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Brasil, 5 de Fevereiro de 2012
 
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:: Edição 11 - Osmose reversa
 
Seguindo em maré alta
 

Apesar da crise financeira que assola o mundo, o segmento de tratamento de água, em especial por osmose reversa, não teme queda no faturamento.

 
Cynthia Luz
 

Por mais que as empresas tenham medo da crise econômica global criada pela crise imobiliária americana, alguns nichos de mercado não parecem sofrer tanto com as conseqüências negativas do desaquecimento da economia, apoiados na necessidade que a população tem deles, até para sua sobrevivência. Um deles é o setor de tratamento de água, que, mesmo que registre alguns atrasos no cronograma de instalação de novos sistemas, não pode ser esquecido.

Isso porque as pessoas precisam de água potável para sobreviver e as indústrias também demandam água de qualidade para a maioria de seus processos. Além disso, a escassez dos recursos hídricos naturais vem, cada vez mais, incentivando a prática de reúso, seja em indústrias, seja em comércio e serviços, e até mesmo a dessalinização de águas salobras e marinhas. Em todos esses casos, a osmose reversa pode ser utilizada, de maneira independente ou em associação com outras tecnologias.

Também o aquecimento de alguns setores econômicos, mais especificamente no Brasil, tem levado as empresas com representação local a investir no segmento. Um desses segmentos, o de açúcar e álcool, vem recebendo grandes investimentos nos últimos anos, de olho principalmente no crescente mercado dos biocombustíveis e até mesmo na praticamente recém-nascida indústria de plásticos 'verdes'. Outro é o de petróleo e gás, que acelerou nos últimos anos com as descobertas de reservas no litoral brasileiro. Também não se pode esquecer a vocação que o País tem para produzir celulose e papel, setor no qual a osmose reversa também vem se desenvolvendo fortemente. Assim, mesmo que o céu tenha algumas nuvens esparsas, o sol deve continuar brilhando no horizonte dessa indústria.

Tendências
Algumas tendências de mercado podem ser identificadas no setor de tratamento envolvendo a osmose reversa. Entre elas, destacam-se os setores em crescimento no País. Mas não se pode descartar a possibilidade do uso dessa tecnologia em associação com outros tipos de filtração, como já vem sendo registrado em outros países, inclusive na América Latina.

Empresa que demonstra a confiança de que a osmose reversa cresça fortemente no Brasil e na América Latina, a GE Water & Process Technologies investiu na expansão da capacidade produtiva de sua fábrica, no interior de São Paulo, ainda neste ano, com linha de montagem voltada para essa tecnologia. “A unidade de Sorocaba é parte de um investimento de US$ 14 milhões que a GE Water & Process Technologies vem realizando globalmente para ter fabricação e assistência técnica em cinco países (Brasil, China, Hungria, Índia e Rússia)”, conta Ricardo José Cury, líder de supply chain para a América Latina, acrescentando que a maior ênfase é para equipamentos, sendo a unidade russa a única direcionada a produtos químicos.

Para Cury, a escolha do Brasil para sediar uma nova fábrica de equipamentos se deve, entre outras razões, ao desenvolvimento do mercado de osmose reversa no segmento de açúcar e álcool. “Esse é um mercado em crescimento, pois grande parte das usinas de açúcar e álcool ainda não utiliza essa tecnologia e há mais de uma centena delas sendo construídas atualmente no País. Por isso o Brasil é estratégico para a empresa.

Por outro lado, o líder de suppy chain destaca o segmento petroquímico e mineração que começa a ser desenvolvido pela empresa: “Atualmente, para levar água às plataformas custa em torno de US$ 14 por metro cúbico. Mas com os projetos de dessalinização de água, feitos com tecnologia de osmose, há uma redução expressiva de custos. Acho que a dessalinização para as petroquímicas que atuam off shore é a melhor saída”, pondera.

Cury lembra que outras indústrias estão procurando a solução para o tratamento de efluentes, visando reúso da água, como é o caso das químicas, de cosméticos, entre outras. “Até o mercado municipal, tanto por meio dos governos, como pelas operadoras, busca soluções para os seus efluentes”, acentua.

De seu lado, Rubens Francisco Junior, diretor de tecnologias de tratamento de águas e efluentes da Aquamec, prevê grande expansão para as aplicações de utilização na indústria, tanto para o reúso como para a produção de água desmineralizada. “Em algumas áreas do Brasil também existe a possibilidade de aplicação para a produção de água potável a partir da dessalinização da água do mar. Açúcar e álcool e petróleo e gás são segmentos que se destacam, sem dúvida, mas também temos a indústria têxtil, principalmente em áreas de pouca disponibilidade de recursos hídricos, e o reúso industrial em áreas metropolitanas onde o custo da água da rede pública vem se tornando cada vez mais proibitivo”, diz.

