificado a fazê-lo, mas, obviamente, entre ter um conteúdo nacional fiscalizado, comprovado, e não ter um investimento porque o conteúdo nacional inviabilizaria o investimento no País, se permitiu que houvesse um conteúdo diminuído.

H2O Água: Quais foram as conseqüências disso?
Afonso:
O fabricante nacional continua perdendo com a constante valorização do real, caso crítico para quem exportou. As empresas que buscaram projetos internacionais estão perdendo muito dinheiro com essa valorização cambial forte. São perdas que chegam a 25% aproximadamente, porque venderam os equipamentos na faixa de R$ 2,20 por dólar e estão recebendo na faixa de R$ 1,70 por dólar. Obviamente ninguém pensou em fazer um hedge na faixa de mais de 20%. Uma forma de contornar essa dificuldade pode ser a realização de um hedge cambial natural quando se busca componentes no exterior para suas máquinas, deixando de comprar dos fabricantes nacionais para fazer suas exportações. Conseqüentemente, mais uma vez a indústria nacional perde.

H2O Água: Atualmente, como está o cenário? Há perspectiva de recuperação?
Afonso:
De 2005 para 2006, foi iniciado um movimento de investimentos públicos no mercado e, em janeiro de 2007, foi homologada e outorgada a lei 11.445, que ainda precisa ser regulamentada. Mesmo assim, ela trouxe uma característica diferente para o Brasil, com maior credibilidade para os investimentos internacionais, financiamentos de obras na área de bens de capital sob encomenda, inclusive na indústria. Aí começaram a surgir diversos projetos e um exemplo disso é a Petrobras, que desovou diversos projetos. Isso já surgiu num esquema de recomposição de custos e o mercado se aprumou no final de 2006 para 2007, com aumento de custos, mas com proteção cambial, ou seja, ninguém mais faz negócios com a cotação de dólar a R$ 2,20, mas a R$ 1,70 ou R$ 1,80. Isso porque num mercado de bens de capital, todo custo é um custo novo. As dificuldades estão em projetos que foram estudados entre 1995 e 2005 e que estão tendo suas implantações apenas agora. Foram projetos, por exemplo, planejados em 2005, com base no dólar a R$ 2,50, no montante de R$ 200 milhões à época. Isso levaria à transformação em dólar para budge de mercado na faixa de 2,5. Esses projetos estão vindo à tona agora, com a transformação em reais na faixa de 1,7. Isso equivaleria a dizer que o projeto era de R$ 200 milhões à época e foi para o budge da empresa por US$ 80 milhões. Com sua aprovação em 2007, hoje a empresa só tem R$ 144 milhões para gastar, uma diferença que todo mundo tem de buscar. Dessa forma, os projetos estão aprovados, prontos para serem implementados, mas existe a necessidade de busca de recursos adicionais para recompor a perda cambial. Isso sem contar a pequena inflação e o realinhamento de custos no mercado internacional, como o preço do aço, por exemplo, que só tem aumentado. Como isso já ocorreu ao longo de 2007, acreditamos que, a partir de 2008, até 2012, teremos um mercado em expansão de investimentos em infra-estrutura para tratamento de efluentes na área líquida.

H2O Água: Os segmentos de destaque são siderurgia, papel e celulose e petroquímica?
Afonso:
Sim. Só para se ter uma idéia, um único projeto da Petrobras já é suficiente para dobrar o faturamento de uma empresa qualquer em um ano. O mesmo se pode dizer dos projetos de celulose. Dessa forma, o crescimento de vendas e até de faturamento de uma empresa pode chegar facilmente a 100%, dependendo da necessidade de agilidade do projeto. Por isso, estamos muito animados e investindo. As empresas tiveram suas expectativas de vendas atingidas ou suplantadas no ano passado. É difícil falar sobre números porque quando se pergunta às empresas elas não divulgam o seu volume de vendas. Apenas quando a Abimaq recebe o levantamento de quanto faturou cada empresa para que seja composta a mensalidade devida à associação é que temos uma idéia mais precisa sobre esse crescimento. Mas já em 2005 o número de faturamento da área era grande, passando de R$ 4 bilhões, envolvendo a área industrial de óleo e gás, mesmo que esteja embutido aí o investimento feito em gás. Teria de haver uma reanálise para que fosse possível separar apenas a área de tratamento de efluentes, seja na área municipal, seja na industrial. Resumindo, em 2006 as empresas estavam muito aquém das suas necessidade em expectativas de vendas. Em 2007, elas atingiram ou suplantaram suas expectativas e isso é muito bom. Se elas venderam 100% de suas expectativas ou além, estamos imaginando um mercado em franca recuperação. Até porque os projetos ainda estão sendo implantados, ou seja, ainda estão sendo adquiridos equipamentos no mercado brasileiro, portanto essa perspectiva de crescimento só tende a aumentar. Para se ter uma idéia da perspectiva das empresas que continuam no mercado e não deixaram de investir, a Aquamec cresceu no ano passado 63% em faturamento, um número muito bom, e pretende crescer 75% este ano. Além disso, cresceu muito no número de pessoas, quase dobrando o número de profissionais trabalhando dentro da empresa para fazer frente ao crescimento registrado. E tudo isso está atrelado a algo que precisa ser sanado de uma forma muito complicada e difícil: a perda de mão-de-obra qualificada.

