Onze estudantes da 8ª série do ensino fundamental de Santo André e de Rio Grande da Serra, cidades da região metropolitana da capital paulista, já podem dizer que têm sua vida ligada à sétima arte. Isso porque venceram um concurso de redação e os seus textos foram transformados em seis curtas-metragens.
A pré-estréia aconteceu em 27 de novembro, no Salão Nobre do Fundo Social Solidariedade, em Rio Grande da Serra, em sessão exclusiva para convidados. Posteriormente, foram realizadas três mostras gratuitas para a população, em 29 de novembro e 6 e 14 de dezembro, em duas escolas de Rio Grande da Serra e uma no Teatro Lyra Serrano, em Paranapiacaba, região de Santo André.
A ação faz parte do 3º Curta Química e Natureza, projeto socioambiental realizado pela Solvay Indupa do Brasil em parceria com o Estúdio Brasileiro e diretorias de Ensino da Região de Mauá e de Santo André, produção da Família Brasil Filmes, apoio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura, PAC (Programa de Ação Cultural do Governo de Estado de São Paulo) e da Socioetal – Cultura & Sociedade.
O 3º Curta Química e Natureza envolveu inicialmente quase 900 alunos de 11 escolas da rede estadual, situadas no entorno da Solvay, nos dois municípios. Com idade entre 14 e 15 anos, os estudantes foram convidados a escrever redações com o tema “Área de proteção aos mananciais, seus recursos naturais e as pessoas que nela vivem”. No texto, a regra foi o estudante explorar os aspectos naturais e sociais do local onde mora: Rio Grande da Serra e Paranapiacaba, subdistrito de Santo André.
Pré-selecionadas por uma comissão de professores e depois por uma banca de juízes, formada por educadores, biólogo, roteirista e outros profissionais, as 11 redações, uma de cada escola, foram agrupadas e transformadas em seis curtas-metragens, com média de cinco minutos de duração. Os estudantes acompanharam, durante dez meses, todas as etapas de produção dos filmes, desde a roteirização, captação de imagens, edição até a finalização do material. Além disso, o grupo ainda produziu um telejornal, o CQN News.
O objetivo da Solvay é envolver a comunidade escolar em um processo de identificação dos principais problemas que afetam a qualidade de vida de quem mora na região, elaborar um plano de atividades e com isso trabalhar os conceitos de desenvolvimento sustentável e de cidadania. “Buscamos promover a inclusão social e cultural dos estudantes, com estímulos ao respeito sobre biodiversidade, para que evitem o desperdício e o esgotamento dos recursos naturais”, afirma Lisandre de Assis, coordenadora de comunicação da Solvay Indupa.
O Curta Química e Natureza nasceu do Projeto Química e Natureza, uma das ações sociais desenvolvidas pela Solvay Indupa e criada em 1997. Quase 31 mil estudantes do ensino fundamental e médio já passaram pelo projeto. Em 2006, uma parceria com a diretoria de Ensino de Santo André e da Região de Mauá, com a Família Brasil Filmes e com o Estúdio Brasileiro permitiu à Solvay utilizar a arte cinematográfica como instrumento coadjuvante da mensagem do projeto, que já coleciona 23 curtas-metragens. “Neste período, notamos no estudante uma nova perspectiva em relação à vontade de escrever e maior interesse em conhecer melhor a região no tocante ao meio ambiente”, comemora Lisandre de Assis.
Sinopses
No drama “Uma questão de sobrevivência” – de Vanessa Cristina Nascimento de Melo, da escola Cassiano Ricardo, e Brígida Silva Campos, da escola Antonio Lucas, de Rio Grande da Serra –, um rapaz, vendo na tevê a notícia de um terremoto no Exterior, no conforto de seu lar, começa a fazer um balanço sobre a ação humana no planeta. Apesar de aparentemente consciente dos erros cometidos, ele continua a agir de maneira irresponsável, até que começa a sentir os efeitos de suas próprias ações. No entanto, nem assim parece se incomodar, até que outra notícia na tevê literalmente o acorda.
Já na ficção “Loja do futuro” – de Michelle Araújo de Lira, da esacola Padre Giuseppe Pisoni, e Larissa Cristina da Silva, da escola Professor Alziro Barbosa Nascimento, de Rio Grande da Serra –, uma garota, moradora da cidade, de repente se vê perdida numa metrópole, entre carros, prédios e muito barulho. Desesperada, a jovem corre pelas ruas, procurando por uma saída, e se depara com a pressa, com o descaso e com a ganância. Surpreendentemente, a garota descobre que está em Rio Grande da Serra mesmo, agora irreconhecível. Mas ela tem uma segunda chance e, nas mãos, a oportunidade de mudar o futuro.
No documentário “Os mananciais sobrevivem” – de Ketheleen Ferroni (E.E. Senador Lacerda Franco), de Paranapiacaba, Santo André –, Wagner Freidinger, monitor ambiental e cultural, leva o telespectador para um passeio pelo Parque Natural Nascentes de Paranapiacaba, responsável pela coleta, tratamento e distribuição de água na Vila de Paranapiacaba. O monitor conta a história do local e dá uma rápida aula sobre a biodiversidade e o funcionamento do ecossistema da Mata Atlântica. Além disso, duas estudantes destacam a importância de se preservar o ambiente para a população não sofrer conseqüências desagradáveis no futuro.
”Ontem e hoje”, um drama de Camila Valêncio da Conceição (E.E. Professor Francisco Lourenço de Melo), Beatriz Aparecida da Silva (E.E. Professor Sebastião Vayego de Carvalho), de Rio Grande da Serra, mostra uma mulher que, após receber a notícia de que vai se tornar avó, escreve uma carta para sua futura neta, que deve recebê-la no dia de seu aniversário de 15 anos. Ao receber e ler a carta, a garota começa a se questionar se sua avó, que jamais conheceu, está falando do mesmo lugar em que a menina vive. Mais importante do que isso é a mensagem que sua avó lhe deixa. Cabe à menina aceitá-la ou não.
”Minha pequena fonte de vida” – de Karolina Alves dos Santos (E.E. Profº Carlos Roberto Guariento) e Amanda Martinha Rodrigues (E.E. Professora Shisuko Ioshida Niwa), de Rio Grande da Serra – é uma animação em que um simpático esquilo apresenta as belezas naturais de Rio Grande da Serra e fala sobre a importância da região por ser uma área de mananciais, enquanto uma ratazana asquerosa tenta convencer o telespectador de que bom mesmo é o descaso com o ambiente. Mas a ratazana, assim como os esquilos e todos os outros animais e plantas, é um ser vivo que depende da água e não poderá fugir dessa verdade. O documentário mostra a divergência entre o mundo urbano e o mundo que ainda concentra muita riqueza natural.
Por fim, o documentário “Manancial” – de Amanda Cristina dos Santos de Paula Pereira (E.E. Poetisa Cora Coralina) e Camyla Dantas Ferreira (E.E. Edmundo Luiz de Nóbrega Teixeira), de Rio Grande da Serra – tenta explicar que, muito mais do que uma palavra em um dicionário, manancial é vida. Esse é o princípio do filme em que professores e estudantes falam sobre as áreas de proteção aos mananciais. Os professores explicam como e por que essas regiões foram criadas, quais os critérios para que se viva nelas e a importância dessas áreas para todas as pessoas, enquanto os seus alunos contam suas experiências e ações em relação ao local onde moram. A história é ilustrada por imagens que mostram a beleza desses locais, que contrastam com a realidade repleta de falta de consciência de preservação. |