Já na avaliação de Douglas Silveira Moraes, gerente de produto da Tech Filter, hoje as maiores demandas estão em desmineralização para água de reposição de caldeiras de média e alta pressão, sistemas de purificação de água para indústrias farmacêuticas e cosméticas, dessalinização de água do mar e reúso. “Os setores sucroalcooleiro e de petróleo e gás são os segmentos que mais estão usando e aprovando os sistemas de osmose reversa por ser um equipamento eficiente, fácil de operar e que realmente garante um alto desempenho de qualidade de água tratada, podendo ser polida por leito misto ou eletrodeionização, dependendo do caso.”

De maneira diversa se pronuncia Sergio Roberto Rodrigues Ribeiro, diretor comercial para a América do Sul da Koch Membranes Systems. Mesmo acreditando que a tendência natural seja de crescimento em função, principalmente, dos projetos de reúso industrial atualmente em avaliação, ele considera que “houve uma desaceleração dos novos projetos de álcool e açúcar e também no setor de papel e celulose. Já o setor de petróleo e gás continuará sendo um excelente mercado, principalmente em função dos altos investimentos da Petrobras para os próximos anos, e os setores automobilístico, têxtil e de laticínios serão segmentos interessantes para 2009”.

Francisco Faus, gerente comercial da Fluid Brasil, opina que a osmose reversa tem apresentado tendência de crescimento nos últimos anos, notadamente nos segmentos industriais de açúcar e álcool, petroquímica, papel e celulose e de termoelétricas. “Esses segmentos têm-se desenvolvido muito bem, com projetos relacionados à cogeração de energia e geração de vapor. Os segmentos de papel e celulose também têm utilizado osmose reversa em seus projetos. Os projetos de reúso também tendem a usar essa tecnologia”, diz, acrescentando que no mercado de saneamento público existe um potencial de crescimento na aplicação de dessalinização de água do mar para uso como água potável.

“A tecnologia de osmose reversa pode ser aplicada em qualquer caso em que se faça necessária a remoção de sais da água. Na indústria, a osmose reversa é utilizada na purificação de água para a geração de vapor, na produção de água ultrapura para medicamentos e semicondutores e no processamento de alimentos. Na área de saneamento e abastecimento público, a osmose reversa tem grande aplicação na dessalinização de água do mar ou de poços de água salobra”, destacam José Renato S. Santiago Junior, diretor de desenvolvimento de novos negócios, e Daniel Brooke Peig, engenheiro coordenador da área de pesquisa & desenvolvimento da Perenne.

Para eles, o mercado está buscando alternativas para a redução dos efluentes, principalmente em virtude da escassez de água e restrições ambientais. “Dentre as alternativas mais interessantes para essa redução está a prática de reúso, e a osmose reversa apresenta vantagens nesse segmento, pois possui baixa demanda de produtos químicos e é capaz de garantir por anos uma qualidade de água tratada muito superior aos atuais padrões de potabilidade e uso industrial.”

Sérgio Luiz Nascimento, diretor de operações da General Water, vê que a tendência de aplicação da osmose reversa para o tratamento de águas e efluentes é crescente, uma vez que a tecnologia vem tendo seus custos reduzidos em virtude do maior número de empresas envolvidas na fabricação de membranas. “No advento da tecnologia, na década de 70, as membranas eram fabricadas no Japão e nos Estados Unidos. Hoje, já existem fabricantes espalhados pelo mundo, inclusive na China e na Coréia, o que vem contribuindo para a difusão da tecnologia e redução de custos. A maior fábrica de osmose reversa do mundo encontra-se instalada em Israel, para dessalinização de água do mar visando o abastecimento público. No entanto, a tecnologia ainda é mais utilizada na indústria em geral para obtenção de água com elevado nível de pureza (desmineralizada), que se aplica aos mais diferentes processos, como exemplificado anteriormente. A osmose reversa tem atributos que a tornam única, pois somente a tecnologia de troca iônica é capaz de produzir água com qualidade similar àquela dos sistemas de osmose reversa, tendo, no entanto, algumas desvantagens operacionais e, em alguns casos, econômicas, onerando os custos quando comparada à osmose reversa.”