H2O Água: Há falta de profissionais? Por quê?
Afonso:
Sim, porque o Brasil não preparou ao longo da última década profissionais novos para essa área e os profissionais mais velhos estão sumindo. Alguns já se aposentaram e saíram do mercado, outros fazem consultoria. Mas, em geral, a idade média de profissionais que estão executando os projetos é bem mais baixa que há uma década. Ou seja, ainda precisamos qualificar os jovens que estão saindo das universidades. Eles precisam ganhar experiência. Eles podem ter uma boa preparação acadêmica, mas precisam de experiência no mercado de atuação, em função das adversidades de projetos, das discussões. Nenhum projeto é exatamente do jeito que se espera que seja quando se sai de uma universidade. Todos têm suas peculiaridades adicionais. Só a experiência permite que se conheça essas peculiaridades e se possa tratá-las de forma efetiva. Isso é o que falta no mercado: profissionais experientes e capazes, em quantidade suficiente para atender a demanda que o Brasil está colocando ao mercado.

H2O Água: Como se vê o cenário futuro em relação à população? Ou seja, quando seria possível a universalização do saneamento básico no País?
Afonso:
A história é velha. Acho que todos já viram textos antigos falando da necessidade de investir R$ 200 bilhões de reais para universalização do saneamento básico no Brasil. Esse dinheiro chega a conta-gotas. O Brasil precisaria investir R$ 10 bilhões por ano no setor e esses investimentos não vão ocorrer. Talvez teremos investimentos de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões. O governo disse que preparou contratações no ano passado de R$ 4 bilhões para saneamento básico. Essas contratações estão acontecendo este ano e nós imaginamos que vai haver no mercado um despejo de uma faixa de R$ 2 bilhões a R$ 4 bilhões em negócios no País. Se a demanda é por R$ 200 bilhões, em 20 anos não vamos conseguir universalizar esse acesso. E para os fabricantes de equipamentos, não importa se o dinheiro é público ou privado. Nós estamos preocupados em universalizar. Se o mercado privatizar ou estatizar esses investimentos, para nós é indiferente, porque o nosso foco é a fabricação de máquinas e equipamentos e o atendimento ao processo de tratamento. Acompanhamos de perto a lei 11.445 e incentivamos todo o tipo de investimentos no mercado. Incentivamos as diversas entidades públicas ou privadas, como a Abes, a Aesbe, a Abcon. Temos sido parceiros, oferecendo tecnologias inovadoras, soluções a menor custo total, no longo prazo – porque uma estação de tratamento de esgotos tem de resistir a mais de 20 anos –, incentivamos a qualidade de equipamentos, para proporcionar essa durabilidade, o menor custo de energia, o menor espaço para instalação e conseqüentemente o melhor aproveitamento de área. Tudo isso significa negócio. Nós tratamos o saneamento não apenas como algo bom para nós, mas bom para as prefeituras, já que à medida que se tem um rio saneado, o terreno vale mais, o local vale mais, há maior apelo ao turismo, oportunidade de um boom imobiliário, menos gasto com saúde. Aliás, essa é uma tecla em que batemos há muito tempo: deixe de investir 5 em saúde, se investir 1 em saneamento. Esse é um jargão político, público, que todo mundo fala. Eu já ultrapassei esse conceito, porque, apesar de verdadeiro, ninguém ouve. Ninguém está interessado em deixar de investir em saúde. Isso porque, se formos pensar, é rentável gastar 5 em saúde para quem mexe com saúde. O giro de capital em saúde é muito maior do que seria o giro de capital em saneamento. Eu vou mais longe: além de deixar de gastar com a saúde para gastar em saneamento, é possível melhorar o uso dos recursos hídricos, melhorar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da população. Há um enriquecimento da população em custo de vida, o enriquecimento de valor do solo por hectare. Se eu tivesse de escolher entre morar numa cidade sem esgoto e uma com, eu optaria pela segunda, porque teria água potável de boa qualidade e coleta de esgotos. Na hora em for procurar um terreno para comprar, ele terá agregado um valor maior. Na hora em que for colocar um tijolo para levantar meu empreendimento imobiliário, esse tijolo valerá mais que numa cidade não saneada. Isso é o que buscamos mostrar aos governos: faça saneamento porque você vai receber em troca a procura pelos ativos de sua cidade. Então, a própria cidade estará mais voltada a usar os ativos de uma cidade saneada do que em uma cidade podre.

