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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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Meta é efluente zero
 

Anglo American quer reduzir 15% do consumo de água em nível mundial até 2014. No Brasil, as três unidades industriais já conseguem reduzir captação.

 

O desenvolvimento sustentável é um dos pilares da Anglo American, empresa presente em 40 países da África, Ásia, Américas do Norte e do Sul, Oriente Médio e Oceania, líder na produção de platina e diamantes e importante produtora de carvão mineral, cobre, zinco, níquel e minério de ferro. Um dos principais aspectos desse comprometimento é a eficiência das operações da empresa, incluindo um sistema de gestão de recursos hídricos que minimiza o consumo de água em suas operações e protege a área para usos futuros.

A água é um elemento fundamental na atividade de mineração, sendo utilizada em todo o processo, desde a extração ao longo das etapas de processamento do mineral e eventualmente retornando para reúso. Para assegurar que a água seja aproveitada da maneira mais racional possível, a Anglo American tem diretrizes e metas corporativas para o seu uso, que têm como objetivo a redução de impactos ao ambiente, a garantia de segurança e saúde dos empregados e contratados, além do engajamento com as comunidades vizinhas.

Essas diretrizes e metas foram atualizadas no Anglo American WaterWays Summit (Conferência Anglo American para Gestão da Água), um encontro mundial de diretores e gerentes da Anglo American com especialistas em assuntos relativos a recursos hídricos que ocorreu em Johanesburgo (África do Sul) ao final de 2007. O objetivo foi discutir as necessidades e as responsabilidades da empresa na administração dos recursos hídricos para os próximos anos e encontrar soluções sustentáveis para essas necessidades. A meta corporativa é reduzir em 15% o consumo de água da Anglo American no mundo todo até 2014, tendo como base o ano de 2004, quando foram utilizados 600 milhões de metros cúbicos de água nas operações da empresa.

“Esse posicionamento está presente em todas as unidades da Anglo American no Brasil. O monitoramento da qualidade da água ocorre não só nos efluentes, mas também em todos os corpos hídricos sob influência direta ou indireta da empresa, conforme estabelecido no sistema de gestão ambiental certificado pela ISO 14001. O tratamento da água visa atender aos requisitos legais estabelecidos pelo Ministério da Saúde para o consumo humano. Nós temos a responsabilidade social de tentar interferir positivamente no ambiente para entregar à natureza uma água de qualidade melhor do que a que chegou até nós”, explica Marcelo Galo, gerente de desenvolvimento sustentável das operações de níquel da Anglo American.

De acordo com ele, a unidade de Barro Alto, que está em fase de implementação e deverá começar a produzir em 2010, foi desenvolvida com esse conceito e será um “circuito fechado” de água, ou seja, toda a água captada e utilizada nas operações será tratada e reaproveitada e não será necessário captar água de poços ou fontes superficiais, a não ser para repor o volume que for perdido devido à evaporação ou infiltração no solo. Outra ação de destaque é o projeto Aguação, cujo objetivo é proteger e revitalizar a mata ciliar do córrego Extrema, fonte de abastecimento da cidade. O projeto visa promover a reconstituição de grande parte dessa mata, degradada pela agricultura e outros usos intensos, plantando 11 mil mudas de árvores nativas do cerrado, e controlar fontes de poluição, particularmente as anteriores ao ponto de captação.

Somando o volume de água retirada da superfície, água subterrânea e do abastecimento municipal de água ou outras empresas de abastecimento, a Anglo American Brasil consumiu 17,011 milhões de metros cúbicos de água no ano passado. “As operações do Brasil já vinham trabalhando com o objetivo de diminuir o consumo de água e, agora com a meta corporativa global de redução, o trabalho se consolidou. Exemplo disso: em 2006 o consumo total foi de 17,827 milhões de metros cúbicos. No ano seguinte, houve uma diminuição de mais de 800 mil metros cúbicos de água”, ressalta Gilberto Barbero, especialista corporativo em meio ambiente, acrescentando que o total de água consumida em nível mundial fica na casa dos 600 milhões de metros cúbicos/ano.

Níquel
A unidade industrial localizada em Niquelândia, Goiás, possui um layout típico de uma unidade pirometalúrgica. Nela, o minério proveniente da mina é descarregado em um galpão coberto, passa pelo processo de britagem e é encaminhado para um tambor misturador onde é adicionado pó a ele. No tambor ocorre a aglomeração dos finos contidos no minério. Depois, o minério passa por um forno aglomerador/secador rotativo e depois é misturado ao redutor cavaco de madeira. Em seguida, o minério calcinado é então alimentado aos fornos de redução para que possa sofrer redução efetiva e, conseqüentemente, a liberação do ferroníquel. A panela proveniente do forno de redução é enviada ao refino para redução das impurezas do metal (C, P e S) a níveis de mercado. Por fim, depois de refinado, o metal é granulado.

A água é consumida em quase todas as etapas desse processo, ou seja, na unidade de recuperação de escória, no lavador de gases do forno calcinador, no resfriamento dos fornos elétricos e na granulação de escória dos fornos elétricos. A gestão dos recursos hídricos na Anglo American é baseado em seu balanço hídrico para aproveitar de forma eficiente a água utilizada em todo o empreendimento, evitar desperdícios e garantir seu retorno aos corpos hídricos naturais em qualidade desejável. A empresa possui uma represa de água industrial, na qual toda água utilizada no processo é armazenada e recirculada. A água nova é utilizada apenas para repor perdas por evaporação ou infiltração no solo e o reaproveitamento chega a 80%.