Tecnologias combinadas
Para Roberto Andreatti Freire, diretor da Norit, devido à escassez de água e esgotamento das fontes naturais, atualmente um dos segmentos de tratamento de água de maior crescimento no mundo é a dessalinização de água do mar, “no qual a Norit é líder mundial em volume tratado com ultrafiltração para pré-tratamento da osmose reversa. Um bom pré-tratamento é de fundamental importância no sucesso das operações das indústrias de osmose reversa para água do mar. A Norit é a única empresa que oferece uma membrana de ultrafiltração especialmente desenvolvida para o pré-tratamento da água do mar. A Seagard, feita com membranas com geometria e características especiais, oferece água de alimentação para sistemas de osmose reversa para água do mar da mais alta qualidade. Isto garante anos de dessalinização livre de problemas e ao menor custo possível”, estima.

“A tendência do mercado é o uso da troca iônica nos sistemas industriais de desmineralização. A razão é que o sistema convencional de desmineralização por troca iônica requer uso de produtos químicos (soda e ácido) para a regeneração do sistema, os quais têm um alto impacto ambiental. De outro lado, sob o ponto de vista da segurança da operação, representa um risco para o pessoal e requer sistema de segurança e pronto socorro nas indústrias, cujo custo, nos últimos anos, teve um aumento considerável. Um sistema de troca iônica não requer os químicos mencionados, tem um custo operacional muito mais baixo e representa uma tecnologia mais 'verde', sem ter problemas de segurança industrial”, enfatiza Alfredo Lorenzo, diretor para a América do Sul da Siemens Water Technologies.

Para o diretor da Norit, um dos nichos em que a osmose reversa vem crescendo é o de açúcar e álcool, outro é o de petróleo e gás. “Sem dúvida, esses dois mercados estão em grande expansão. O segmento de açúcar e álcool é grande consumidor e também gerador de água, que precisa ser tratada para poder ser utilizada na produção ou simplesmente descartada. A Norit tem importantes clientes e fortes parcerias que a coloca na liderança desse segmento no Brasil, não apenas no fornecimento de membranas de ultrafiltração, mas também com carvões ativados de alto desempenho para purificação e clareamento de açúcares. Com o advento de caldeiras de alta pressão, as usinas sentem a necessidade de investir em sistemas de osmose reversa com pré-tratamento por ultrafiltração”, acentua.

De acordo com Freire, em relação ao mercado de petróleo e gás, a aprovação dos produtos da Norit pela Petrobras, principalmente das membranas com aplicações em tratamento de efluentes – Norit MBR Crossflow e Norit MBR Airlift TM – demonstra que a decisão da empresa em trazer produtos de tecnologia de ponta e preços competitivos ao Brasil foi acertada. “A nova geração de membranas Airlift, por exemplo, fornece o que há de mais moderno em tratamento de efluentes para reúso, em conjunto com biorreatores, com absoluta segurança aos operadores e ao ambiente. Outro segmento que consome muita água e onde temos crescido bastante é o de papel e celulose. A maior fábrica de ultrafiltração do mundo para tratamento de efluentes está instalada na unidade de Telêmaco Borba da Klabin, operando com desempenho superior ao esperado pelo cliente”, complementa.

De seu lado, Nivaldo Bertozzo, diretor comercial da Filtrágua, pondera que a osmose não é um tipo de filtração, “é muito mais que isso, pois é utilizada para desmineralizar a água, ou seja, retirar os sais dissolvidos, e poderá ser utilizada em vários tipos de tratamento, dependendo sempre da água a ser utilizada”. Poderá atingir quaisquer nichos referentes a tratamento de água, devendo sempre serem analisados os fatores principais, ou seja, a água a tratar e a qualidade desejada para a água tratada.

Para o representante da Siemens, a união de sistemas pode ajudar na economia de manutenção: “O importante nesse tipo de sistema é o sistema prévio à osmose (biológico e microfiltração), já que sem ele a osmose reversa pode não trabalhar corretamente e ter, como conseqüência, entupimento, sendo necessária a troca das membranas em períodos curtos. Por isso, a Siemens fornece todo o processo de tratamento dos efluentes para reúso, incluindo tratamento biológico, microfiltração e troca iônica. Hoje a Petrobras tem esse tipo de projeto em execução. Já o sistema de reúso de água para irrigação, para o uso em finalidades não 'nobres', não precisa de osmose reversa.”

