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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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:: Edição 11 - Laboratório de análises - Bioagri
 
Bioagri analisa interferentes endócrinos
 

Pesquisas laboratoriais permitem a implementação de análises da presença de novos agentes químicos nas águas.

 
Pedro Zagatto,
diretor da Bioagri

O aumento da população e o conseqüente crescimento da produção industrial e agrícola têm contribuído para a geração de resíduos que, muitas vezes, são descartados in natura no ambiente aquático, em quantidade e diversidade que podem representar um risco iminente à saúde humana e ambiental, principalmente quando lançados em águas de rios e represas que servem para abastecimento público e industrial. Além desses lançamentos diretos de efluentes domésticos e industriais, o ambiente aquático também recebe o aporte indireto de todos os contaminantes lançados na atmosfera e aqueles oriundos da lixiviação do solo pela águas da chuva.

Na última década, as pesquisas em toxicologia e de ecotoxicologia aquática tiveram grande ênfase na detecção da presença de agentes químicos que causam distúrbios ou desequilíbrios do sistema endócrino dos organismos. O sistema endócrino dos seres vivos é constituído por um conjunto de glândulas responsáveis pela síntese de hormônios, como os estrogênios (femininos), os androgênios (masculinos), entre outros, que têm papel fundamental no mecanismo homeostático por regularem os níveis de açúcar no sangue, o armazenamento de energia, o crescimento e o desenvolvimento do indivíduo, as características sexuais, a reprodução etc., enfim, coordenarem o funcionamento do organismo como um todo. Muitos xenobióticos, de origem natural ou sintética, quando na circulação sanguínea, podem interferir no funcionamento do sistema endócrino, causando efeitos adversos à saúde, desde os mais sutis, como a diminuição da fertilidade, até o desenvolvimento de câncer. Essas substâncias são as chamadas interferentes endócrinos.

Por causa disso, as empresas responsáveis pelo tratamento de água para fins potáveis têm solicitado estudos visando a implantação de análises para monitoramento da qualidade de suas águas. A Bioagri Ambiental, atendendo a essas solicitações, investiu em equipamentos analíticos e em novas pesquisas laboratoriais para a identificação de 21 dos principais interferentes endócrinos, de maior importância ambiental. Com essas análises já na rotina, é possível monitorar a qualidade das águas bruta e tratada utilizadas para o abastecimento público e desenvolver estudos de tratabilidade para avaliar se as estações de tratamento de água estão sendo eficiente na redução e/ou eliminação desses agentes químicos. Com os estudos de tratabilidade é possível desenvolver procedimentos alternativos viáveis e de baixo custo para a remoção desses interferentes endócrinos e garantir a qualidade da água segura para o consumo humano.

O diretor da Bioagri, Pedro Zagatto, lembra que na última década “estudos em laboratório e em campo têm mostrado que o crescimento, a reprodução, a fertilidade, alterações no comportamento e mesmo o aparecimento de algumas doenças, inclusive câncer, em muitas espécies de mamíferos, invertebrados, répteis, peixes e aves, têm sido causados ou se manifestado na presença de baixas concentrações de hormônios sexuais naturais e sintéticos. Os métodos de detecção validados são as ferramentas para uma avaliação precisa dos riscos ambientais das substâncias no organismo humano”, frisa.

“A comunidade científica e de saúde pública tem sentido a falta de dados de monitoramento ambiental da qualidade das águas, principalmente num país onde os rios recebem, de grandes cidades, a maioria dos esgotos domésticos in natura e outros tipos de efluentes que podem conter hormônios naturais e sintéticos. A preocupação maior causada pela presença desses hormônios nas águas naturais é que eles não são totalmente removidos no sistema de tratamento convencional, necessitando, portanto, de uma avaliação da necessidade ou de aprimoramento do tratamento de água”, explica Zagatto.

Segundo ele, não existe ainda regulamentação que estabeleça limites máximos permissíveis desses interferentes endócrinos para a saúde humana, mas alguns países da Europa e da América do Norte estão prestes a estabelecer esses limites: “O mundo todo está preocupado com a presença de interferentes endócrinos na água, inclusive em outubro próximo houve um simpósio em Chicago (EUA) que discutiu os efeitos sobre a saúde, legislação e métodos para sua redução em águas. Creio que, dentre em breve, haverá uma legislação que regulamente esse assunto.”

Em contrapartida, as técnicas analíticas estão disponíveis e até que não se tenha uma legislação específica é importante que as empresas responsáveis pelo abastecimento público gerem informações, desenvolvam pesquisas e tenham iniciativa de melhorias no seu sistema de tratamento com o intuito evolutivo de identificar e quantificar esses novos contaminantes ambientais e também a qualidade da água que consumimos.

“É importante lembrar que, atualmente a Bioagri Ambiental tem 720 parâmetros acreditados pela norma ISO 17025 e pelo Inmetro, incluindo as coletas de efluentes gasosos, águas e águas residuárias, de solos e resíduos, além de determinação de metais em fertilizantes e em águas salinas e salobras”, aponta Pedro Zagatto, que acrescenta que os pesquisadores da Bioagri Ambiental estão sempre se atualizando, técnica e cientificamente, e em função disso desenvolvem nos laboratórios da empresa, situada em Piracicaba, várias análises para a identificação de agentes que possam causar contaminação ambiental. Desenvolvem e implantam também análises de comunidades biológicas, por meio das quais é possível avaliar a qualidade dos ambientes aquáticos. (Quadro)

Novas análises implementadas em 2008
interferentes endócrinos
5-Alfa Androstane Paracetamol
17-a-Etinilestradiol Pentaclorofenol
4-Nonil Fenol Progesterona
Benzo(a)Pireno Estigmasterol
Bisfenol A Dibutil Ftalato
Cafeína Dietil Ftalato
Colesterol Colestanol
Coprostanol Estrona
Norgestrel Estradiol
Diclofenaco de Sódio Ibuprofeno
Dipirona

Análises gerais implementadas em 2008
- Identificação de Fitoplancton total
- Identificação de Zooplancton
- Análise de ovos de helmintos
- Análises de ovos viáveis de helmintos
- Análise de Cilindrospermopsina
- Análise de Microtox (Tox. a Vibrio fisheries)
- Análise de perifiton
- Ponto de fulgor de resíduos
- Poder calorífico PCI/PCS

Análises em fase final implantação
- Análise de comunidade bentônica
- Análise de Cryptosporidium e Giardia em águas
- Análise de comunidade biológica de lodo ativado

 
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