H2O Água: Fala-se em prazos de 20 anos. É possível?
Afonso:
Não acredito que a universalização aconteça no prazo de 20 anos. O Brasil vai demorar um pouco mais que isso, talvez até o dobro do tempo, a menos que essa regulamentação da lei 11.445 aconteça com velocidade. E todo mundo está trabalhando para isso, para que o Estado se posicione da maneira mais sincera e educativa, para que agências aconteçam, se componham em nível municipal, sejam instauradas para que se consolidem esses investimentos em saneamento. O Ministério Público faz parte desse processo, o Ministério das Cidades está fazendo uma grande análise sobre esses conceitos, o Sindesam já pediu um assento no Conselho das Cidades ao secretário de Meio Ambiente para poder dar efetivamente um suporte técnico às decisões que aconteçam nesse processo. São 5 mil municípios onde há busca de investimentos. Hoje existe uma sobra de capital muito grande, em nível global, para investimentos de longo prazo, e o Brasil é uma rota de investimento mundial e a área de saneamento é um área de capital intensivo, ou seja, grande quantidade de capital com retorno de longo prazo, e é isso que os fundos de pensão e os trabalhadores do outro lado do mundo esperam. Os trabalhadores contribuem durante a vida para uma aposentadoria futura e esse dinheiro tem de ser investido em áreas de muita segurança. Ora, o Brasil hoje oferece muita segurança. Independentemente da política nacional, o País não tem mais como se desvincular do crescimento mundial e de negócios internacionais. Existem municípios que já estão se arrumando, trabalhando para ter seus projetos aprovados na Caixa Econômica Federal, no BNDES e eventualmente até para uma concessão. A própria Sabesp quer universalizar o saneamento o mais rápido possível e está transformando conceitos de investimento em editais de concorrência de locação de imóveis, onde o fornecedor faz seu investimento e recebe em cinco anos, numa locação, após a estação estar em funcionamento. Isso é muito interessante, porque haverá a implantação de equipamentos de qualidade, vai pagar apenas quando estiver funcionando, não existe o fator endividamento nesses processos e a Sabesp é uma das melhores empresas pagadoras. Portanto, quem quiser investir tem uma ótima oportunidade. Isso já está valendo para a Copasa, a Embasa, acredito que logo valerá para a Caesbe, empresas que estão revendo seus conceitos de editais em busca da universalização do tratamento de água e esgoto para seus estados. Isso porque recursos públicos para isso não existem mais.

H2O Água: E os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento?
Afonso:
Apesar de o PAC inverter recursos para esse processo, vemos que esses investimentos vão para projetos já estruturados e existentes no passado. Quem não tem projeto estruturado não recebe dinheiro do PAC. E quem tinha projetos estruturados no passado eram as empresas de grande porte, como a Sabesp, e municípios que tinham suas autarquias bem arrumadinhas, estruturadas. Então, como é que vamos universalizar esgoto se não houver a regulamentação da lei que permita às empresas investir num município que está em reestruturação, já que o PAC não vai repassar dinheiro para isso. Essa universalização só irá ocorrer com a ajuda do capital privado. Ninguém tem dúvidas disso no nosso segmento.

 
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