De acordo com ele, no Chile e Argentina essa tecnologia já está sendo empregada nos novos empreendimentos de geração de energia e em trocas iônicas existentes, por isso acredita que isso vai chegar ao Brasil nos próximos anos. “Nós não vemos um uso geral da osmose reversa em dessalinização, pelo alto custo energético que representa para tratamento de altas vazões para uso potável, mas estamos desenvolvendo uma tecnologia alternativa para dessalinização que requer muito menos energia, mas ainda está em etapa de desenvolvimento.”

Ainda de acordo com Lorenzo, as indústrias sucroalcooleira e de petróleo e gás empregam caldeiras de média e alta pressão e por essa razão a osmose reversa é a tecnologia mais empregada. “O restante da indústria apresenta uma grande inércia tecnológica que nós acreditamos que se reverterá nos próximos anos. A osmose reversa tem, além do segmento de açúcar e álcool e petróleo e gás, um amplo campo nas indústrias de geração térmica de energia, papel e celulose e químicas.”

Mercado
Estimando crescimento de 25% na demanda pela osmose reversa nos próximos três anos na América do Sul, a GE Water & Process, com a nova linha de montagem no Brasil, pretende reduzir o prazo de entrega das máquinas em até 60%, ou seja, de cinco para dois meses, e fornecer soluções que melhor atendam as necessidades locais, como a rapidez nas respostas aos clientes que precisem de substituição de alguma peça, por exemplo.

Já para Freire, o mercado de osmose reversa é maduro e vem crescendo bastante ultimamente, junto com o desenvolvimento do País. Esse crescimento é ainda maior no mercado de membranas de UF, utilizadas no pré-tratamento dos sistemas de osmose reversa. “Apesar de estarmos todos envolvidos com a crise financeira internacional, o setor de tratamento de água não pode parar de crescer, pelo simples fato de não podermos existir sem água. A Norit e seus clientes mantêm suas previsões de crescimento e investimentos, já que a água é um insumo essencial mesmo em tempos de crise.”

Bertozzo analisa que o desenvolvimento do mercado brasileiro é bom, porém cauteloso: “Sendo um equipamento de fabricação nacional, com utilização de componentes importados, poderá sofrer influência da crise econômica. Já as empresas que importam os equipamentos completos poderão ter dificuldades. Na Filtrágua previmos um faturamento razoável, dentro do plano de investimento já elaborado, que esperamos, possa ser cumprido. Sem dúvida o mercado apresenta evolução constante.”

Para Moraes, os sistemas de osmose têm sido usados cada vez mais porque seu preço já é bem acessível, e a manutenção, conhecida. “Creio que a tendência das membranas, de modo geral, é cada vez mais ocupar o mercado, pois realmente estão mostrando sua eficiência para várias aplicações e com custo de manutenção baixo. Em vista disso, apresentamos um crescimento de 65% em vendas de sistemas de osmose reversa este ano em comparação com o ano de 2007 e já temos vários pedidos consolidados e alguns em negociação para 2009. Nossa expectativa é muito boa”, adianta.

Também para o diretor da Aquamec, o crescimento mundial da osmose reversa é uma realidade irreversível. “Não prevemos influências acentuadas da atual crise econômica nesse mercado, em função da demanda reprimida e dos grandes investimentos públicos que estão se desenvolvendo em muitos países, exatamente para reverter os efeitos negativos da crise econômica. O faturamento com sistemas de osmose reversa é ainda pequeno em relação ao portfolio total da empresa, mas esperamos incrementos anuais da ordem de 10% a 20% para os próximos anos. Além disso, os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, de uma maneira geral, têm aumentado nos anos recentes, com tendência de crescimento.”

Na visão de Ribeiro, o mercado mundial de nanofiltração/osmose reversa no ano de 2007 foi de US$ 508 milhões, sendo que a participação da América Latina foi de apenas 7%, ou US$ 35 milhões. O mercado brasileiro deve representar uma fatia de no máximo 30%, ou algo na casa dos US$ 10 milhões. O crescimento nas vendas para água salobra tem sido de 9% ao ano, enquanto que o crescimento das vendas das membranas para água do mar tem sido de 16%. Caso os grandes projetos de dessalinização de água do mar realmente decolem, pode haver dificuldade de fornecimento dessas membranas em 2009. “Tivemos um crescimento significativo em relação a 2007, porém devido a situação financeira mundial não esperamos o mesmo crescimento para 2009 para os elementos de 8 polegadas”, diz.

