Apesar de o Brasil deter mais de 10% da reserva de água doce do mundo, já existe muita gente sentindo os efeitos da falta de água. E isso ocorre não apenas entre a população do sertão nordestino, como se pode pensar a princípio. A escassez do precioso líquido está afetando o crescimento industrial do País. Um exemplo disso são as indústrias do Estado de São Paulo que muitas vezes não têm como aumentar sua produção por falta de água para captação. A refinaria da Petrobras situada em Paulínia, na região de Campinas, é uma delas.
Essa constatação foi discutida no 1º Encontro de Usuários de Recursos Hídricos da Indústria, ocorrido em Brasília, no início de outubro, sob a promoção da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A conclusão dos participantes do evento é de que o gerenciamento da água tem de ocupar mais espaço na agenda do País. Assim, percebe-se que a cobrança para o uso de água bruta e pelo lançamento de efluentes em rios deve mesmo ser feita, até para que os recursos auferidos sejam empregados em iniciativas de recuperação das bacias hidrográficas.
Além disso, as empresas precisam tomar consciência de que administrar bem esse recurso natural é a solução para sua sobrevivência, não só em médio ou longo prazo, mas, algumas vezes, em curtíssimo espaço de tempo. Com isso, as iniciativas de economia e reúso de água e tratamento de efluentes deixam de ser consideradas apenas um bom exemplo de gestão ambiental e passam a ser necessidade para o crescimento.
E isso não pode ser relegado a segundo plano, mesmo agora, em que mais uma crise econômica em nível mundial coloca em xeque a administração do sistema capitalista. Cuidar da água não é um investimento para ser deixado para depois, porque no presente esse recurso já faz falta. |