O programa de Monitoramento da Qualidade das Águas foi baseado em estudos e avaliações de empresas especializadas, que serviram como alicerces para a definição dos pontos de amostragem dos efluentes líquidos, dos cursos de água superficiais e águas subterrâneas. Existem pontos de amostragem e parâmetros analisados periodicamente e comparados com padrões legais ou padrões aceitáveis internacionalmente.

São promovidos monitoramentos mensais em todas as áreas do empreendimento, compreendendo 32 pontos para avaliações do nível do lençol freático, em poços subterrâneos, com a utilização de sensores que detectam a profundidade do nível da água. O objetivo desse monitoramento é avaliar quais são os impactos causados pela atividade de mineração na disponibilidade hídrica dos lençóis freáticos. Periodicamente também são retiradas amostras para análise da qualidade da água do lençol.

A Anglo American trata todo efluente gerado nas áreas de manutenção para separar contaminantes, óleos e graxas, da água. O tratamento dos esgotos ou águas residuárias é realizado por meio do processo biológico em tanques chamados de fossas sépticas, onde os dejetos são degradados, evitando a geração de resíduos sólidos orgânicos e garantindo a saída de água limpa para infiltração no solo.

Em todas as áreas de exploração mineral são construídos sistemas de retenção e direcionamento de águas pluviais de forma a diminuir sua velocidade de escoamento e evitar o carreamento de partículas de solo para os cursos de água e também evitar a erosão do solo. Como complemento a esse sistema, são construídos diques e bacias de contenção e sedimentação de sólidos.

Nióbio
Em Catalão, também em Goiás, localiza-se a a unidade aluminotérmica típica para produção de ferronióbio. A produção de ferronióbio começa com a extração do minério proveniente das minas a céu aberto da Mineração Catalão, seguindo um meticuloso planejamento de lavra, garantindo a otimização da vida útil das minas e minimização de eventuais impactos ambientais. Após o processo de lavra, o minério de pirocloro é britado e homogeneizado, para em seguida ser submetido a diversos estágios de concentração, quando purezas são removidas através da adição de reagentes ácidos e alcalinos em reatores sob altas temperaturas. O concentrado purificado é então exposto a temperaturas superiores a 900º C para secagem e remoção de elementos orgânicos indesejados.

O estágio seguinte é a reação aluminotérmica, na qual o pó de alumínio, usado como agente redutor, e outros agentes – como fluorita e pó de ferro – são adicionados ao concentrado de pirocloro para produzir a liga de ferronióbio. Para a produção de nióbio, na unidade Anglo American - Mineração Catalão, a água é utilizada no processo como veículo de transporte de sólidos. Posteriormente, a polpa é lançada em um sistema de expressador e barragem para decantação. E em circuito fechado, é reutilizada no processo. Na unidade da Anglo American - Copebrás Catalão acontece um processo para obtenção de fosfato na unidade de concentração. Em resumo, o passo a passo da utilização da água é o mesmo da produção de nióbio.

Na unidade de Catalão, todos os efluentes industriais e pluviais, inclusive os líquidos percolados das pilhas de fosfogesso, são coletados por canaletas, galerias e lagoas de contenção e, posteriormente, enviados à ETEL (Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos). A concepção adotada pela Anglo American garante a recirculação e o reaproveitamento de toda a água tratada, inclusive das águas das chuvas, sem o descarte para os corpos hídricos. Esse processo garante “efluente zero”, o que minimiza a captação de água nova de poços profundos ou de corpos d’água superficiais para o uso nos processos industriais.

Fosfatados
Em Cubatão, São Paulo, a empresa conta com a unidade de fosfatados que recebe a matéria-prima e a processa. A rocha fosfática é transportada de trem da unidade Catalão para Cubatão. O enxofre é trazido do Canadá e chega à fábrica após ter passado pelo Porto de Santos. O calcário chega à Copebrás Cubatão vindo de Minas Gerais. Na fabricação de ácido sulfúrico é utilizado o enxofre. Já para a produção de ácido fosfórico usa-se a rocha fosfática e o ácido sulfúrico. Por fim, na fabricação de fertilizantes são usados ácido sulfúrico, ácido fosfórico e rocha fosfática (produtos amplamente utilizados na agricultura). Com a fabricação de fosfato bicálcico a partir do ácido fosfórico e calcário, a fábrica prepara um componente para fabricação de ração animal.

Na unidade de Cubatão, a utilização da água é feita de maneira a obedecer às melhores práticas, com o aproveitamento máximo e o reúso dos efluentes gerados, evitando o desperdício desse recurso. A unidade Copebrás capta água da natureza (rios), respeitando as exigências legais e com as devidas autorizações dos órgãos competentes, usando-a para abastecimento de seus processos produtivos, onde uma parte é incorporada aos produtos, parte é perdida por evaporação e o restante é enviado para tratamento físico-químico em sua Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos. Após o tratamento desse efluente, a maior parte é reutilizada pela empresa, contribuindo constantemente para a redução do consumo, enquanto que uma pequena parte retorna para a natureza, não sem antes ser analisada para comprovar o atendimento aos rigorosos padrões estaduais e federais. A unidade também desenvolve estudos de avaliação e redução da ecotoxicidade de seus efluentes líquidos tratados, além de desenvolver um estudo de reavaliação e adequação da Estação de Tratamento de Efluentes Líquidos Industriais.

 
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