Nascimento lembra que o mercado de osmose reversa vem crescendo a passos largos nos últimos anos, impulsionado, principalmente, pela redução de custos associada à produção de água de melhor qualidade quando comparada ao processo de troca iônica. “Atualmente os segmentos de açúcar/álcool e o gás/petroleiro já utilizam essa tecnologia em escala, ampliando sua aplicação em função das vantagens operacionais e qualitativas. Outro importante segmento que utiliza esse sistema é o de papel e celulose. A General Water tem feito uso, com freqüência, dessa tecnologia na dessalinização de efluentes industriais de diversos segmentos para produção de água de reúso.”

Para Faus, a crise mundial deve limitar os investimentos em 2009, porém em médio prazo os projetos devem ser retomados. “A Fluid Brasil, por exemplo, prevê um faturamento com osmose reversa de 50% no ano de 2008, apresentando um crescimento de 100% em relação a 2007. Para 2009 esperamos um crescimento de 20%.”

Os executivos da Perenne explicam que o mercado de osmose reversa tem apresentado significativos progressos nos últimos anos, tanto no Brasil como no mundo, de uma forma geral. “Por ser considerada uma tecnologia de ponta e seguir as tendências cada vez mais exigentes do atual mercado de água, há muitos mercados que definiram a osmose reversa como um dos principais processos a serem utilizados, entre eles Emirados Árabes, Kwait, Iraque e Israel, no Oriente Médio; países da Europa, principalmente Espanha e Portugal; e alguns da América do Sul, com destaque para Chile e Peru, já que o Brasil ainda utiliza pouco essa tecnologia, bem como a China, Austrália e outros. Isso justifica o grande crescimento em sua utilização, principalmente nos últimos anos, próximo de 50%“, analisam.

Para eles, no Brasil, o surgimento de demanda por processos cada vez mais complexos, dentre os quais se destacam aqueles relacionados ao reúso de água, tem justificado a forte tendência de crescimento, nos mais diversos segmentos das indústrias, tais como o petroquímico, papel e celulose, sucroalcooleiro e de mineração. “Entendemos que a crise mundial irá gerar grandes oportunidades para empresas brasileiras, como a Perenne. Ela é uma empresa com capital 100% brasileiro, com condições técnicas comerciais para apresentar propostas competitivas, principalmente quando comparadas a seus principais concorrentes, cujas sedes estão localizadas fora do Brasil”, dizem.

Outro ponto destacado pela dupla de executivos é que cada vez mais, tanto no exterior como no Brasil, o nível de exigência em relação às políticas ambientais da indústria, principalmente quanto à utilização de sistemas inteligentes de uso de água e redução de descarte da mesma, vem aumentando consideravelmente. Isso também auxilia em muito o crescimento do setor nos próximos anos.

Aquamec
A Aquamec fornece sistemas de osmose reversa em regime turn-key para desmineralização de águas industriais, produção de água potável a partir de água salobra, tratamento de efluentes domésticos e industriais para o reúso de água, e dessalinização de água do mar.

A Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S.A. fez uma operação de associação comercial com a Aquamec Equipamentos com o objetivo de disponibilizar portfólio completo de serviços e equipamentos para tratar efluentes líquidos e fornecer água. A Aquamec fatura R$ 79 milhões por ano. Com a sinergia entre as duas empresas, a expectativa é que a receita da Haztec seja superior a R$ 230 milhões por ano. A união de forças fortalece a Haztec nesse mercado, onde já atua desde 2007, após a aquisição da Geoplan, e permite à Aquamec entrar no crescente mercado de serviços ambientais.

As soluções da Aquamec são desenvolvidas para atender plenamente as exigências e especificações de cada mercado em que atua, entre eles: saneamento básico, papel e celulose, siderurgia e mineração, química e petroquímica e indústria de transformação em geral.

Filtrágua
A Filtrágua fabrica e fornece todos os equipamentos relacionados com a osmose reversa, como pré-tratamento com filtros, descloração, pré-filtros etc., polimento, com desmineralização, e osmose reversa, para qualquer vazão, que pode ser utilizada em vários processos, dependendo da água a tratar, como em tratamento de água potável, para processos, caldeiras ou dessalinização.

“A Filtrágua mantém um constante desenvolvimento em seu departamento de projetos e, principalmente, em sua fabricação, e prevê para os próximos meses uma evolução ainda maior. “São realizados investimentos constantes em estudos, pesquisas em laboratório e em aperfeiçoamento técnico de pessoal. A Filtrágua vive constantemente uma evolução, pois desde sua fundação, em 1967, o processo de equipamentos para tratamento de água tem seu desenvolvimento acelerado, tanto em novos processos como em novos equipamentos, com auxílio da eletrônica e automatismos, além de profissionais com cada vez mais conhecimentos”, assegura o diretor da empresa.

Fluid Brasil
A Fluid Brasil oferece equipamentos de osmose reversa modulares de 1m³/h a 100m³/h. Para vazões maiores podem ser usados múltiplos dos módulos existentes ou uma unidade sob medida para o cliente. “Também oferecemos o serviço de unidade móvel em contêineres para vazões de 50m³/h, que pode ser utilizada em emergências, manutenções dos sistemas fixos ou para antecipar cronogramas de projetos de implantação, bem como todos os serviços de assistência técnica, como limpeza e troca de membranas ou diagnósticos de performance”, assegura Faus.

Ele lembra que a osmose reversa pode ser utilizada em todo o processo que requeira a remoção de sais da água. “Os exemplos mais comuns são a remoção de sais da água potável ou industrial para ser usada como água de alimentação de caldeiras de média e alta pressão e a dessalinização de água do mar para ser usada como água potável, além da redução de sais de um efluente tratado que precisa ser reusado como água industrial.”

Atualmente, a Fluid Brasil está investindo na construção da nova sede, no Distrito Industrial de Jundiaí, com uma área de 5 mil metros quadrados, divididos em 1.200 metros quadrados para os escritórios, 2.400 para área de fabricação e serviços, além de contar com auditório de treinamento, com 50 metros quadrados. Em relação às pesquisas e desenvolvimento, Faus explica que a Fluid se apóia nas pesquisas de seus parceiros internacionais: Dow e Norit.

General Water
Mais do que equipamentos, a General Water oferece soluções implantadas e operadas com recursos próprios (o cliente paga somente pela água que consome), para abastecimento de água e reúso de efluentes que podem se utilizar das mais diversas tecnologias para o tratamento. “Dentre essas tecnologias podemos destacar a osmose reversa, bem como os demais processos de separação por membranas, basicamente microfiltração, ultrafiltração e nanofiltração, tecnologias emergentes no tratamento de águas e efluentes pela capacidade de separação de contaminantes, facilidade de automação e menor área necessária para implantação das estações de tratamento em relação aos processos convencionais”, acentua Nascimento.

A osmose reversa pode ser utilizada para o tratamento de águas e efluentes em geral, incluindo água do mar em processos de dessalinização. O benefício da utilização dessa tecnologia é a obtenção de águas com elevado nível de pureza para diversos processos industriais, tais como produção de medicamentos nas indústrias farmacêuticas, geração de vapor em caldeiras de alta pressão nas indústrias químicas, petroquímicas e de alimentos, obtenção de água desmineralizada para a produção de equipamentos eletrônicos etc. No Brasil tem-se ainda a aplicação da tecnologia para a potabilização de águas salobras no Nordeste, com destaque para o arquipélago de Fernando de Noronha, que possui um sistema de osmose reversa para dessalinização de água do mar e obtenção de água potável para abastecimento público.

A General Water investe de modo crescente em desenvolvimento tecnológico e isso se aplica aos processos que utilizam membranas de osmose reversa. Essa posição da empresa acompanha o que ocorre no resto do mundo, onde os investimentos em pesquisa e desenvolvimento – não só em osmose reversa, mas nos processos de separação por membranas como um todo – são crescentes e impulsionados, sobretudo, pela capacidade dos processos na separação de contaminantes e pelas pressões geradas pelas legislações ambientais cada vez mais restritivas tanto de água potável quanto de descarte de efluentes em corpos receptores. Na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) há um interesse especial em função de problemas específicos de qualidade da água gerados pela poluição que contamina a água dos mananciais da cidade, como é o caso da Represa Guarapiranga, que recebe esgoto in natura, ao mesmo tempo em que serve de fonte de abastecimento para 20% da RMSP. Os processos convencionais de tratamento, em alguns casos, não estão sendo mais viáveis para a produção de água potável a partir desses mananciais e surge, então, a necessidade de se buscar novas alternativas e dentre elas destacam-se os processos de separação por membranas.

Para aperfeiçoar o uso dessa tecnologia e de outras de que faz uso, a General Water realiza, permanentemente, investimentos em melhorias tecnológicas constantes e qualificação de pessoal, visando suportar a sua projeção de crescimento anual.

GE Water & Process Technologies
A General Electric Company é uma empresa diversificada global de infra-estrutura, serviços financeiros e mídia que foi construída para ir de acordo com as necessidades mundiais. De energia, água, transporte e saúde ao acesso a dinheiro e à informação, a GE presta serviços aos seus clientes em mais de 100 países e emprega cerca de 320 mil pessoas ao redor do mundo. Mantém atividades no Brasil desde 1919, com escritórios de vendas e marketing distribuídos em diversos Estados e com unidades industriais em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Todos os seis grandes negócios da GE estão presentes no Brasil, empregando cerca de 7 mil funcionários.

Player mundial no tratamento de água e efluentes e sistemas de processo, a GE Water & Process Technologies, uma unidade da General Electric Company, oferece amplo portfólio de especialistas globais e capacidades locais. Investe em tecnologias prospectivas de água e processo, potencializando as melhores práticas da ecomagination da GE para ajudar os clientes a equilibrar suas metas ambientais e econômicas.

As membranas de osmose reversa da GE são usadas em uma ampla variedade de aplicações, desde a dessalinização da água do mar até a produção de água pura e reúso de efluentes. Os poros microscópicos na superfície dos filtros são capazes de remover todas as impurezas de uma fonte de água.

Recentemente, a GE Water & Process Technologies inaugurou a expansão de sua fábrica localizada em Sorocaba como parte da estratégia de investimento para o crescimento em longo prazo no mercado da América Latina. Essa expansão acelera o tempo de entrega, reduz os custos de produção e alavanca os recursos de engenharia local. Agora a unidade industrial de Sorocaba faz a montagem dos equipamentos de osmose reversa, que são usados em muitas indústrias, incluindo açúcar e álcool, alimentos e bebidas, óleo e gás, e produção de aço. Antes da expansão, os equipamentos utilizados no processo de purificação de água eram importados da matriz, nos Estados Unidos.

Construída ao longo do ano de 2007, a fábrica da GE em Sorocaba – que já desenvolve produtos químicos especiais para aplicações no tratamento de água e de processos industriais – produzirá cerca de 300 sistemas de filtração por osmose reversa por ano, variando a capacidade de tratamento de 380 a 1.890 litros por minuto. Esses sistemas pré-montados são fabricados e testados e requerem mínima instalação on-site. Os sistemas modulares e de pré-engenharia fazem com que essas unidades tenham melhor custo-benefício e a nova capacidade de produção local irá otimizar a distribuição e tempos de entrega para os clientes em toda a América do Sul.

Koch Membranes Systems
No Brasil e nos outros países da América do Sul, a Koch Membranes vende as membranas de osmose reversa de até 8 polegadas de diâmetro para novos projetos e também para o mercado de reposição. “Vendemos sistemas completos com membranas de 18 polegadas de diâmetro (MegaMagnum) para água industrial e também água do mar. As membranas de osmose reversa também podem ser utilizadas no setor alimentício e de bebidas, para concentração de sucos, soro e gelatina”, conta Ribeiro.

O diretor comercial acentua ainda que a KMS está expandindo a unidade de fabricação dos elementos MegaMagnum, além de investir em desenvolvimento de membranas com maior recuperação de permeado e sistemas de osmose reversa com menor consumo de energia elétrica.

Norit
A Norit fornece componentes e equipamentos, além de suporte técnico, normalmente aplicados ao pré-tratamento da osmose reversa, como membranas de ultrafiltração, carvões ativados, bombas centrífugas de alta vazão e rendimento além de válvulas assépticas para aplicações alimentícia e de bebidas e sistemas de dióxido de carbono.

A ultrafiltração pode ser utilizada em todas essas aplicações, com a vantagem de ser mais eficiente e com custo operacional menor do que as tecnologias convencionais. Além disso, a vida útil da membrana de osmose reversa é bem maior quando trabalha com água ultrafiltrada. Todos os produtos fabricados pelas empresas do grupo Norit têm forte ligação com as aplicações de água. Recentemente, a Norit, que já era a maior produtora de membranas de ultrafiltação da Europa, ampliou a capacidade da fábrica da cidade de Enschede, na Holanda.

De acordo com a empresa, o investimento em pesquisa e desenvolvimento é uma constante. “Podemos citar alguns exemplos, como a nova geração de membranas MBR (bio-reator com membranas) Norit Airlift TM, carvões ativados de altíssima ativação para processos de purificação e a cervejaria do futuro, onde, com a combinação de diversas tecnologias Norit, produz-se um litro de cerveja consumindo-se apenas 2 litros de água, num mercado onde a média é de 5 litros de água para cada litro de cerveja produzida.”

Atualmente, a Norit purifica mais de 15 milhões de metros cúbicos de água por dia, o suficiente para o consumo diário de mais de meio bilhão de pessoas ou 8% da população mundial. A água é, mais do que nunca, um dos bens mais valiosos da Terra. Água limpa pode transformar desolação em esperança, especialmente em áreas onde o fornecimento de água está comprometido por poluição ou por desastres repentinos. A cada ano, a população mundial cresce em cerca de 90 milhões, estimando-se que em 2025 ela atingirá 8,5 bilhões de pessoas. Apenas uma pequena porcentagem da água que existe no mundo, cerca de 0,01 por cento, está facilmente disponível para uso humano. Ainda assim, esta pequena quantidade seria suficiente para satisfazer as necessidades humanas se fosse distribuída igualmente. Infelizmente, este não é o caso. A disponibilidade de água está diminuindo e mais de 2,6 bilhões de pessoas ao redor do mundo não têm acesso à água potável e segura.

A Norit está sempre na liderança quando o assunto é encontrar e aplicar soluções inovadoras e viáveis para os desafios mundiais relacionados a água, que variam desde o controle de enchentes até dessalinização em larga escala e de tratamento de efluentes até soluções compactas de purificação. Ao enfatizar a pesquisa e o desenvolvimento, ajudamos a tornar a água utilizável para aqueles que precisam dela. O desenvolvimento e uso de tecnologias de purificação de alto padrão nos permitem encontrar um equilíbrio ideal entre as exigências ambientais, econômicas, de saúde e segurança, e trabalhar rumo a um futuro sustentável.

Perenne
A Perenne é referência na fabricação de sistemas de desmineralização de água pelo processo de osmose reversa. Todas as etapas do ciclo de vida do equipamento, desde o projeto até a manutenção, otimização, assistência técnica e operação, fazem parte do escopo de produtos e serviços da empresa.

A Perenne tem feito significativos investimentos no desenvolvimento de novas tecnologias voltadas para o aumento da qualidade e redução de custos em seus produtos e processos de osmose reversa. Prova disso, como afirma Santiago Jr. e Peig, é que “durante este ano de 2008 temos implantado diversas melhorias nos processos industriais de nossas unidades fabris na Bahia e em São Paulo, o que justifica nossa certificação ISO 9001-2000. Além disso, estruturamos uma diretoria de pesquisa & desenvolvimento totalmente voltada para a busca de novas tecnologias e na melhoria daquelas já existentes. Inclusive temos parcerias com algumas universidades brasileiras, desenvolvendo aplicações para a tecnologia de membranas bem como novos sistemas de altíssima confiabilidade e baixos custos operacionais”.

Siemens
A Siemens conta com sistemas de desmineralização para água industrial, incluindo água de caldeira de média e alta pressão, água de resfriamento, água de processo para indústria de alimentos e bebidas, água de alta pureza para indústria farmacêutica e água de ultrapureza para indústria microeletrônica. “Todos esses sistemas envolvem o uso da osmose reversa, além de outras tecnologias, como eletrodeionização, desinfecção, etc., que nós também fornecemos”, acentua Lorenzo, lembrando que a empresa conta ainda com sistema de reúso de água (tipo municipal e industrial) para uso industrial.

Além de fornecer os sistemas, a empresa também presta serviços a essas áreas e, no caso da instalação de novos sistemas oferece engenharia de processo e detalhamento, fornecimento dos equipamentos, execução de obras, instalação e start up. Já para os sistemas em operação realiza auditorias de performance, extensão de capacidade, modernização, otimização da performance, ajuste de parâmetros operacionais, contratos de supervisão de operação, contratos de manutenção, fornecimento de peças, fornecimento e troca de membranas e análise pós-morte de membranas no laboratório.

Tech Filter
A Tech Filter trabalha com dimensionamento, projeto, fabricação, montagem e manutenção de sistemas de osmose reversa. Essa tecnologia geralmente é usada em sistemas de desmineralização de água potável para gerar água de baixa condutividade para alimentação de caldeiras, indústrias farmacêuticas, cosméticas, eletroeletrônicos, alimentícias, entre outras. Também é empregada para dessalinização de águas salobras e do mar, tornando-a potável em locais de pouco disponibilização de água ou que a mesma se encontra contaminada. Tem sido muito usada ultimamente para reúso de efluentes tratados e filtrados, com objetivo de voltar para processos mais nobres como torres de resfriamento, lavagens de peças, entre outras.

 
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